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O Preço de Uma Noite em Vegas: UM CASAMENTO DE 100 MILHÕES
O Preço de Uma Noite em Vegas: UM CASAMENTO DE 100 MILHÕES
Por: Mallu Prado
Capítulo 1: A Ressaca de Cem Milhões de Dólares

POV Lucy

A primeira coisa que percebi quando a consciência começou a voltar foi o cheiro.

Não era o cheiro de cigarro velho e carpete úmido do quarto de motel barato que eu estava dividindo com outras três enfermeiras do congresso. Era um aroma absurdamente caro de sândalo e lençóis lavados com algo que definitivamente não vendia no supermercado do meu bairro.

A segunda coisa foi a textura. Eu estava afundada em um colchão que parecia feito de nuvens. Seda. Alguém tinha me enrolado em seda pura.

Forcei meus olhos a abrirem, piscando contra a claridade agressiva do sol que invadia o quarto através de janelas imensas que iam do chão ao teto. Minha cabeça latejava em um ritmo cruel, como se uma bateria de escola de samba estivesse ensaiando dentro do meu crânio. Tentei me sentar, mas algo pesado e quente me prendia no lugar.

Um braço.

Um braço masculino, pesado e musculoso, jogado casualmente sobre a minha cintura.

Parei de respirar. Meu coração deu um salto triplo carpado e foi parar na garganta. Virei o pescoço milímetro por milímetro, com medo do que ia encontrar.

Havia um homem na minha cama. Ou melhor, eu estava na cama dele.

Ele estava de bruços, o rosto parcialmente afundado no travesseiro, o cabelo escuro em uma desordem perfeita. Os ombros largos e as costas nuas subiam e desciam em uma respiração tranquila.

— Ai, meu Deus... — sussurrei, a voz saindo como um guincho patético.

Eu não sou o tipo de mulher que acorda na cama de estranhos em Las Vegas. Eu sou a enfermeira exausta que faz plantão duplo para pagar o aluguel atrasado de um apartamento do tamanho de uma caixa de sapatos. A coisa mais selvagem que eu fiz nesse congresso foi comer dois pedaços de pizza no jantar.

Tentei erguer o braço dele com a ponta dos dedos, como se estivesse desarmando uma bomba, mas o movimento o despertou.

Ele resmungou algo ininteligível, a voz rouca e profunda vibrando contra o colchão, e então rolou para o lado, abrindo os olhos. Eram olhos muito escuros, intensos, e no primeiro segundo, completamente desorientados.

Em um reflexo de puro instinto de sobrevivência, puxei o lençol até o pescoço, quase rolando para fora daquela cama colossal.

— Quem é você? — disparei, tentando soar intimidatória, mas falhando miseravelmente enquanto minha voz tremia. — Onde eu estou? E por que você está pelado?!

O homem piscou, esfregando as têmporas como se a minha voz fosse um prego afundando na cabeça dele. Ele sentou-se devagar, e o lençol escorregou o suficiente para revelar um abdômen definido que me faria corar se eu não estivesse em pânico absoluto.

— Eu é que pergunto quem é você — ele retrucou, a voz ganhando uma frieza instantânea. — E como entrou na minha suíte.

— Sua suíte? — Olhei ao redor. O lugar era um escândalo de mármore branco, detalhes em dourado e espelhos. Havia roupas espalhadas pelo chão e garrafas vazias de champanhe. — Olha, senhor... seja lá quem for. Eu não sou acompanhante de luxo. Deve haver um engano terrível aqui. A última coisa de que me lembro é de estar no saguão do meu hotel esperando um táxi.

— Dylan. Meu nome é Dylan Lancaster. E eu garanto que não contratei ninguém. — Ele bufou, irritado, passando a mão pelos cabelos. — Eu nunca perco o controle assim. Nunca.

Foi quando a luz da manhã bateu no objeto metálico na mão esquerda dele.

O ar sumiu dos meus pulmões. O sangue fugiu do meu rosto tão rápido que achei que fosse desmaiar ali mesmo.

No dedo anelar esquerdo de Dylan Lancaster, brilhava uma aliança de ouro grosso.

Ele seguiu o meu olhar arregalado e paralisou. A arrogância desapareceu do seu rosto em uma fração de segundo. Com as mãos trêmulas, eu levantei a minha própria mão esquerda.

