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Capítulo 4: O Lobo de Wall Street e a Senhora Lancaster

POV Lucy

O trajeto do aeroporto JFK até o Upper East Side foi um desfile silencioso de luxo. Quando o SUV preto blindado finalmente estacionou em frente a um edifício residencial que mais parecia um palácio de vidro e aço, eu já estava exausta.

Dois porteiros uniformizados correram para abrir as portas do carro. Assim que os pés de Dylan tocaram a calçada, o mundo ao redor pareceu entrar em órbita ao redor dele.

Caminhamos pelo saguão com piso de mármore preto, e foi impossível não notar. Uma mulher elegantíssima com um cachorro minúsculo na coleira parou no meio do caminho, os lábios entreabertos, os olhos devorando Dylan dos pés à cabeça. A recepcionista, que deveria estar focada no monitor, esticou o pescoço e ajeitou o decote em um reflexo quase instintivo. Até mesmo uma executiva que saía do elevador tropeçou nos próprios saltos ao encará-lo.

Revirei os olhos com tanta força que achei que conseguiria ver o meu próprio cérebro.

Dylan não pareceu notar. Ou pior: ele estava tão acostumado a ser o centro do universo feminino que aquilo era apenas terça-feira para ele.

Enquanto entrávamos no elevador privativo, as portas de metal espelhado se fecharam, isolando-nos mais uma vez. Observei o reflexo dele. O maxilar perfeitamente desenhado, os ombros largos preenchendo o terno sob medida, a aura de poder inatingível.

O Lobo de Wall Street foi fisgado, dizia a manchete. O solteiro mais cobiçado de Nova York, famoso por trocar de namorada de capa de revista com a mesma frequência com que eu trocava de jaleco.

Cruzei os braços, a realidade do nosso acordo me atingindo com uma nova onda de preocupação logística.

— Tem um pequeno detalhe na sua regra número dois que nós esquecemos de discutir, Lancaster — falei, quebrando o silêncio enquanto os números do elevador subiam em uma velocidade vertiginosa.

Ele nem olhou para mim. Continuou focado no visor do celular.

— Ilumine-me.

— A sua fama. Você é conhecido por não se prender a ninguém. — Virei-me para encará-lo. — Se vamos fingir que somos um casal apaixonado por um ano, como vai ser com as suas... "amigas"? Porque se um paparazzo flagrar o marido do ano saindo de um hotel com uma modelo ruiva, o seu avô vai descobrir a nossa farsa em cinco minutos.

Dylan finalmente parou de digitar e guardou o celular no bolso. Ele se virou na minha direção, o espaço no elevador parecendo encolher de repente.

— Está preocupada com a minha fidelidade, esposa?

— Estou preocupada com a multa de cem milhões de dólares — rebati, sustentando o olhar. — Quero saber se você consegue manter o zíper da calça fechado por 365 dias. Porque eu não vou ser feita de idiota na capa dos tabloides para cobrir a sua vida de playboy.

Os olhos escuros de Dylan brilharam com uma mistura de irritação e algo que se parecia perigosamente com diversão. Ele deu um passo na minha direção, invadindo o meu espaço pessoal. O cheiro de sândalo e poder inundou os meus sentidos.

— Fique tranquila, Lucy. Eu tenho autocontrole suficiente para focar apenas nos negócios pelos próximos doze meses. Celibato não vai me matar. E quanto à minha imagem... — Ele se inclinou, a voz baixando um tom. — Ninguém vai desconfiar de nada. A partir de hoje, eu sou um homem absoluta e irremediavelmente devoto a você.

Antes que eu pudesse formular uma resposta decente para aquela proximidade absurda, o elevador emitiu um bipe suave.

As portas se abriram direto na cobertura.

O ar sumiu dos meus pulmões. O apartamento de Dylan Lancaster não era uma casa. Era um museu suspenso no céu. A sala de estar tinha um pé-direito duplo cercado por paredes de vidro que ofereciam uma visão panorâmica e estarrecedora do Central Park e de todo o horizonte de Manhattan. O chão era de madeira escura brilhante, contrastando com sofás brancos monumentais, obras de arte moderna que com certeza custavam mais do que os meus órgãos no mercado negro, e um piano de cauda negro em um dos cantos.

— Bem-vinda à sua nova... — Dylan começou a dizer, mas a voz dele morreu na garganta.

Ele enrijeceu ao meu lado. Segui o olhar dele até o centro da sala.

Sentada em uma poltrona de veludo creme, com as pernas cruzadas elegantemente e segurando uma xícara de chá de porcelana, estava uma mulher na faixa dos cinquenta anos que exalava dinheiro antigo e autoridade. Ela usava um conjunto de alfaiataria em tom pérola, o cabelo loiro impecavelmente penteado em um corte assimétrico perfeito.

— Vivian — Dylan disse, o tom de voz tão frio que poderia congelar a sala inteira. — Como entrou aqui? Eu troquei as senhas na semana passada.

A mãe de Dylan tomou um gole metódico do seu chá antes de colocar a xícara no pires sobre a mesa de centro de vidro. Ela se levantou, os olhos azuis e afiados ignorando completamente o filho e cravando-se diretamente em mim.

Foi como ser escaneada por um raio-x. Senti minhas bochechas esquentarem de vergonha sob as minhas roupas amarrotadas e meu tênis de hospital, que destoavam grotescamente de toda aquela riqueza.

— As senhas não importam para quem construiu este prédio, Dylan querido — ela disse, a voz suave, mas com um corte de navalha. Finalmente, ela abriu um sorriso enigmático na minha direção. — Então... esta é a famosa misteriosa de Las Vegas.

— Mãe... — Dylan tentou intervir, dando um passo para se colocar levemente à minha frente, em uma atitude protetora que me surpreendeu. — Nós estamos exaustos da viagem. Não é um bom momento.

— Tolice. É o momento perfeito para conhecer a minha nora. — Vivian Lancaster deu alguns passos lentos e calculados até mim.

Eu estava pronta para os xingamentos. Pronta para ser chamada de golpista, de enfermeira oportunista, pronta para ela sacar um talão de cheques e me oferecer dinheiro para desaparecer. Eu conhecia o roteiro daquelas pessoas.

Mas, em vez disso, Vivian parou a trinta centímetros de mim, analisou o meu rosto apreensivo por mais dois segundos e, para a minha absoluta surpresa, e a de Dylan também, os olhos dela brilharam com uma faísca de profunda satisfação.

— Muito prazer, Lucy Hayes — ela disse, estendendo a mão perfeitamente cuidada. E, num sussurro que só eu e Dylan podíamos ouvir, ela acrescentou com um sorriso predador: — Temos muito o que conversar sobre como transformar você no pior pesadelo de Chloe Harrington.

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