Felipe
O silêncio depois de uma grande batalha nunca é realmente silêncio. Ele carrega ecos. Fragmentos. Fantasmas que ainda não sabem que perderam o direito de existir. Foi isso que eu senti quando a festa do meu casamento começou a se dissipar e sobraram apenas algumas risadas distantes, música baixa demais para competir com os pensamentos e quatro pessoas sentadas em um espaço que não tinha nada de protocolar.
Eu, Helena, Denise e Josy.
Se alguém tivesse me dito, anos atrás, que eu estaria ali — não como CEO, não como homem intocável, mas como alguém exposto, humano, falho — eu teria rido. Ou ignorado. Ou mandado investigar quem ousava imaginar isso. Mas ali estava eu. Sem gravata. Sem escudo. Sem poder. Só eu.
Helena foi a primeira a relaxar. Tirou os sapatos como quem finalmente permite ao corpo lembrar que sobreviveu. Quando ela riu, daquele jeito leve que só aparece quando não existe mais necessidade de vigilância, algo dentro de mim afrouxou.
— Eu ainda estou tentando entender