A foto da criança continuava sobre a mesa, como um fantasma observando cada movimento deles.
Ashiley não conseguia tirar os olhos dela.
Parecia um insulto.
Uma armadilha.
Uma ameaça escrita com tinta fria.
Gustavo, por outro lado, estudava cada detalhe — a moldura, o papel, o foco — como se a resposta estivesse escondida em algum canto da imagem.
— Ela quer criar uma história falsa — disse ele, finalmente. — E vai tentar te colocar no centro dela.
Ashiley abraçou os próprios braços.
— Uma história sobre… o quê, Gustavo? Uma criança escondida? Uma filha que eu não tenho? Isso é insano!
— Insano e perfeito para destruir você — ele respondeu.
A voz dele era baixa, perigosa.
— Quando querem ferrar com uma mulher, inventam maternidade escondida.
A reviram.
A transformam no problema.
Ashiley sentiu o estômago embrulhar.
— Como eu posso me defender de algo que nem existe?
— A gente começa encontrando essa criança. — Gustavo se aproximou dela. — Descobrindo quem ela é. Quem tirou essa foto. Q