Dias Depois
São Paulo
Helena
Voltar para São Paulo depois de Fernando de Noronha foi como atravessar dois mundos que não se reconhecem. O aeroporto nos recebeu com o concreto frio, o burburinho apressado, anúncios metálicos e pessoas correndo como se o tempo fosse um inimigo a ser vencido. Ainda assim, eu não senti o peso antigo. Não senti medo. Não senti a sombra. Eu tinha aprendido algo essencial naquele pedaço de paraíso: a vida pode ser suave mesmo quando o mundo insiste em ser duro.
Felipe segura minha mão desde o desembarque. Um gesto simples, constante, quase silencioso — mas carregado de promessa. Ele não olha o celular. Não apressa o passo. Caminha comigo no ritmo que meu corpo pede agora, com a delicadeza de quem entende que tudo mudou. Que eu mudei. Que nós mudamos.
— Se cansar, a gente para — ele diz pela terceira vez.
— Eu estou bem, amor — sorrio. — De verdade.
Mas ele continua atento. Sempre.
Nos primeiros dias de volta, ficamos no apartamento. Aquele mesmo que testemu