Mundo ficciónIniciar sesiónElizian sempre acreditou no amor e sonhava em viver sua própria história romântica. Mas tudo desmorona quando ela flagra a pior das traições: seu noivo e sua melhor amiga, juntos, em sua própria cama. Ferida e cansada de ser humilhada, ela decide que não será mais a mocinha indefesa—e sua vingança será implacável. Para isso, escolhe alguém que ninguém jamais imaginaria: Marcelo, o homem que deveria ser apenas seu sogro.
Leer másELIZIAN
Finalmente, consegui a promoção que tanto queria. Mal via a hora de contar a novidade para Fred, meu noivo. Mas, como sei que ele não gosta de surpresas, resolvi enviar uma mensagem avisando que estava indo até sua casa. No caminho, parei na cafeteria de sempre para pegar meu café. Enquanto aguardava o pedido, olhei para o celular na esperança de uma resposta. Nada. Apenas o silêncio preenchendo o espaço onde deveriam estar suas palavras. Algo dentro de mim sussurrava que havia algo errado. Uma sensação inquietante, um pressentimento incômodo. Algo estava prestes a acontecer — e eu sabia que não iria gostar. — Elizian? — A voz familiar soou atrás de mim, e quando me virei, lá estava Bianca. O que me pegou de surpresa não foi vê-la depois de tanto tempo, mas sim sua barriga arredondada. Estranhei. A última vez que a vi, ela namorava com sua melhor amiga. — Quanto tempo! — Eu que o diga! Como você está? E... você está grávida... — Sim. Me casei com Collen. Aquilo me pegou de surpresa. Ela o odiava. Os dois viviam brigando por qualquer coisa. — É, eu sei o que você está pensando. Está com pressa? — Na verdade, sim. Mas estou livre à noite. Podemos sair e relembrar os velhos tempos, se você não se importar. — Claro! Estou muito feliz em te ver novamente. Anota meu número e me manda seu endereço. Peço para o Collen me levar. Trocamos números e nos despedimos. Bianca e eu éramos vizinhas e amigas, mas a vida adulta nos distanciou. Depois de tantos anos, encontrar um rosto familiar me trouxe um breve conforto. Mas essa sensação durou pouco. Parada em frente à porta do apartamento de Fred, liguei para ele. Nenhuma resposta. Peguei a chave reserva que ele esqueceu na minha casa e entrei. Assim que pisei na sala, algo estava... estranho. A bolsa verde jogada na poltrona não era minha. O blazer ridículo no sofá tampouco. Meu coração disparou. Eu sabia exatamente de quem eram aquelas coisas. Minha respiração ficou irregular, e minhas mãos suavam frio. Tirei os saltos para não fazer barulho e segui para o quarto, cada passo aumentando a pressão no meu peito. A porta da suíte estava entreaberta, e foi o suficiente para que eu ouvisse os murmúrios vindos lá de dentro. — Ah, Fred... Não para, não para... Estou quase... A voz inconfundível de Bruna fez meu sangue ferver. — Aposto que a Liza não faz nada disso com você. — Elizian é só diversão e status. Eu gosto mesmo é de você. Adoro sua perversidade. O mundo pareceu parar. Meu corpo ficou rígido. O ódio tomou conta de mim. Empurrei a porta com força. A cena me atingiu como um soco no estômago: Fred estava com a cabeça entre as pernas de Bruna, completamente entregue. — Que porra é essa?! — Minha voz saiu alta, carregada de incredulidade e raiva. Os dois se viraram em choque. — Elizian... — Bruna balbuciou, os cabelos desgrenhados e sua lace barata mal ajustada. — Não é o que você está pensando! Dei uma risada amarga. — Ah, não? E o que seria, então? Uma nova técnica de fisioterapia? Fred se levantou, tentando se recompor. — Amor, eu posso explicar... — Você tem noção do quão ridículo isso soa? — Cruzei os braços, lutando para manter minha postura firme. — Bruna, você sempre quis tudo o que era meu. Agora conseguiu. Parabéns. Só me surpreende o pau do Fred está funcionando. — Talvez o problema fosse você. Antes que ela pudesse dizer mais alguma atrocidade, minha mão agiu antes da razão. O tapa estalou alto no rosto dela, fazendo-a cambalear para trás. — Sabemos que eu não sou o problema. Mas, já que adora pegar o que é dos outros, espero que guarde bem essa lição e não desperdice suas caixas vazias. Fred tentou intervir: — Amor, por favor, me escute... — Olha bem para a minha cara e me diz se eu pareço alguém que aceita traição. Arranquei o anel de noivado do dedo e o ergui diante dele. — Eu deveria jogar essa merda na sua cara, mas como sei que você nunca me pagaria pelo tempo desperdiçado, considere isso seu último presente. Reze para que tenha algum valor, porque, se não tiver, eu mesma vou garantir que sua reputação valha menos ainda. Saí dali antes que