A tarde estava calma demais para um incômodo tão sutil, e talvez fosse por isso que Ashiley demorou a perceber. Não era raiva. Não era insegurança. Era algo mais silencioso, quase invisível, que se instalou enquanto ela observava Gustavo ao telefone pela terceira vez naquele dia.
Ele falava baixo, concentrado, andando de um lado para o outro da sala. Negócios. Decisões. Responsabilidades que nunca desligavam completamente.
Ashiley estava sentada no sofá, lendo, mas as palavras começaram a perder sentido.
Quando ele desligou, percebeu o olhar dela.
— Está tudo bem? — perguntou, se aproximando.
Ela hesitou antes de responder. Não queria transformar aquilo em algo maior do que era.
— Está — disse. — Só… diferente.
Gustavo sentou ao lado dela.
— Diferente como?
Ashiley fechou o livro e o apoiou na mesa.
— Eu sei que sua vida não parou porque a gente ficou junto — começou. — E eu não quero que pare.
Pausa.
— Mas hoje eu me senti… um pouco fora do ritmo.
Ele franziu o cenho, atento.
— Fora