Mundo de ficçãoIniciar sessão— Nós precisamos anular isso! Argumentamos abdução, delírio coletivo, qualquer coisa! — eu gritei, puxando o lençol contra o corpo. — Quem pedir o divórcio antes de 365 dias paga a quantia de cem milhões de dólares. — O sorriso cafajeste desapareceu. — Você tem esse dinheiro na bolsa, esposa? — Eu tenho cento e doze dólares na minha conta! — O meu jato está esperando... e é bom você saber sorrir para as câmeras. Dylan Lancaster é o CEO e o maior "garoto-problema" de Nova York. Festeiro, mulherengo impenitente e herdeiro de um império incalculável, sua vida é uma sucessão de escândalos de tabloides e noitadas épicas. Lucy Hayes é o seu oposto: uma enfermeira exausta, acostumada a fazer plantões duplos para pagar os boletos, sem tempo ou paciência para bilionários arrogantes. Eles pertencem a realidades que nunca deveriam colidir. Até que acordam na mesma cama em Las Vegas, sem memórias, com alianças nos dedos e um contrato de casamento selado em um guardanapo de bar. Para Dylan, esse casamento acidental é um ultimato: ou finge ter tomado jeito ao lado da nova esposa, ou o Conselho da empresa o destituirá da presidência. Para Lucy, o divórcio significa uma dívida impagável. Sem saída, os dois firmam um pacto de sobrevivência: fingir ser o casal mais apaixonado do ano. O plano era evitar que o playboy fosse flagrado com outras mulheres e enganar a imprensa. A convivência forçada com o charme do marido testa os limites da enfermeira, enquanto Dylan descobre que a única capaz de domar seu caos é a garota que ele foi forçado a chamar de esposa. Deveria ser uma farsa, mas a noite em Vegas não foi um acidente. Qual será o preço de se apaixonar pode ser muito maior do que cem milhões de dólares?
Ler maisPOV Lucy
A primeira coisa que percebi quando a consciência começou a voltar foi o cheiro.
Não era o cheiro de cigarro velho e carpete úmido do quarto de motel barato que eu estava dividindo com outras três enfermeiras do congresso. Era um aroma absurdamente caro de sândalo e lençóis lavados com algo que definitivamente não vendia no supermercado do meu bairro.
A segunda coisa foi a textura. Eu estava afundada em um colchão que parecia feito de nuvens. Seda. Alguém tinha me enrolado em seda pura.
Forcei meus olhos a abrirem, piscando contra a claridade agressiva do sol que invadia o quarto através de janelas imensas que iam do chão ao teto. Minha cabeça latejava em um ritmo cruel, como se uma bateria de escola de samba estivesse ensaiando dentro do meu crânio. Tentei me sentar, mas algo pesado e quente me prendia no lugar.
Um braço.
Um braço masculino, pesado e musculoso, jogado casualmente sobre a minha cintura.
Parei de respirar. Meu coração deu um salto triplo carpado e foi parar na garganta. Virei o pescoço milímetro por milímetro, com medo do que ia encontrar.
Havia um homem na minha cama. Ou melhor, eu estava na cama dele.
Ele estava de bruços, o rosto parcialmente afundado no travesseiro, o cabelo escuro em uma desordem perfeita. Os ombros largos e as costas nuas subiam e desciam em uma respiração tranquila.
— Ai, meu Deus... — sussurrei, a voz saindo como um guincho patético.
Eu não sou o tipo de mulher que acorda na cama de estranhos em Las Vegas. Eu sou a enfermeira exausta que faz plantão duplo para pagar o aluguel atrasado de um apartamento do tamanho de uma caixa de sapatos. A coisa mais selvagem que eu fiz nesse congresso foi comer dois pedaços de pizza no jantar.
Tentei erguer o braço dele com a ponta dos dedos, como se estivesse desarmando uma bomba, mas o movimento o despertou.
Ele resmungou algo ininteligível, a voz rouca e profunda vibrando contra o colchão, e então rolou para o lado, abrindo os olhos. Eram olhos muito escuros, intensos, e no primeiro segundo, completamente desorientados.
Em um reflexo de puro instinto de sobrevivência, puxei o lençol até o pescoço, quase rolando para fora daquela cama colossal.
— Quem é você? — disparei, tentando soar intimidatória, mas falhando miseravelmente enquanto minha voz tremia. — Onde eu estou? E por que você está pelado?!
O homem piscou, esfregando as têmporas como se a minha voz fosse um prego afundando na cabeça dele. Ele sentou-se devagar, e o lençol escorregou o suficiente para revelar um abdômen definido que me faria corar se eu não estivesse em pânico absoluto.
— Eu é que pergunto quem é você — ele retrucou, a voz ganhando uma frieza instantânea. — E como entrou na minha suíte.
