Mundo de ficçãoIniciar sessãoO que você faria se, de repente, sua vida e seus sonhos desmoronassem diante dos seus olhos? Essa é a pergunta que ecoa na mente de Clarisse enquanto seu corpo é impiedosamente arrastado para o interior de um Volvo preto quando estava prestes a entrar na cerimônia do seu casamento. Submersa em desespero e angústia, Clarisse se vê diante de um futuro incerto e aterrador, onde cada instante parece um labirinto sombrio. Porém antes que a ansiedade a consumisse por completo, Clarisse é exposta ao cenário aterrorizante que se transformara a sua vida completamente. Diante disso, Clarisse precisa decidir entre fugir, ou se entregar de bom grado nos braços de Alfonso Albuquerque, o enigmático homem que se tornou seu captor e, ao mesmo tempo, o detentor de seu destino. À medida que o jogo entre a resistência e a rendição se intensifica, Clarisse descobre que a verdadeira força reside nas escolhas que fazemos. Em um mundo onde o amor pode ser tanto uma armadilha quanto uma salvação, ela se vê diante de uma encruzilhada: desafiar suas inseguranças e lutar por sua liberdade ou se permitir ser seduzida por um homem que provoca tanto terror quanto atração.
Ler mais— CLARISSE!
O grito ecoando em sua mente a fez despertar de um sono profundo.
Como um raio, a voz de Nicholas, seu noivo, reverberou dentro dela.
De repente, as memórias da cerimônia — ou quase — vieram à tona, misturadas à dor daquele momento.
— Nicholas... — sussurrou Clarisse, melancólica, enquanto encarava o ambiente ao seu redor por um longo tempo.
Com esforço, ela se ergueu da cama e ficou de pé ao lado dela. O alívio inundou seu corpo ao perceber que ainda conseguia respirar. Com as mãos ao peito, sentiu o toque do tecido do vestido e compreendeu. Era um sinal.
— Ele não me tocou. — concluiu em pensamento.
De repente, um lampejo de urgência percorreu o seu corpo, arrepiando cada centímetro de sua pele.
— A qualquer momento, ele pode chegar!
Correndo até a porta à sua frente, Clarisse tentou abri-la com desespero.
— Está trancada... — murmurou.
O cenário era óbvio, mas ainda restava uma ponta de esperança.
Miseravelmente, Clarisse cedeu.
O tecido branco, adornado com cristais azul-turquesa, cobria o seu corpo até o chão. Ao encarar os pés da cama, contemplou mais uma vez a sua realidade, e então, Clarisse se desesperou.
Em silêncio.
A calamidade que a envolvia se partiu quando Clarisse percebeu o som de passos lentos se aproximando do outro lado da porta. Cada batida no assoalho de madeira ecoava dentro dela, como um aviso — ou uma promessa. Seu corpo enrijeceu, mas não recuou; ao contrário, algo mais sombrio e indesejado se insinuava em seu peito. Medo… e desejo. Um desejo proibido, impronunciável, que a fazia arder de culpa ao lembrar-se de que era noiva.
A maçaneta girou.
O clique soou alto demais.
A porta se abriu lentamente, revelando-o como uma sombra que ganhava forma.
— Alfonso… — Clarisse sussurrou ao contemplar a figura diante dos seus olhos.
Alto. Imponente. Com os seus olhos azuis, que brilhavam com uma intensidade quase selvagem.
Clarisse o encarou, e seus olhos se encontraram.
Seu olhar felino, enigmático de Alfonso, a prendeu no lugar — não como quem ameaça, mas como quem já a possui. Clarisse sentiu o ar faltar. Ela o temia… e ainda assim, contra toda lógica, contra toda moral, era incapaz de desviar os olhos.
— Minha Clarisse. — disse Alfonso aproximando-se da silhueta feminina. Ele a encarou.
Uma de suas mãos deixou o bolso facilmente para repousar, sobre a face macia e ruborizada de Clarisse. Que suspirou com o contato.
Clarisse entretanto, não se moveu.