Lá estava. Uma aliança idêntica, mas adornada com um diamante tão absurdamente grande que provavelmente valia mais do que a minha vida inteira.

— Não... — choraminguei, balançando a cabeça freneticamente. — Não, não, não. Isso é uma piada. Aquelas pegadinhas de TV. Onde estão as câmeras?

Dylan pulou da cama, agarrando um roupão felpudo de uma cadeira próxima e amarrando-o na cintura. Ele vasculhou freneticamente os bolsos de uma calça de alfaiataria jogada no tapete. De lá, ele puxou um pedaço de papel amassado.

Um guardanapo de coquetel.

— O que é isso? — perguntei, a voz esganiçada.

Ele leu o que estava escrito, e a cor de sua pele passou de pálida para acinzentada.

— É da Little White Wedding Chapel — ele sussurrou, parecendo incrédulo. — É... um contrato. Um acordo pré-nupcial improvisado.

— Um contrato? Escrito em um guardanapo manchado de bebida?! Isso não tem validade legal, seu lunático!

— Tem a assinatura de um juiz de paz e o carimbo do cartório de plantão anexado no verso, srta... qual é o seu nome mesmo?

— Lucy! Lucy Hayes!

— Srta. Hayes. — Ele respirou fundo, fechando os olhos por um segundo. — O guardanapo diz que nos casamos na noite passada.

Saltei da cama, arrastando o lençol comigo como se fosse uma túnica grega, e comecei a andar de um lado para o outro.

— Nós precisamos anular isso! Agora! Vamos para a delegacia, para o cartório, para o papa, não me importa! Alguém me drogou. Eu não bebo álcool!

Essa frase pareceu atingi-lo em cheio. Dylan parou de encarar o papel e olhou para mim, os olhos estreitando-se perigosamente.

— Você não bebe? — Ele murmurou, mais para si mesmo do que para mim. — Eu também não bebi o suficiente para ter um apagão desses. Alguém armou para mim. Alguém sabia que se eu aparecesse casado com uma desconhecida...

— Eu não dou a mínima para as suas teorias da conspiração, Lancaster! — gritei, perdendo a pouca paciência que me restava. — Eu sou enfermeira. Eu tenho plantão amanhã às sete da manhã em outra cidade. Rasga essa porcaria e vamos fingir que isso nunca aconteceu!

— Eu não posso — ele disse, a voz subitamente vazia de emoção.

— Como não pode?!

Ele virou o guardanapo na minha direção, apontando para um parágrafo no final, rabiscado com letras garrafais tortas: "Cláusula de Fidelidade e Permanência: Qualquer uma das partes que solicitar a anulação, o divórcio ou o fim desta união antes de completados 365 dias, concorda em pagar à outra parte a quantia integral de 100 milhões de dólares americanos a título de danos morais e quebra de contrato."

Li aquelas palavras três vezes. Minhas pernas cederam, e eu sentei na beirada da cama com um baque surdo.

— Cem... milhões? — Minha voz não passou de um sopro. — Eu tenho cento e doze dólares na minha conta corrente. Se eu juntar as moedas da minha bolsa, talvez dê cento e quinze.

— E eu tenho um conselho administrativo pronto para arrancar a empresa da minha família das minhas mãos se eu me envolver em mais um escândalo. Meu avô já ameaçou congelar meus bens. Se eu tentar movimentar cem milhões para pagar um divórcio fraudulento... eu perco tudo.

Nós nos encaramos. O silêncio na suíte era denso, sufocante. Éramos duas cobaias presas em uma armadilha perfeita, sem a menor ideia de quem havia fechado a jaula.

Respirei fundo, tentando conter as lágrimas de desespero que ameaçavam cair.

— E o que a gente faz agora? — perguntei, abraçando os joelhos.

A expressão desorientada de Dylan desapareceu. A postura dele mudou. O roupão de banho parecia repentinamente um terno sob medida, e a frieza de um CEO bilionário tomou conta dos seus olhos escuros. Ele dobrou o guardanapo meticulosamente e o guardou no bolso.

— O que nós fazemos, minha querida esposa... — Ele se aproximou, a voz baixa e carregada de uma autoridade que me deu arrepios. — É vestir as nossas roupas. O meu jato particular está nos esperando. Nós vamos para Nova York... e você vai sorrir para as câmeras.

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