A capital surgiu pela janela do carro como um velho fantasma que ela conhecia bem: prédios altos demais, carros caros demais, gente apressada demais. Nada ali tinha mudado. O que tinha mudado era ela.Quando o sedã entrou pelos portões da mansão Monteiro, Ashiley sentiu um aperto no estômago. O jardim impecável. As colunas brancas. O cheiro de rosas caras. Aquilo tudo parecia preparado para impressionar — e controlar.A mãe dela, Lígia, surgiu na porta com um sorriso tão polido quanto as louças da casa.— Minha filha… finalmente em casa — disse, abraçando-a com delicadeza, mas distante, como quem checa se a maquiagem borraria.— Bom te ver, mãe — respondeu Ashiley, sem emoção.O pai veio logo atrás, firme, elegante, sempre com aquele ar de presidente de empresa.— Espero que, desta vez, você tenha voltado para ficar — disse ele, olhando-a como quem avalia um investimento.Ashiley forçou um sorriso.— Estou aqui, não estou?Antes que o clima ficasse mais pesado, um funcionário recolheu
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