Epílogo

Helena Assunção Diniz

Alguns amores nascem como incêndio. Outros, como abrigo. O nosso foi os dois. Aprendi isso com o tempo. Com os silêncios. Com as cicatrizes que não aparecem em fotografias. Com os dias comuns — que, ironicamente, são os mais difíceis de conquistar quando tudo começa em guerra.

Hoje, enquanto observo Miguel e Clara correndo pelo quintal da casa que escolhemos depois que tudo desabou e se refez, penso em quantas versões de mim mesma morreram para que essa sobrevivesse. A mulher que tremeu. A que duvidou. A que acreditou que amar um homem como Felipe Diniz significava desaparecer. Nenhuma delas existe mais. Todas foram necessárias.

O quintal está molhado da chuva da madrugada. Clara corre descalça, o vestido sujo de grama, rindo de algo que só ela entende. Miguel tenta acompanhar, tropeça, levanta, ri também. Eles têm o riso fácil. O tipo de riso que não conhece medo. Ainda.

Felipe observa da varanda, uma xícara de café na mão, o rosto tranquilo de quem finalmente a
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