minha raiva me fizesse fazer algo pior. Meu corpo parecia pesar toneladas, como se estivesse arrastando correntes presas aos pés. Cheguei em casa e, sem hesitar, recolhi tudo o que era de Fred e joguei no lixo. O dia passou rápido, mas a ficha ainda não tinha caído. Eu fui traída. E, ainda assim, não chorei. Não senti remorso. Nada. Então... eu realmente amava Fred? Ou apenas estava carente e me agarrei à ideia de um casamento? Pensei em tudo o que ele era: mal-humorado, distorcido, sem escrúpulos, mentiroso e o pior de tudo, ele era do tipo que faria qualquer coisa para se dar bem. Eu não sei onde estava com a cabeça quando me meti nisso, talvez a falta de uma amizade nos faça falta de vez em quando. A batida na porta me tirou do transe, era Bianca com sua barriga enorme e uma cesta em mãos. — Olá... — Droga! Ela realmente veio e eu esqueci de avisar que não estava em um bom dia, mas já foi... — Desculpa, eu vim em uma má hora? Posso voltar depois se você quiser. — Não, está tudo bem. Entra, por favor. Ela ainda mantinha a mesma essência que sempre teve. Bianca era a pessoa mais atenciosa e meiga que eu já conheci e parece que não mudou muita coisa. — Então, posso saber o que está te deixando assim? — Ela apontou para a garrafa de vinho vazia que estava no chão, juntamente com um copo de whisky. — Hoje descobri que fui traída. Eu... eu fui tão idiota por acreditar naquilo e... eu acho que estava desesperada por alguém. — Ei, você é a pessoa mais corajosa que eu conheço e não é nenhum pouco idiota. Todo mundo comete erros, mas olhe pelo lado bom, você descobriu antes de casar, o que torna a situação um pouco menos pior. Ela tinha razão, mas eu não estava pensando nisso exatamente, mas em como minha vida é solitária e eu não sei como mudar isso. — Me desculpa por isso, eu deveria ter recebido você melhor. Eu não tive tempo para pensar em nada ainda. Minha casa estava uma completa bagunça, mudei de apartamento há dois dias e ainda não tive tempo para arrumar as coisas. — Elizian... a gente se conhece a tempo suficiente para entender as dores uma da outra e eu sei do que você precisa, se ainda servir, é claro. — Quando as coisas estavam difíceis, era Bianca quem me acalentava, quando perdi meus pais, foi ela quem me acalmou e que fez tudo parecer mais leve, confesso que senti falta durante esses anos. E foi ela quem me acalentou mais uma vez. — Ela era minha melhor amiga, eu fui idiota em confiar tanto nela. Eu deveria ter desconfiado, como disse. — Eliz, a gente não conhece o caráter de ninguém, mas nem por isso temos que nos privar de viver e conhecer pessoas. Por exemplo, eu estou muito feliz em te ver novamente e acredite, melhorou meu dia. Bianca sorriu de leve, mas havia algo estranho em seu olhar. Algo que eu não consegui identificar de imediato. — Você sempre teve esse dom... de aparecer quando tudo está desmoronando — murmurei, limpando o canto dos olhos. — Você é sempre previsível.. Ela soltou uma pequena risada. — Talvez eu só saiba escolher o momento certo. Ou talvez eu sinta quando você precisa de mim. Aquilo soou estranho, mas ignorei. Bianca se levantou e começou a recolher as garrafas vazias da mesa, como fazia anos atrás, quando passávamos noites conversando sobre a vida e nossos medos. Por um instante, foi como voltar no tempo. — Você ainda mora sozinha? — ela perguntou casualmente. — Sim. Eu me acostumei a viver sozinha. — E ninguém vem aqui? Família? Amigos? Ninguém vem visitar você? Franzi o cenho, porque aquilo era mais que estranho. — Até agora ninguém veio aqui. Ela assentiu devagar, como se estivesse confirmando algo para si mesma. — Entendi. Observei sua barriga enorme e me perguntei como sua vida tinha mudado tão drasticamente enquanto a minha parecia estar parada. — E você? Está feliz? Com Collen? O sorriso dela vacilou por um segundo. Um segundo rápido demais para alguém que está tão feliz.. — Estou... levando aos poucos. Aquilo não parecia uma resposta. Antes que eu pudesse insistir, o celular dela vibrou. Bianca olhou para a tela e seu rosto empalideceu de fora rápida demais. Foi rápido, mas eu percebi. — Algum problema? — perguntei. Ela bloqueou a tela imediatamente. — Nada. Só o Collen me ligando. Mas sua voz falhou. Meu olhar caiu sobre a cesta que ela havia trazido. Até então, eu nem tinha reparado direito no que havia ali. Frutas, pães e uma garrafa de suco. E... um envelope fechado. Sem nome. — Bianca... o que é isso? Ela congelou. Seus dedos apertaram a alça da bolsa com força. — Eu... não era para você ver isso