A cidade parecia a mesma quando voltaram, mas nada era exatamente igual. Não porque algo externo tivesse mudado, mas porque Ashiley já não carregava o peso de antes. O barulho, os compromissos, os olhares. Tudo isso existia, mas já não definia quem ela era.
Gustavo estacionou o carro na garagem e desligou o motor sem pressa. Ficaram alguns segundos em silêncio, como se ambos soubessem que aquele retorno marcava algo importante.
— Pronta? — ele perguntou.
Ashiley sorriu.
— Eu não estou mais esperando algo dar errado — respondeu. — Então acho que sim.
Entraram no apartamento e deixaram as malas de lado. Não havia urgência em desfazer nada. Havia uma tranquilidade nova, um acordo silencioso entre eles.
Gustavo tirou o paletó, jogou-o sobre a cadeira e foi até a cozinha pegar água. Ashiley o observou por um instante, aquele homem que antes parecia sempre dividido entre mundos, agora inteiro em gestos simples.
— Eu reorganizei mais coisas enquanto estávamos fora — ele disse, voltando. — Nã