Capítulo 3: Bem-vinda à Gaiola de Ouro

POV Lucy

O saguão do hotel em Las Vegas parecia ter encolhido. Quando as portas de vidro automáticas se abriram, fomos engolidos por um mar de caos.

O som era ensurdecedor. Dezenas de vozes gritavam ao mesmo tempo, misturando-se aos cliques e zumbidos das câmeras. Os flashes disparavam como uma tempestade de relâmpagos, cegando-me momentaneamente.

— Dylan! É verdade que você casou com uma anônima?

— Quem é a garota, Lancaster?

— Ela está grávida? É por isso que foi em segredo?

Instintivamente, recuei um passo, levantando a mão para proteger os olhos. Eu estava acostumada com o caos de um pronto-socorro lotado na sexta-feira à noite, mas aquilo era outro nível de insanidade. Eram abutres farejando sangue fresco.

Foi quando senti a mão de Dylan.

Seus dedos longos e firmes envolveram a minha cintura, puxando-me para perto do seu corpo com uma possessividade que me fez prender a respiração. O calor que irradiava dele através do meu vestido era desconcertante.

— Sorria, Lucy — ele murmurou, a voz grave vibrando apenas para que eu ouvisse, a boca roçando perigosamente perto da minha orelha. — Deixe que eles achem que somos os idiotas mais apaixonados do mundo.

Eu não sabia como, mas forcei os cantos da boca a subirem. Dylan ergueu a mão livre, acenando brevemente para os fotógrafos com a arrogância natural de quem nasceu para ser o centro das atenções.

Ele me guiou com maestria através da multidão, os seguranças do hotel abrindo caminho como quebra-gelos no oceano, até chegarmos a um SUV preto com os vidros totalmente escuros que nos aguardava no meio-fio.

Ele abriu a porta, me ajudou a entrar e entrou logo em seguida, batendo a porta e cortando o som do mundo exterior como num passe de mágica.

O carro acelerou bruscamente. Deixei a cabeça cair contra o encosto de couro macio, exalando todo o ar dos meus pulmões de uma só vez.

— Isso foi... aterrorizante — murmurei, esfregando o rosto.

— Acostume-se. Vai ser a nossa rotina a partir de agora. — O tom de Dylan era frio novamente. O "marido protetor" havia ficado na calçada junto com os paparazzi. Ele já estava digitando freneticamente no celular.

Vinte minutos depois, eu descobri que a minha definição de "riqueza" estava muito, muito errada.

Quando ele disse que pegaríamos "o jato", imaginei um aviãozinho executivo apertado. O que nos aguardava na pista particular do aeroporto era uma fortaleza voadora com o logotipo prata da Lancaster Holdings na cauda.

O interior era maior do que o meu apartamento e o da Aisha juntos. Poltronas de couro creme que pareciam abraçar o corpo, detalhes em madeira de nogueira polida, uma televisão embutida e uma comissária de bordo que nos ofereceu toalhas quentes perfumadas e taças de champanhe antes mesmo de decolarmos.

Recusei o champanhe com um aceno rápido. Já tínhamos tido álcool o suficiente para arruinar a próxima década das nossas vidas.

Assim que os avisos de cinto de segurança foram desligados, Dylan largou o tablet que estava lendo e cravou aquele olhar escuro em mim.

— Precisamos estabelecer algumas regras — ele começou, cruzando os braços. A postura relaxada contrastava com a tensão no seu maxilar. — Se vamos sobreviver a 365 dias sem pagar cem milhões de dólares, precisamos de um roteiro.

— Sou toda ouvidos, poderoso chefão. — Cruzei as pernas, tentando parecer mais confiante do que me sentia.

— Regra número um: Você se muda para a minha cobertura no Upper East Side. Sem negociações.

— O quê?! — Quase engasguei com a minha própria saliva. — Eu moro em Chicago, Dylan! Eu tenho um emprego, um contrato de aluguel, uma vida!

