Meses depois
Helena
São Paulo amanheceu cinza naquele dia. Não o cinza poético dos cartões-postais, mas o cinza pesado, baixo, que parece escorrer do céu e se infiltrar nos ossos. A chuva começou cedo, insistente, grossa, transformando ruas em espelhos trêmulos e o trânsito em um organismo caótico, nervoso, impaciente. Eu observei tudo pela janela do quarto enquanto respirava fundo, sentindo aquela pressão estranha na lombar que vinha e ia desde a madrugada.
— É hoje — murmurei, mais para mim d