A estrada estava quase vazia quando saíram ainda cedo. O sol surgia tímido, iluminando o asfalto molhado da chuva da noite anterior. Ashiley encostou a cabeça no vidro por alguns minutos, observando a cidade ficar para trás, sentindo algo que não sentia havia muito tempo: leveza.
Gustavo dirigia tranquilo, sem pressa. O rádio tocava baixo, uma música que nenhum dos dois tentou trocar. De vez em quando, ele estendia a mão e tocava a dela no câmbio, um gesto simples que a fazia sorrir sem perceber.
— Você está quieta — ele comentou.
— Estou bem — ela respondeu. — É diferente.
— Diferente como?
— Como se eu não estivesse esperando nada dar errado.
Ele olhou para ela por um instante, depois voltou os olhos para a estrada.
— Eu também sinto isso.
O lugar ficava a poucas horas da cidade. Uma casa simples, cercada de verde, com uma varanda larga e silêncio suficiente para ouvir o vento entre as árvores. Nada luxuoso. Nada planejado para impressionar.
— Você acertou — Ashiley disse ao descer