Mundo de ficçãoIniciar sessãoFelipe Diniz é o CEO mais temido da indústria de cosméticos: frio, poderoso e incapaz de amar. Para ele, mulheres são apenas conquistas passageiras… até Helena Assunção cruzar seu caminho. Secretária por contrato, mas tentação proibida em cada olhar, ela desperta nele uma obsessão avassaladora. O que deveria ser apenas desejo se torna um choque devastador quando Felipe descobre quem Helena realmente é: o grande amor de sua infância. Entre noites intensas, segredos perigosos e feridas do passado, ele terá que escolher — abrir mão do poder para amá-la ou usá-lo para possuí-la para sempre.
Ler maisHelena Assunção DinizAlguns amores nascem como incêndio. Outros, como abrigo. O nosso foi os dois. Aprendi isso com o tempo. Com os silêncios. Com as cicatrizes que não aparecem em fotografias. Com os dias comuns — que, ironicamente, são os mais difíceis de conquistar quando tudo começa em guerra.Hoje, enquanto observo Miguel e Clara correndo pelo quintal da casa que escolhemos depois que tudo desabou e se refez, penso em quantas versões de mim mesma morreram para que essa sobrevivesse. A mulher que tremeu. A que duvidou. A que acreditou que amar um homem como Felipe Diniz significava desaparecer. Nenhuma delas existe mais. Todas foram necessárias.O quintal está molhado da chuva da madrugada. Clara corre descalça, o vestido sujo de grama, rindo de algo que só ela entende. Miguel tenta acompanhar, tropeça, levanta, ri também. Eles têm o riso fácil. O tipo de riso que não conhece medo. Ainda.Felipe observa da varanda, uma xícara de café na mão, o rosto tranquilo de quem finalmente a
Meses depoisHelenaSão Paulo amanheceu cinza naquele dia. Não o cinza poético dos cartões-postais, mas o cinza pesado, baixo, que parece escorrer do céu e se infiltrar nos ossos. A chuva começou cedo, insistente, grossa, transformando ruas em espelhos trêmulos e o trânsito em um organismo caótico, nervoso, impaciente. Eu observei tudo pela janela do quarto enquanto respirava fundo, sentindo aquela pressão estranha na lombar que vinha e ia desde a madrugada.— É hoje — murmurei, mais para mim do que para Felipe.Ele abriu os olhos imediatamente. Não houve pânico. Não houve correria. Apenas aquele segundo absoluto em que nossos olhares se encontraram e tudo ficou silencioso.— Tem certeza? — ele perguntou, a voz baixa, mas o corpo já em alerta.— Tenho — respondi. — E não é um “talvez”.A próxima hora foi uma coreografia apressada e mal coordenada. Bolsa sendo conferida três vezes. Documentos. Chaves. Felipe andando de um lado para o outro, falando sozinho, enquanto tentava parecer cal
Dias DepoisSão Paulo HelenaVoltar para São Paulo depois de Fernando de Noronha foi como atravessar dois mundos que não se reconhecem. O aeroporto nos recebeu com o concreto frio, o burburinho apressado, anúncios metálicos e pessoas correndo como se o tempo fosse um inimigo a ser vencido. Ainda assim, eu não senti o peso antigo. Não senti medo. Não senti a sombra. Eu tinha aprendido algo essencial naquele pedaço de paraíso: a vida pode ser suave mesmo quando o mundo insiste em ser duro.Felipe segura minha mão desde o desembarque. Um gesto simples, constante, quase silencioso — mas carregado de promessa. Ele não olha o celular. Não apressa o passo. Caminha comigo no ritmo que meu corpo pede agora, com a delicadeza de quem entende que tudo mudou. Que eu mudei. Que nós mudamos.— Se cansar, a gente para — ele diz pela terceira vez.— Eu estou bem, amor — sorrio. — De verdade.Mas ele continua atento. Sempre.Nos primeiros dias de volta, ficamos no apartamento. Aquele mesmo que testemu
Dia seguinteFernando de Noronha — Lua de Mel HelenaFernando de Noronha não parece real quando se chega pela primeira vez. É como se alguém tivesse pintado o mundo com excesso de cuidado, exagerado nos tons de azul, verde e dourado, e depois tivesse decidido esconder tudo no meio do oceano só para quem estivesse disposto a atravessar. Assim que o avião pousa, eu sinto como se o corpo inteiro diminuísse o ritmo — não por cansaço, mas por rendição. É impossível chegar ali e continuar em guerra.Felipe segura minha mão enquanto caminhamos pela pista curta, o vento salgado tocando meu rosto, o sol abraçando a pele como um convite silencioso para existir sem pressa. Ele está diferente. Não é o terno trocado por roupa leve, nem o celular desligado no bolso. É algo mais fundo. Algo no jeito como ele respira. Como se, pela primeira vez em muito tempo, o mundo não estivesse tentando arrancar algo dele.— Parece um sonho — eu digo.— Parece um recomeço — ele responde, olhando ao redor como se
FelipeO silêncio depois de uma grande batalha nunca é realmente silêncio. Ele carrega ecos. Fragmentos. Fantasmas que ainda não sabem que perderam o direito de existir. Foi isso que eu senti quando a festa do meu casamento começou a se dissipar e sobraram apenas algumas risadas distantes, música baixa demais para competir com os pensamentos e quatro pessoas sentadas em um espaço que não tinha nada de protocolar.Eu, Helena, Denise e Josy.Se alguém tivesse me dito, anos atrás, que eu estaria ali — não como CEO, não como homem intocável, mas como alguém exposto, humano, falho — eu teria rido. Ou ignorado. Ou mandado investigar quem ousava imaginar isso. Mas ali estava eu. Sem gravata. Sem escudo. Sem poder. Só eu.Helena foi a primeira a relaxar. Tirou os sapatos como quem finalmente permite ao corpo lembrar que sobreviveu. Quando ela riu, daquele jeito leve que só aparece quando não existe mais necessidade de vigilância, algo dentro de mim afrouxou.— Eu ainda estou tentando entender
FelipeO dia amanheceu claro demais para um homem que já viveu tempo suficiente na sombra. A luz entrava pelas janelas altas do hotel como se tivesse sido ensaiada — limpa, precisa, quase cerimonial. São Paulo parecia suspensa num raro acordo de paz com o céu. Nenhuma sirene. Nenhuma ameaça. Nenhum ruído que lembrasse guerra. Só aquele silêncio elegante de uma manhã importante. De um dia irreversível. O dia do meu casamento.Fiquei parado por alguns segundos diante do espelho, ajustando os punhos da camisa branca, observando o reflexo de um homem que eu quase não reconhecia. Não porque estivesse diferente por fora — o terno sob medida, o cabelo alinhado, o rosto barbeado com precisão — mas porque algo dentro de mim havia finalmente desacelerado.Eu sobrevivi.Sobrevivi ao Adrian. À herança podre do meu sobrenome. À culpa que carreguei por anos sem saber exatamente de quem era. Sobrevivi ao homem que eu fui quando confundi poder com silêncio. Controle com indiferença. Liderança com ceg
Último capítulo