Mundo de ficçãoIniciar sessãoOito anos na Europa transformaram Sophie. Ela partiu como uma jovem de coração partido e retornou como uma mulher deslumbrante, culta e dona de uma sensualidade magnética que ela mal sabe que possui. O motivo de sua volta tem nome e sobrenome: Enzo Dumont, seu melhor amigo de infância e o homem por quem ela sempre nutriu uma paixão silenciosa. Enzo está encurralado. Para liberar um fundo de garantia milionário e proteger a mulher simples que ama em segredo, ele precisa de uma esposa que siga os padrões de sua linhagem. Sophie é a candidata perfeita. Ele a quer como aliada, como amiga e como noiva de fachada, oferecendo-lhe um carinho doce, mas desprovido de qualquer fogo. Seus toques são gélidos, seus beijos são breves e sua distância é uma tortura para Sophie. No entanto, há alguém na mansão Dumont que não ignora a mulher que Sophie se tornou. Henrique Dumont, o pai de Enzo, é um homem de poder absoluto e olhar predatório. Com seus olhos cor de aço polido e uma maturidade que exala perigo, ele enxerga através da farsa do filho. Henrique viu Sophie crescer, mas o que sente agora não tem nada de paternal. Enquanto Enzo se perde em desculpas e compromissos vazios, Henrique preenche as lacunas com uma ousadia perturbadora. Sob a mesa de jantares impecáveis e nos corredores silenciosos da mansão, ele inicia um jogo de sedução clandestino. São toques possessivos, sussurros roucos e uma tensão sexual tão densa que ameaça destruir o contrato que mantém a família unida.
Ler maisO couro legítimo do banco traseiro do sedã de luxo parecia grudar na pele das coxas de Sophie, mas o desconforto físico não era nada comparado ao calor que subia por seu pescoço. Ela observava a paisagem de Alphaville passar pela janela fumê com uma estranha sensação de desorientação. Oito anos. Oito invernos e verões vivendo sob o céu cinzento da Europa, moldando-se em uma armadura de sofisticação, apenas para sentir que tudo aquilo derretia conforme o carro cruzava os portões monitorados do condomínio.
Sophie olhou para o próprio reflexo no vidro. Ela era uma mulher deslumbrante agora. Os cabelos longos e castanhos caíam em ondas perfeitas, com mechas douradas pelo sol que emolduravam um rosto que ganhara ângulos definidos. O nariz pequeno e reto, os lábios carnudos e os olhos amendoados carregavam uma inteligência que ela tentava disfarçar. Ela vestia um conjunto de tricô premium cor areia que abraçava suas curvas, revelando a ausência de sutiã sob o tecido fino, algo que ela adotara com a liberdade europeia. Ela não era mais a menina que saíra dali, mas, ao ver a mansão dos Dumont surgir ao fim da alameda, sentiu que o tempo era uma ilusão. O carro parou. O motorista abriu a porta, e o cheiro de grama cortada a atingiu, trazendo consigo a memória de Enzo. A porta principal abriu-se e Enzo Dumont surgiu. Aos 24 anos, ele era a personificação do "bom moço" de elite: o rosto de traços suaves, cabelos castanhos claros levemente desalinhados e olhos claros que brilhavam com uma alegria que Sophie sentia falta. Ele vestia um blazer de veludo verde-escuro sobre uma malha de gola alta preta, um visual jovial que realçava sua beleza clássica. — Sophie! — Ele desceu os degraus e a envolveu em um abraço. O perfume dele, cítrico e familiar, invadiu os sentidos dela. — Você está maravilhosa, Soph. Como você mudou. Ele a segurou pelos ombros, olhando-a com um carinho imenso, mas Sophie notou a pressa com que ele soltou seus braços. Não havia hesitação de desejo, apenas a pressa de um amigo querido que precisava desesperadamente de um favor. Enzo a amava, mas de uma forma que não incluía a pele. O coração dele pertencia a uma mulher simples, alguém que o avô jamais aceitaria, e ele estava usando Sophie como o escudo perfeito. — Eu farei o que for preciso, Enzo — ela sussurrou. — Eu sei. Por isso confio em você. — Ele inclinou-se e deu um beijo rápido no canto da boca dela. Foi um toque seco, sem alma. Sophie sentiu um nó na garganta, mas antes que pudesse processar a dor, sentiu uma presença que fez os pelos de seus braços se erpicarem. Através da imensa parede de vidro, Henrique Dumont a observava. Henrique era a antítese do filho. Se Enzo era a promessa do dia, Henrique era a solidez da rocha. Aos 48 anos, ele