— Sua suíte? — Olhei ao redor. O lugar era um escândalo de mármore branco, detalhes em dourado e espelhos. Havia roupas espalhadas pelo chão e garrafas vazias de champanhe. — Olha, senhor... seja lá quem for. Eu não sou acompanhante de luxo. Deve haver um engano terrível aqui. A última coisa de que me lembro é de estar no saguão do meu hotel esperando um táxi.
— Dylan. Meu nome é Dylan Lancaster. E eu garanto que não contratei ninguém. — Ele bufou, irritado, passando a mão pelos cabelos. — Eu nunca perco o controle assim. Nunca.
Foi quando a luz da manhã bateu no objeto metálico na mão esquerda dele.
O ar sumiu dos meus pulmões. O sangue fugiu do meu rosto tão rápido que achei que fosse desmaiar ali mesmo.
No dedo anelar esquerdo de Dylan Lancaster, brilhava uma aliança de ouro grosso.
Ele seguiu o meu olhar arregalado e paralisou. A arrogância desapareceu do seu rosto em uma fração de segundo. Com as mãos trêmulas, eu levantei a minha própria mão esquerda.
Lá estava. Uma aliança idêntica, mas adornada com um diamante tão absurdamente grande que provavelmente valia mais do que a minha vida inteira.
— Não... — choraminguei, balançando a cabeça freneticamente. — Não, não, não. Isso é uma piada. Aquelas pegadinhas de TV. Onde estão as câmeras?
Dylan pulou da cama, agarrando um roupão felpudo de uma cadeira próxima e amarrando-o na cintura. Ele vasculhou freneticamente os bolsos de uma calça de alfaiataria jogada no tapete. De lá, ele puxou um pedaço de papel amassado.
Um guardanapo de coquetel.
— O que é isso? — perguntei, a voz esganiçada.
Ele leu o que estava escrito, e a cor de sua pele passou de pálida para acinzentada.
— É da Little White Wedding Chapel — ele sussurrou, parecendo incrédulo. — É... um contrato. Um acordo pré-nupcial improvisado.
— Um contrato? Escrito em um guardanapo manchado de bebida?! Isso não tem validade legal, seu lunático!
— Tem a assinatura de um juiz de paz e o carimbo do cartório de plantão anexado no verso, srta... qual é o seu nome mesmo?
— Lucy! Lucy Hayes!
— Srta. Hayes. — Ele respirou fundo, fechando os olhos por um segundo. — O guardanapo diz que nos casamos na noite passada.
Saltei da cama, arrastando o lençol comigo como se fosse uma túnica grega, e comecei a andar de um lado para o outro.
— Nós precisamos anular isso! Agora! Vamos para a delegacia, para o cartório, para o papa, não me importa! Alguém me drogou. Eu não bebo álcool!
Essa frase pareceu atingi-lo em cheio. Dylan parou de encarar o papel e olhou para mim, os olhos estreitando-se perigosamente.
— Você não bebe? — Ele murmurou, mais para si mesmo do que para mim. — Eu também não bebi o suficiente para ter um apagão desses. Alguém armou para mim. Alguém sabia que se eu aparecesse casado com uma desconhecida...
— Eu não dou a mínima para as suas teorias da conspiração, Lancaster! — gritei, perdendo a pouca paciência que me restava. — Eu sou enfermeira. Eu tenho plantão amanhã às sete da manhã em outra cidade. Rasga essa porcaria e vamos fingir que isso nunca aconteceu!
— Eu não posso — ele disse, a voz subitamente vazia de emoção.
— Como não pode?!
Ele virou o guardanapo na minha direção, apontando para um parágrafo no final, rabiscado com letras garrafais tortas: "Cláusula de Fidelidade e Permanência: Qualquer uma das partes que solicitar a anulação, o divórcio ou o fim desta união antes de completados 365 dias, concorda em pagar à outra parte a quantia integral de 100 milhões de dólares americanos a título de danos morais e quebra de contrato."
Li aquelas palavras três vezes. Minhas pernas cederam, e eu sentei na beirada da cama com um baque surdo.
— Cem... milhões? — Minha voz não passou de um sopro. — Eu tenho cento e doze dólares na minha conta corrente. Se eu juntar as moedas da minha bolsa, talvez dê cento e quinze.
— E eu tenho um conselho administrativo pronto para arrancar a empresa da minha família das minhas mãos se eu me envolver em mais um escândalo. Meu avô já ameaçou congelar meus bens. Se eu tentar movimentar cem milhões para pagar um divórcio fraudulento... eu perco tudo.
Nós nos encaramos. O silêncio na suíte era denso, sufocante. Éramos duas cobaias presas em uma armadilha perfeita, sem a menor ideia de quem havia fechado a jaula.
Respirei fundo, tentando conter as lágrimas de desespero que ameaçavam cair.
— E o que a gente faz agora? — perguntei, abraçando os joelhos.