agora. Meu coração desacelerou por um instante. Depois disparou. — Ver o quê? Ela respirou fundo, como se estivesse lutando consigo mesma. Então ergueu os olhos para mim. E pela primeira vez naquela noite, vi medo neles, medo real. — Elizian... tem uma coisa sobre seus pais que você nunca soube. O ar pareceu sumir da sala. Meu corpo inteiro ficou imóvel e tudo pareceu parar no tempo. — O quê? Antes que Bianca pudesse responder, alguém bateu na porta. Três vezes e forte demais. Bianca ficou pálida e sussurrou: — Collen chegou, eu preciso ir agora.ELIZIANO primeiro dia na empresa Ferraz deveria ter sido um recomeço, mas tudo não estava passando de um teste psicológico — apesar de que, apenas eu enxergasse isso. Tudo ali era grande demais. As salas pareciam ser para quatro ou mais pessoas, mas era apenas de uma única pessoa. Nas paredes havia quadros chiques e caríssimos. Tudo ali estava muito fora da minha realidade, mas eu não posso deixar que me subestimem. A sala que ele me deu ficava no último andar. Os vidros enormes, com vista para a cidade inteira. A mesa de madeira escura, computador novo, documentos organizados e até uma máquina com algumas cápsulas de sabores diferentes de cappuccinos. Aquilo não parecia um cargo, parecia que aquela sala foi pensada nos meus gostos. E isso me assusta mais do que deveria, e com motivos. Porque significava que ele havia pensado em tudo, em cada detalhe que eu nem mesmo reparava, ele havia notado. — Senhorita Vasconcellos? — Levantei os olhos e vi uma secretária elegante demais para
ELIZIANOs dias seguintes foram estranhamente silenciosos e solitários. Depois do aeroporto, depois da discussão, depois da forma como eu praticamente destruí qualquer chance de termos uma vida simples… Marcelo respeitou meu espaço. E aquilo me confundia ainda mais.Porque eu esperava insistência, ou pressão.Esperava ele aparecer no meu apartamento dizendo que eu estava cometendo um erro, mas ele não apareceu em nenhum momento. Respeitou completamente o meu espaço. Marcelo apenas me olhou naquele aeroporto com uma intensidade quase dolorosa… e disse:"Então fique. Mas fique por você."E me deixou ir, chamou um táxi e pediu para me deixar em casa. Aquilo mexeu comigo mais do que qualquer declaração apaixonada, porque aquilo era o máximo de respeito com alguém. Agora eu estava sentada diante do notebook na mesa da cozinha, cercada de currículos enviados, cafés frios e anúncios de emprego humilhantes. Parece até que eu nunca saí da merda de onde eu vim…A cada email enviado, uma resp
MARCELO Viajar parecia a única solução racional no momento em que eu falei. Qualquer coisa que afastasse Elizian daquela cidade eu estava disposto a propor. Mas nada naquela história estava sendo racional há muito tempo. Eu observava Elizian caminhar pelo apartamento enquanto terminava de fechar a mala. Ela usava uma calça de moletom cinza e uma camiseta larga minha, os cabelos presos de qualquer jeito, mas ainda assim conseguia ser absurdamente bonita. E aquilo me irritava. Porque quanto mais eu olhava, mais difícil ficava imaginar minha vida sem ela. Era pra ser só uma noite casual entre dois adultos, mas por algum motivo eu não consegui deixá-la ir embora e também não quis pedir que ela fosse. — Você está me encarando de novo — ela comentou, sem levantar os olhos. — Porque você sempre parece estar preocupada demais com tudo. Deveria relaxar um pouco de vez em quando. Ela soltou uma risada fraca e eu parei de tentar amenizar a situação. — Isso não é um elogio, Marcelo. — Não
MARCELOElizian preparava um café enquanto sorria cantarolando alguma coisa, mas essa felicidade durou pouco…— Pai? Abre a porta, preciso falar com você.Abrir antes que a frase fosse dita, porque somente sua voz já me irritava mais que o necessário.Fred estava parado, com as mãos nos bolsos e atrás dele sua… a mulher com quem ele traiu Elizian.— Eu posso entrar ou sua namorada não deixa? — O olhar dele percorreu até encontrar Elizian sentada no sofá.— Me diga o que você quer e pode ir, por favor Fred.— É sério mesmo que você vai trocar seu filho por essa mulher?Elizian surgiu ao meu lado, vestida com uma camiseta minha e os cabelos ainda bagunçados.— O que você faz na casa do seu pai a essa hora? Você nunca vai crescer?Quase rir com sua ousadia, mas mantive as expressões rígidas, porque aquilo também estava me irritando. E foi um erro meu pensar que ela iria parar por ali.— Será que dá pra você não se meter na conversa entre pai e filho? Ah, esqueci que você pega pai e filho





Último capítulo