carregava uma gravidade que silenciava o ambiente. Era um homem alto, de ombros largos, vestindo um terno azul-marinho de corte impecável. O cabelo grisalho nas têmporas e a barba curta e bem aparada davam a ele um ar de autoridade absoluta. Mas eram seus olhos que paralisavam Sophie: um tom de cinza metálico, como aço polido, que parecia refletir a luz de uma forma quase hipnótica. Ele finalmente saiu da penumbra e entrou no hall. — Sophie — a voz dele era um barítono profundo que pareceu vibrar dentro do baixo ventre dela. — Seja bem-vinda de volta. Ele estendeu a mão. Quando Sophie a apertou, a mão dele era grande, calejada nos lugares certos e terrivelmente quente. Henrique não soltou imediatamente. Ele a observou com uma discrição polida, mas seus olhos prateados percorreram o corpo dela, detendo-se por um milésimo de segundo a mais nos pontos onde o tricô marcava seus mamilos rígidos pelo ar-condicionado. — Obrigada, Henrique — ela respondeu, sentindo o ar faltar. — Oito anos é muito tempo — Henrique disse, a voz firme. — Você se tornou uma mulher singular. O jantar foi um exercício de fingimento. À cabeceira estava o patriarca, Arthur Dumont, um homem de 80 anos com a pele pergaminhada e olhos que não admitiam fraqueza. Ele observava Sophie como se avaliasse uma mercadoria de luxo. — Então esta é a mulher que vai garantir o futuro do meu neto? — Arthur perguntou, a voz rouca, enquanto cortava a carne com precisão. Enzo agia com doçura. Ele colocou a mão sobre a de Sophie na mesa, sorrindo para o avô. — Sophie é a única que eu poderia imaginar ao meu lado, vovô. Sophie retribuiu o sorriso, mas sentia a vacuidade do toque de Enzo. Era uma mão leve, quase temerosa. Em contraste, ela sentia o peso do olhar de Henrique, sentado à sua frente. Ele quase não falava, mas o brilho metálico dos olhos dele nunca saía dela. A tensão subiu quando Enzo se distraiu com uma notificação no celular e começou a discutir um detalhe de contrato com o avô. Os dois entraram em uma discussão técnica sobre cláusulas de garantia, mergulhados em números e prazos. Foi nesse momento que, sob o som das vozes de Enzo e Arthur, Henrique resolveu testar os limites. Ele não desviou o olhar. Pelo contrário, inclinou-se levemente para frente, reduzindo a distância entre eles na mesa. — Você está muito silenciosa, Sophie — Henrique disse, em um tom baixo, rouco, que só ela poderia captar a verdadeira intenção. — Estou apenas ouvindo — ela respondeu, sentindo a boca secar. — Ouvindo mentiras? — O olhar de Henrique foi direto, impiedoso. Ele estendeu a mão para pegar a garrafa de vinho, mas não seguiu o caminho direto. Seus dedos envolveram a mão de Sophie que estava sobre a mesa, não de forma leve como Enzo fizera, mas com uma pressão possessiva e firme. O calor da palma de Henrique era abrasador. Sophie sentiu um choque percorrer sua espinha e, instantaneamente, uma onda de calor líquido subiu entre suas pernas, fazendo seu corpo reagir de uma forma que Enzo nunca conseguira provocar. Ela prendeu a respiração, o coração martelando contra as costelas. Henrique não desviou os olhos prateados dos dela enquanto apertava sua mão sob a vista distraída do filho e do pai. Ele estava marcando território, provando que sabia exatamente o que estava acontecendo sob aquela mesa. — O vinho está excelente, não acha? — Henrique perguntou, soltando a mão dela com uma naturalidade irritante, mas deixando a pele de Sophie em brasas. — Sim... excelente — ela murmurou, a voz quase sumindo. Ao fim da noite, Enzo acompanhou Sophie até o quarto. Ele a beijou na testa, um gesto carinhoso que, naquele momento, pareceu quase um insulto diante da eletricidade que ela ainda sentia no corpo. — Obrigado por hoje, Soph. Durma bem. Ele fechou a porta. Sophie caminhou até a varanda, precisando do ar da noite para esfriar o sangue. Olhando para baixo, na penumbra do jardim, ela viu Henrique. Ele estava com um copo de whisky na mão, a luz da lua refletindo no cinza metálico de seus olhos enquanto ele olhava diretamente para cima. Henrique ergueu o copo em um brinde silencioso para ela na varanda. Ele não parecia um pai preocupado; parecia um homem que acabara de decidir que aquela farsa de casamento teria um preço muito mais alto do que Enzo poderia