O dia amanheceu diferente. Não por algum evento marcante, mas pela naturalidade com que tudo seguia. Ashiley acordou com o som de passos na cozinha e um cheiro familiar de café fresco. Ficou alguns segundos na cama, ouvindo os ruídos simples da casa, sentindo aquela paz que não precisava ser defendida.
Quando se levantou, encontrou Gustavo encostado na bancada, camisa aberta no peito, olhando pela janela enquanto esperava a água ferver.
— Você faz isso parecer fácil — ela comentou, se aproximando.
— O quê?
— Viver sem pressa.
Ele virou o rosto e sorriu.
— Não é fácil. Só ficou possível.
Ela passou os braços pela cintura dele por trás, apoiando o rosto nas costas largas, respirando fundo. O gesto era íntimo, cotidiano, como se sempre tivesse sido assim.
— Hoje eu pensei em sair um pouco — ela disse. — Sem agenda. Sem roteiro.
— Eu também — ele respondeu. — Talvez a gente esteja aprendendo a mesma coisa.
Tomaram café juntos, sentados próximos demais para duas pessoas que não precisavam