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Capítulo 7: Bolhas de Sabão e um Blecaute na Memória

POV Lucy

A banheira da minha nova "prisão" era tão grande que eu provavelmente poderia dar braçadas nela se quisesse. A água estava perfeitamente aquecida, cheia de uma espuma espessa e perfumada com algo que cheirava a orquídeas raras e dinheiro.

Afundei até a altura do queixo, fechando os olhos e deixando a umidade quente derreter a tensão acumulada nos meus ombros.

Eu precisava pensar. Precisava montar o quebra-cabeça da noite passada antes de enlouquecer de vez.

Minha mente viajou de volta a Las Vegas. Lembrei do alívio de sair da última palestra do congresso. Eu estava exausta, os pés doendo de tanto andar pelos corredores do centro de convenções. Minha única vontade era voltar para o nosso quartinho de hotel cheirando a cigarro, comer um hambúrguer frio e apagar.

Mas Aisha e as outras meninas não deixariam.

“Você tem vinte e poucos anos, Lucy! Trabalha como um cão e vive para pagar boleto. Hoje nós vamos beber e paquerar!” a voz de Aisha ecoou na minha lembrança.

Foi ela quem me forçou a vestir aquele vestido branco de lantejoulas. Ele era curto, decotado, e me deixava desconfortavelmente sexy. “Para você se sentir uma deusa e arrancar alguns drinks de graça dos ricaços no bar,” ela havia piscado.

E eu tentei. Lembro de chegar ao bar do saguão do hotel. Lembro das luzes neon, do som alto e da promessa íntima de que eu só tomaria uma bebida, daria uns sorrisos e voltaria mais cedo para o quarto. Eu nem sou fã de álcool!

Lembro de sentar em uma banqueta de couro. Lembro de um garçom se aproximar com um copo elegante que eu não havia pedido, dizendo que era cortesia de "um cavalheiro do outro lado do salão". Dei um gole. Era doce, com um fundo amargo.

E depois...

Franzi a testa, abrindo os olhos e encarando o teto abobadado do banheiro. Depois daquilo, não havia nada. Apenas um blecaute total, uma tela preta e vazia que só foi religada quando eu abri os olhos na cama de seda de Dylan Lancaster, com uma aliança gigante pesando no meu dedo.

Quem armou para nós? A ex-noiva louca dele? A mãe controladora que me adorou rápido demais? Ou só um psicopata aleatório de Vegas?

O som estridente do meu celular vibrando na borda de mármore da banheira cortou meus pensamentos investigativos. Estiquei o braço, secando a mão em uma toalha felpuda, e peguei o aparelho.

Era uma chamada de vídeo de Aisha.

Deslizei o dedo pela tela e o rosto apavorado da minha melhor amiga preencheu o visor.

— Graças a Deus! — ela gritou, a voz esganiçada ecoando pela acústica do meu banheiro gigante. — Eu já estava ligando para o FBI, para a polícia montada, para o Papa! Lucy, me diz que você não está amarrada no porão de um bilionário sádico!

Não consegui evitar uma risada frouxa, arrastando o celular para mais perto do meu rosto, certificando-me de mostrar apenas os meus ombros cobertos de espuma.

— Não estou em um porão, Aisha. Estou em uma banheira que custa mais do que todos os órgãos do meu corpo juntos.

Aisha semicerrou os olhos na tela, aproximando o próprio rosto da câmera. Ela estava na sala de descanso do nosso hospital, ainda de uniforme.

— Espera aí... então é verdade? A foto do site de fofoca? Você realmente se casou com o Dylan Lancaster, o Lobo de Wall Street?!

— Infelizmente, sim. — Suspirei, jogando a cabeça para trás. — Mas é só no papel. Nós fomos dopados, alguém armou para a gente, e se eu pedir o divórcio antes de um ano, vou dever cem milhões de dólares para a família dele.

— Cem milhões... — Aisha sussurrou, os olhos arregalados, antes de um sorriso malicioso tomar conta dos lábios dela. — Mas vem cá... ele é daquele jeito mesmo de perto? O homem é uma obra de arte nas revistas. Rolou alguma coisa na noite de núpcias ou o blecaute apagou a melhor parte?

— Aisha! — repreendi, sentindo minhas bochechas esquentarem. — Não rolou nada! Nós nos odiamos. É um contrato de convivência puramente corporativo. Eu tenho a minha própria ala no apartamento, nós nem nos vemos direito.

— Ah, qual é! — Ela bufou, frustrada. — Você está morando com o solteiro mais gostoso de Nova York e me diz que é "puramente corporativo"? Você está no paraíso, garota! E olha as paredes desse lugar atrás de você. É mármore italiano?

— É surreal, Aisha. Olha isso.

Completamente relaxada na presença virtual da minha amiga, esqueci por um instante onde eu estava e as regras de convivência daquela casa. Movida pela necessidade de provar o nível do absurdo daquela cobertura, levantei-me da banheira.

A água quente deslizou pelo meu corpo nu, a espuma branca escorregando e caindo de volta na água com um som suave. Com o celular em uma mão, segurei a câmera firme e comecei a girar pelo ambiente, mostrando os detalhes.

— Olha esse chuveiro, ele tem jatos de hidromassagem na parede! E tem uma lareira. Uma lareira elétrica no banheiro, Aisha! Quem precisa se aquecer enquanto escova os dentes? — Dei uma risada, caminhando livremente pelo piso aquecido, completamente sem roupas, exibindo o lustre de cristal acima de mim para a câmera. — E não vamos esquecer o fato de que os roupões têm o monograma...

A maçaneta de metal maciço da porta dupla girou com um estrondo seco.

A porta foi escancarada de uma vez.

— Lucy, o Marcus acabou de mandar os detalhes para o jantar de sexta e nós precisamos alinhar as...

A voz grave e autoritária de Dylan morreu abruptamente na garganta.

Parei no meio do banheiro de mármore. Completamente nua. Molhada. O celular erguido em uma das mãos, enquanto gotas de água escorriam pelas minhas coxas.

Dylan congelou no batente da porta. Ele usava calças de alfaiataria escuras e uma camisa social branca com os três primeiros botões abertos e as mangas dobradas até os cotovelos. Ele parecia ter acabado de sair de uma reunião tensa, mas toda a tensão em seu rosto evaporou, substituída por um choque puro e cru.

Seus olhos escuros arregalaram-se por uma fração de segundo antes de descerem violentamente.

Foi um movimento quase involuntário. O olhar dele rastreou cada centímetro da minha pele exposta. Da curva do meu pescoço molhado, passando pelos meus seios arfantes, descendo pelo meu abdômen, até parar perigosamente abaixo da linha do meu quadril.

O ar do banheiro de repente pareceu desaparecer. O calor do piso aqueceu as solas dos meus pés, mas um fogo muito mais intenso subiu pelo meu rosto. O silêncio era tão espesso que eu podia jurar que ouvia a batida enlouquecida do meu próprio coração.

Dylan engoliu em seco, o Pomo de Adão subindo e descendo devagar. Os olhos dele voltaram a subir e cravaram-se nos meus com uma intensidade sombria que incendiou cada terminação nervosa do meu corpo.

Do celular na minha mão, a voz esganiçada de Aisha quebrou o silêncio mortal:

— Lucy? Que silêncio é esse? Alô?! Por que você virou a câmera pro teto? Menina, veste uma roupa que eu quero ver o quarto!

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