— Você tinha uma vida em Chicago. A partir de hoje, você é a senhora Lancaster. O meu avô, Arthur, não é idiota. Ele tem recursos suficientes para colocar detetives particulares na nossa cola nas próximas 24 horas. Se descobrirmos que moramos em estados diferentes, ele anula meu cargo de CEO por quebra da cláusula de moralidade da empresa, alegando fraude.

— Você quer que eu largue o meu hospital? A minha carreira?

— Eu compro um hospital para você se for preciso — ele rebateu, sem piscar. E o pior é que eu sabia que ele falava sério. — Mas podemos chegar a um acordo. O conselho do Mount Sinai em Nova York deve alguns favores à minha família. Posso conseguir uma transferência imediata para você. Você continua sendo enfermeira, mas dorme sob o meu teto.

Mordi o lábio inferior. Uma transferência para um dos melhores hospitais do país? Era o sonho de qualquer enfermeira. Mas o preço...

— E o meu apartamento? — perguntei, a voz um pouco mais baixa.

— Mando uma equipe embalar tudo hoje à tarde. E pago o resto do seu contrato de aluguel. — Ele fez um gesto dispensável com a mão, como se estivesse resolvendo a compra de um café. — Regra número dois: Nós somos recém-casados loucamente apaixonados em público. Se houver uma câmera, um jornalista, ou qualquer membro da alta sociedade nova-iorquina por perto, eu quero sorrisos, mãos dadas e olhares devotos.

— E entre quatro paredes? — ergui uma sobrancelha.

— Entre quatro paredes, nós mal nos suportamos e ficamos fora do caminho um do outro. Minha cobertura tem dois andares, você terá sua própria suíte na ala leste. Nós só nos encontraremos para eventos oficiais.

Respirei fundo. Era um acordo frio e estéril. Era negócio.

— Regra número três... — Dylan hesitou pela primeira vez. A armadura de CEO implacável pareceu rachar por um segundo. — Minha família. Meu avô é um tubarão que sente o cheiro de mentiras a quilômetros. E a minha mãe... Vivian tem os próprios planos. Ela odiava a minha ex-noiva.

— A riquinha com nome de vilã de novela? — chutei.

— Chloe Harrington. Sim. Chloe não vai aceitar bem ter sido trocada da noite para o dia. E a minha mãe provavelmente vai tentar te usar como um fantoche. Mantenha os olhos abertos, Lucy. Você foi jogada em um tanque de tubarões que estão acostumados a devorar pessoas no café da manhã.

Olhei pela janela oval do avião. As nuvens brancas e densas passavam rápido, e o medo frio e cortante finalmente se instalou na boca do meu estômago. Eu não estava apenas fingindo um casamento; eu estava entrando em um campo minado corporativo e familiar cheio de pessoas que tinham o poder de destruir a minha vida com um estalar de dedos.

Voltei a encarar Dylan. O bilionário arrogante que o mundo idolatrava parecia incrivelmente exausto sob aquela luz da cabine. Estávamos presos no mesmo barco. Ou melhor, no mesmo jato.

— Eu tenho uma condição — falei, firme.

Ele ergueu uma sobrancelha. — Qual?

— Sem segredos sobre nós dois. Se formos jogar esse jogo de 100 milhões, precisamos confiar um no outro. Se a Chloe atacar, você me avisa. Se a sua mãe armar, você me fala.

Dylan sustentou o meu olhar por longos segundos. A intensidade escura dos seus olhos fez a minha pele formigar. Lentamente, ele estendeu a mão.

— Negócio fechado, esposa.

Hesitei antes de estender a minha mão e apertar a dele. O contato pele com pele fez um choque silencioso subir pelo meu braço. Não era apenas um aperto de mãos corporativo. Era um selo de sobrevivência.

Horas depois, o piloto anunciou nossa descida. A imponente selva de pedra de Manhattan começou a surgir no horizonte, os arranha-céus cortando o céu nublado como lâminas de vidro e aço.

Enquanto as rodas do avião tocavam a pista do JFK, apertei o guardanapo amassado dentro do bolso do meu casaco. O contrato da minha condenação.

Bem-vinda a Nova York, Lucy Hayes. Tente sair viva.

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