Ashiley acordou com o som distante de pássaros e a sensação de um braço firme ao redor do seu corpo. Não abriu os olhos de imediato. Quis ficar ali, naquele intervalo em que o dia ainda não tinha começado e nada precisava ser decidido.
Gustavo respirava devagar atrás dela. O calor do corpo dele era constante, tranquilo, como se tivesse aprendido exatamente onde ficar. Ela se mexeu um pouco, e ele apertou o abraço de leve, ainda dormindo.
— Fica — ele murmurou, sem abrir os olhos.
Ela sorriu.
— Eu já estou.
Quando finalmente se levantaram, o dia estava claro e fresco. Prepararam o café em silêncio, dividindo gestos simples. Gustavo cortava frutas enquanto Ashiley organizava a mesa da varanda. Em nenhum momento foi preciso combinar quem faria o quê.
— Sabe o que eu pensei ontem à noite? — ela disse, sentando-se.
— O quê?
— Que eu sempre tive medo do depois.
Pausa.
— Medo de quando a parte boa acabasse.
Gustavo se sentou à frente dela.
— E agora?
— Agora eu percebo que talvez não acabe.