O toque de Alfonso queimou em sua pele como uma marca invisível, fazendo o corpo de Clarisse reagir antes mesmo que sua mente pudesse protestar. Clarisse sentiu o mundo ao redor perder força, como se tudo se resumisse à presença dele ali, tão próximo, tão impossível. — ela não deveria — Contudo, havia algo nos olhos de Alfonso que a desafiava, que a instigava a ultrapassar limites que ela sempre respeitou.
E isso a apavorava.
Ainda assim, os seus pés permaneceram cravados no chão. Parte dela gritava para fugir, para lembrar do compromisso… mas a outra parte — mais silenciosa, mais perigosa — queria ficar e descobrir até onde aquilo poderia ir.
Sem aguardar por resposta, Alfonso a envolveu em um abraço firme, trazendo-a contra o próprio corpo com uma naturalidade desconcertante. Não era bruto, mas também não era gentil — era seguro demais, como se já soubesse que ela não resistiria por muito tempo. Clarisse sentiu a respiração falhar ao perceber o quão fácil era simplesmente… permanecer ali. Suas mãos hesitaram no ar por um instante antes de repousarem, ainda incertas, contra o peito dele.
— Eu não deveria estar aqui… — murmurou Clarisse, em um fio de voz que traía sua própria convicção.
Alfonso não respondeu de imediato; apenas a observou, como se estivesse esperando que ela entendesse algo que ainda não havia sido dito.
O silêncio entre eles se tornou carregado, quase palpável, preenchido por uma tensão que não precisava de palavras. Clarisse ergueu o olhar, encontrando novamente os olhos azuis que pareciam enxergar além de suas defesas. Havia perigo ali — ela sabia disso com absoluta clareza. Mas também havia um mistério que a dominava, que a mantinha presa naquele instante. Seus dedos se fecharam levemente contra a camisa dele, num gesto pequeno, quase imperceptível, mas carregado de significado. Ir embora ainda era uma opção. Permanecer, no entanto, parecia inevitável.
Alfonso a encarou com intensidade, como se pesasse cada fragmento de sua hesitação. Então, lentamente, um sorriso surgiu em seus lábios — perfeito e perigoso — revelando de forma sutil seus caninos. Clarisse sentiu o coração apertar diante daquela visão, odiando o quanto achava aquilo… belo. — Vou lhe oferecer a única oportunidade de ir embora. — A voz dele saiu firme, quase solene. Aquelas palavras deveriam libertá-la, dar-lhe força para correr, para se afastar antes que fosse tarde demais. Mas algo dentro dela se recusava a obedecer.
O silêncio que se seguiu foi mais ensurdecedor do que qualquer grito.
Clarisse sabia que bastava um passo para trás.
Apenas um.
Ainda assim, permaneceu onde estava, presa àquele olhar que a desvendava, àquele homem que representava tudo o que ela deveria rejeitar.
— Eu… não vou partir. — As palavras escaparam antes que Clarisse pudesse contê-las. Carregadas de uma verdade crua que a fez prender a respiração.
Por um breve instante, o tempo pareceu suspenso entre eles.
Alfonso não respondeu com palavras. Seu olhar se suavizou apenas o suficiente para revelar algo mais profundo — algo que ia além do perigo.
Lentamente, ele se inclinou, dando a ela espaço, oferecendo uma última chance de recuar. Entretanto, Clarisse não se moveu.
E foi nesse silêncio de escolha que tudo se decidiu.
Quando seus lábios finalmente se encontraram, o beijo não foi hesitante — foi intenso, ardente, carregado de tudo o que haviam tentado negar.
Não havia suavidade, mas também não era brusco; era inevitável.
Um encontro que selava não apenas o desejo, mas o caminho sem volta que ambos, agora, haviam escolhido.