A expressão desorientada de Dylan desapareceu. A postura dele mudou. O roupão de banho parecia repentinamente um terno sob medida, e a frieza de um CEO bilionário tomou conta dos seus olhos escuros. Ele dobrou o guardanapo meticulosamente e o guardou no bolso.
— O que nós fazemos, minha querida esposa... — Ele se aproximou, a voz baixa e carregada de uma autoridade que me deu arrepios. — É vestir as nossas roupas. O meu jato particular está nos esperando. Nós vamos para Nova York... e você vai sorrir para as câmeras.
POV Lucy O cascalho da entrada da mansão Lancaster rangeu sob os meus sapatos enquanto eu caminhava em direção aos portões de ferro. Marcus tentou me parar no pátio. O chefe de segurança correu na minha direção, com o rosto contraído numa máscara de pânico, os seus homens hesitando com as mãos nos coldres. Eles não podiam me tocar. Eu ainda era a Sra. Lancaster, a mulher por quem o chefe deles quase matara um homem dois dias atrás. Sem uma ordem direta e violenta de Dylan, nenhum daqueles guardas tinha a audácia de erguer um único dedo contra mim. — Sra. Lancaster, por favor, espere! — Marcus implorou, parando a um metro de distância, com a respiração ofegante. — O chefe... o Sr. Lancaster está descontrolado lá dentro. Deixe-me pelo menos preparar um dos carros blindados. A senhora não pode sair assim, no meio da rua, sozinha. — Saia do meu caminho, Marcus — respondi. A minha voz não passou de um sussurro sibilante, mas trazia uma autoridade tão cortante que o homem deu um passo
POV Lucy A dor emocional tem uma anatomia muito peculiar. No início, quando o impacto acontece, ela anestesia. O seu cérebro recusa-se a processar a monstruosidade da informação, criando um vácuo onde o som desaparece e o ar fica rarefeito. Mas quando esse choque inicial passa, a dor não vem como uma onda; ela vem como uma avalanche de vidro quebrado, rasgando cada veia, cada memória e cada certeza que você ousou construir. Levantei-me da cama com movimentos mecânicos. O meu corpo parecia pesar uma tonelada, mas eu não me permiti fraquejar. Caminhei até ao banheiro, liguei o chuveiro na temperatura mais fria que consegui suportar e entrei debaixo da água. Deixei o gelo morder a minha pele, tentando apagar o calor das lágrimas que ainda queimavam o meu rosto. Eu não seria a esposa humilhada que chora agarrada aos lençóis. O Gustavo tentou quebrar-me com a força bruta e falhou. O Dylan... o Dylan estava a quebrar-me com a traição, mas eu me recusava a virar cinzas. Saí do banho e v
POV Lucy Duas semanas. Catorze dias haviam se arrastado desde a noite em que o meu próprio subconsciente me transformara numa prisioneira na Ala Oeste. Eu tivera mais cinco sessões com a Dra. Steelix desde o nosso primeiro encontro. Três vezes por semana, sentávamo-nos na sala de estar privada e desenterrávamos os escombros da minha mente. Havia dias bons, em que eu conseguia respirar sem sentir a sombra de Gustavo nas minhas costas. E havia dias ruins, em que o som de uma porta batendo mais forte me fazia encolher contra a parede. Mas o que mais me destruía não era o medo. Era o abismo físico que havia se formado entre mim e o meu marido. Apesar de toda a paciência infinita de Dylan, apesar das promessas e do olhar devoto que ele me lançava todas as manhãs, a barreira invisível continuava lá, sólida como chumbo. Eu não conseguia avançar. Sempre que ele se aproximava um pouco mais, ou quando a intimidade parecia prestes a quebrar o gelo, o pânico primitivo disparava. O meu corpo
POV Lucy O som da porta dupla da sala de estar a fechar-se atrás da Dra. Evelyn Steelix deixou um eco suave no ambiente. Permaneci sentada no sofá de couro branco durante longos minutos, processando o peso e, simultaneamente, a leveza de tudo o que tínhamos discutido. A Dra. Steelix tinha sido uma revelação. O apelido assentava-lhe na perfeição — havia uma solidez nela, uma estrutura de aço forjado que me permitiu ancorar o meu pânico na lógica médica. Ela não me tratou como uma vítima frágil que precisava de ser embrulhada em plástico bolha; tratou-me como uma sobrevivente cujo sistema nervoso precisava de uma recalibração. E, acima de tudo, libertou-me da culpa esmagadora de ter rejeitado o meu marido. "Não foi uma falha do seu amor. Foi um triunfo da sua biologia." As palavras repetiam-se na minha mente, misturando-se com o aroma doce e vibrante a cereja que exalava da minha própria pele. Eu tinha uma âncora. Tinha um plano. A estrada para a recuperação estava mapeada. Levan
Último capítulo