pagar. Sophie recuou para dentro do quarto, as pernas ainda levemente trêmulas. Ela viera para ajudar o amigo, mas percebeu que o verdadeiro perigo não era o contrato de casamento, mas o homem que a via como mulher pela primeira vez na vida. A semana do simpósio avançou como um jogo de xadrez de alta velocidade, e a sala de reuniões do Grêmio Estudantil tornou-se o epicentro de um embate que já havia deixado de ser meramente institucional. Para o restante do comitê organizador, os encontros diários entre Theo Dumont e Helena Vance eram um espetáculo de alto nível: dois intelectuais brilhantes disputando cada centímetro de orçamento e cada minuto da grade horária.No entanto, para quem prestasse atenção de verdade, o que estava acontecendo ali era uma colisão de órbitas muito mais perigosa. O ar entre eles começava a se saturar de uma eletricidade pesada, um magnetismo cru que surgia toda vez que as vozes se calavam e as posturas se aproximavam.Naquela quinta-feira à noite, a biblioteca do campus já estava praticamente vazia quando os dois se isolaram em uma das salas de estudo reservadas. O restante da equipe havia cedido ao cansaço, mas Theo e Helena se recusavam a deixar o trabalho pela metade. Pilhas de relatórios,
Dias antes de a primeira reunião do simpósio acontecer em Boston, o quarto de Aurora na Mansão Dumont havia se transformado em uma verdadeira central de operações secretas. Ela e Luna sabiam que não podiam simplesmente ligar para Theo e sugerir uma namorada; o tiro sairia pela culatra. A aproximação precisava parecer completamente orgânica e partir do lado mais imprevisível: de Helena Vance.— Nós precisamos de um perfil real, mas que não tenha o sobrenome Dumont na cara para ela não desconfiar — Luna arquitetou, enquanto digitava rapidamente no tablet. — O Grêmio Estudantil de Boston abriu uma caixa de perguntas no Instagram sobre as propostas para o Simpósio de Jovens Líderes. É a nossa chance.Aurora, usando uma conta secundária focada em literatura e debates acadêmicos que mantinha há tempos, destrinchou o perfil de Helena. Elas descobriram que Helena era a líder do comitê de Relações Internacionais e que estava publicamente frustrada com a falta de orçamento para trazer pale
Com o retorno de Theo para os Estados Unidos, o ar na Mansão Dumont pareceu finalmente perder a densidade que a vigilância dele impunha. Sem carros de apoio a dois quarteirões de distância ou olhares gelados interrompendo as conversas na varanda, o namoro com Felipe ganhou o espaço necessário para florescer de verdade.Na escola e nos fins de semana, a proximidade entre os dois aprofundou-se de uma maneira que Aurora nunca havia experimentado. Eles se buscavam a todo momento. Onde antes havia apenas o toque tímido de mãos dadas, agora havia uma necessidade física e doce de estarem colados. Felipe a cercava em abraços demorados logo após o sinal das aulas, escondendo o rosto no pescoço dela, respirando o seu perfume e apertando-a contra o peito como se o mundo ao redor pudesse desaparecer.Felipe, com seu jeito atencioso e a maturidade que surpreendia a todos para os seus dezessete anos, gostava de demonstrar o que sentia. Eram beijos repletos de saudade e urgência, trocados nos cor
Peças do TabuleiroO resto da semana de Theo em São Paulo passou em um ritmo milimetricamente calculado. Fiel à bronca que levara de Enzo no carro, o universitário evitou novos confrontos diretos no jardim ou comentários ácidos sobre Felipe. Ele mantinha a postura polida de sempre, mas o olhar vigilante continuava lá, frio e analítico, toda vez que Aurora pegava o celular para sorrir para uma mensagem de texto.Aurora, por sua vez, não conseguia tirar a ideia de Luna da cabeça. Naquela quarta-feira à tarde, aproveitando que estava no quarto com a irmã mais nova fingindo estudar, ela decidiu dar o primeiro passo prático.— Luna, sobre aquela sua ideia... — Aurora começou, fechando o livro de história e virando-se para a irmã. Luna tirou um dos lados do fone de ouvido, com um sorriso esperto que indicava que estava apenas esperando por aquele momento. — Eu andei pensando. Se vamos encontrar alguém que consiga desestabilizar o Theo, não pode ser qualquer menina da nossa escola. Tem





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