Gustavo acordou antes de Ashiley naquela manhã. Não foi ansiedade. Foi decisão.
Ficou alguns minutos observando-a dormir, o rosto tranquilo, o corpo relaxado de quem não estava em alerta. Aquela imagem simples dizia muito mais do que qualquer conversa da noite anterior. Ela tinha confiado nele. E confiança não se pede, se sustenta.
Ele se levantou em silêncio e foi para a sala. Abriu o notebook, respirou fundo e começou a reorganizar algo que vinha adiando há anos. Cancelou reuniões desnecessárias, transferiu decisões que não precisavam mais passar por ele, bloqueou horários que sempre foram invadidos por urgências inventadas.
Quando terminou, fechou o computador com uma sensação estranha. Leve. Como se tivesse devolvido algo a si mesmo.
Ashiley apareceu na porta algum tempo depois, ainda com o cabelo solto, vestindo uma camiseta dele.
— Você sumiu — disse, encostando no batente.
— Não — ele respondeu, se levantando. — Eu fiquei.
Ela arqueou a sobrancelha, curiosa.
— Ficou onde?
Gusta