Cinco anos depois...O sol da Toscana derramava-se preguiçosamente sobre os extensos campos de lavanda, banhando a paisagem com uma luz dourada que parecia suspender o tempo. A brisa atravessava as fileiras de flores em movimentos suaves, carregando consigo um perfume delicado que invadia cada canto da propriedade. Ao longe, as colinas desenhavam um horizonte sereno, coberto por vinhedos, oliveiras centenárias e antigas construções de pedra que pareciam guardar séculos de histórias. Clarisse permanecia imóvel sobre a varanda, apoiando delicadamente as mãos no corrimão de ferro trabalhado enquanto observava a cena diante de si. Ainda existiam dias em que precisava lembrar a si mesma que aquela era, de fato, a sua realidade.Poucos metros adiante, o pequeno Lorenzo corria livremente entre os campos, gargalhando enquanto tentava alcançar dezenas de borboletas que insistiam em escapar de suas pequenas mãos. Os cabelos claros balançavam ao sabor do vento, e os olhos azuis, exatamente iguais
Os dias que se seguiram foram dedicados à recuperação, mas também ao florescimento silencioso de um amor que, durante tanto tempo, precisou existir entre sombras. A violência daquela noite na cabana ainda permanecia gravada em ambos. Havia cicatrizes visíveis, como a perna engessada de Alfonso e os hematomas que lentamente desapareciam da pele de Clarisse, e outras muito mais profundas, invisíveis aos olhos, que somente o tempo seria capaz de amenizar. Ainda assim, pela primeira vez desde que seus caminhos se cruzaram, eles não precisavam lutar contra o mundo para permanecer juntos. A mansão, que durante tantos anos servira como palco de segredos, perdas e lembranças dolorosas, transformou-se lentamente em um lugar diferente. Os corredores antes silenciosos passaram a guardar risos discretos, conversas demoradas e pequenos gestos de carinho que nenhum dos dois imaginava um dia viver.Com a perna imobilizada, Alfonso viu-se obrigado a desacelerar pela primeira vez em muitos anos. Acostu
Alfonso retornou à mansão com a sensação de que algo estava errado. O silêncio era pesado, e a ausência de Arthur na porta de entrada era um mau pressentimento. Ao adentrar o hall, a cena o atingiu como um soco: Arthur e os seguranças caídos, inconscientes. A raiva, fria e calculista, começou a ferver em suas veias. Ele sabia. Ele sabia que Nicholas havia feito isso.Alfonso correu para os aposentos de Clarisse, o coração martelando contra as costelas. O quarto estava vazio, o roupão de seda jogado sobre a cama, um rastro de desordem que confirmava os seus piores medos. Ele sentiu um desespero que nunca havia experimentado antes. Clarisse estava em perigo, e a culpa o corroía. Ele a havia deixado sozinha, vulnerável, e agora ela estava nas mãos de um louco.Ele chamou Arthur, que começava a recobrar a consciência. — Onde ele a levou? — A voz de Alfonso era um rosnado, carregada de uma fúria que Arthur nunca havia ouvido.Arthur, com a cabeça latejando, tentou se levantar. — Senhor... N
Os dias que se seguiram foram um turbilhão de paixão e descoberta. Clarisse permaneceu na mansão de Alfonso, isolada do mundo exterior, imersa em uma bolha de desejo e luxo. Eles passavam horas na cama, explorando os corpos um do outro, a atração entre eles queimando como um fogo inextinguível.Alfonso era um amante intenso, exigente, mas também surpreendentemente terno. Ele a tratava como uma rainha, satisfazendo todos os seus desejos, protegendo-a do escândalo que a sua fuga havia causado na cidade. Clarisse, por sua vez, sentia-se viva, desejada, livre. A culpa por ter abandonado Nicholas havia desaparecido, substituída por uma certeza inabalável de que ela havia feito a escolha certa.No entanto, a sombra da dívida de Gabriel ainda pairava sobre ela. Uma tarde, enquanto descansavam após fazerem amor, Clarisse tocou no assunto.— Alfonso... e o Gabriel? A dívida dele...Alfonso acariciou os cabelos dela, os olhos azuis fixos no teto. — A dívida está paga, Clarisse. Eu a perdoei no m
Último capítulo