Mundo de ficçãoIniciar sessãoMayla D. Layer não é apenas uma CEO. Ela é a força implacável por trás de um império financeiro que domina o mundo mortal, acostumada a esmagar a concorrência e controlar seu próprio destino. O que ela não sabe é que seu destino pertence a outro lugar. Quando um portal esquecido se abre em sua cobertura de luxo em Nova York, Mayla é forçada a encarar a verdade: ela é, na verdade, a Herdeira da Linha Vital de Éterea, um reino de fantasia à beira da aniquilação pelo Vazio. Sua salvação, e a única rota para casa, é Abner Kaelen, o último Guardião. Ferido, taciturno e dedicado ao dever que lhe roubou o amor, ele foi enviado para escoltá-la de volta ao trono e treiná-la para manifestar a Luz do Coração. Abner despreza a frieza do mundo de Mayla, e Mayla não confia em ninguém que tente controlar sua vida ou seu poder. Mas, à medida que a ameaça do Vazio e a traição na corte se aproximam, a linha tênue entre CEO e Guardião se quebra, liberando uma química que é tão perigosa quanto a escuridão que os persegue. Mayla precisará de toda a sua lógica de CEO para vencer a guerra política contra o noivo traiçoeiro e resgatar Abner do cativeiro. Mas como uma mulher que construiu sua vida no controle pode entregar seu destino e seu coração ao Guardião que a lei proibia de amar?
Ler maisPonto de Vista: Mayla
O salão do Hotel Astoria estava exatamente como eu esperava: bonito, caro e completamente previsível. Cristais pendiam do teto, refletindo a luz dos lustres sobre vestidos de alta-costura e smokings impecáveis. Garçons circulavam entre empresários, investidores e políticos, equilibrando taças de champanhe como se aquilo fosse uma operação de precisão. Eu conhecia aquele mundo. Sabia exatamente quando sorrir, quando apertar uma mão e, principalmente, quando ficar em silêncio. Mas naquela noite eu não estava ali como executiva. Estava ali como a esposa de Daniel Layer. — Você está me olhando como se estivesse prestes a negociar a compra do hotel — Daniel murmurou ao meu lado. Virei o rosto e encontrei seu sorriso. Daniel tinha aquele tipo de presença que não precisava de esforço. Aos trinta e dois anos, era alto, elegante, dono de cabelos castanhos sempre impecavelmente penteados e olhos verdes que pareciam mais gentis do que aquele ambiente merecia. Ele não tinha a arrogância do irmão. Daniel sabia que era poderoso, mas nunca precisava provar. — Estou analisando o ambiente. — Claro. — Ele sorriu. — E qual é o relatório? — Setenta por cento das pessoas aqui querem alguma coisa de você. Vinte por cento querem alguma coisa de mim. — E os outros dez? — Ainda não decidiram. Daniel soltou uma risada. Era uma das coisas que eu mais gostava nele. Ele conseguia me fazer esquecer, por alguns segundos, que o mundo inteiro parecia esperar alguma coisa de nós. Conheci Daniel quando tinha vinte e um anos. Eu não tinha sobrenome importante, família influente ou uma conta bancária herdada. Na verdade, durante boa parte da minha infância, eu nem sequer soube exatamente de onde tinha vindo. Passei por abrigos, casas temporárias e pessoas que prometiam ficar, mas quase sempre iam embora. Aprendi cedo a não depender de ninguém. Daniel foi a primeira pessoa que não tentou me salvar. Ele simplesmente ficou. Talvez tenha sido por isso que eu me apaixonei. — Mayla. A voz dele me trouxe de volta. — O quê? Daniel segurava minha mão. — Eu estava perguntando se você queria ir embora. Olhei para ele. — Você quer? — Quero ficar sozinho com minha esposa. Meu sorriso apareceu antes que eu pudesse impedir. — Isso foi quase romântico. — Estou tentando melhorar. — Continue tentando. Ele beijou minha testa. Por um instante, tudo pareceu perfeito. Até eu perceber o homem parado do outro lado do salão. Victor. O irmão mais novo de Daniel. Aos vinte e nove anos, Victor era praticamente o oposto dele. Alto, de ombros largos, cabelos escuros e olhos cinzentos que pareciam analisar tudo ao redor como uma ameaça em potencial. Ele não sorria. Nunca sorria quando estava olhando para mim. — Seu irmão está vindo — murmurei. Daniel olhou por cima do ombro. — Ah. O tom dele mudou. Victor aproximou-se com uma taça na mão. — Daniel. — Victor. Os dois trocaram aquele tipo de cumprimento educado que escondia anos de competição. Então Victor olhou para mim. — Mayla. — Victor. Ele inclinou a cabeça. — Aproveitando a noite? — Bastante. — Interessante. Daniel franziu a testa. — O que foi? — Nada. Victor tomou um gole do champanhe. — Só estava pensando em como algumas pessoas têm muita sorte. — E algumas têm dificuldade de reconhecer a própria — respondi. Os olhos dele se estreitaram. Daniel segurou minha mão com um pouco mais de força. — Vamos deixar os negócios para amanhã. Victor sorriu de lado. — Claro. Ele se afastou. Observei-o desaparecer entre os convidados. — Vocês dois vão acabar se matando — murmurei. Daniel suspirou. — Victor acredita que tudo precisa ser conquistado. — E você? Ele olhou para mim. — Algumas coisas simplesmente acontecem. Meu coração apertou. — Como nós? — Principalmente nós. Ele me beijou. Um beijo breve, discreto, mas suficiente para fazer o barulho do salão desaparecer por alguns segundos. Quando nos afastamos, Daniel encostou a testa na minha. — Eu te amo, Mayla. Sorri. — Eu também te amo. Daniel sorriu e voltou a entrelaçar os dedos nos meus. Do lado de fora, Manhattan continuava iluminada, indiferente a tudo. Eu não sabia que, naquela mesma noite, alguém observava o hotel. Não sabia o que aquela presença queria. Não sabia que existiam perguntas sobre a minha vida que nem eu mesma sabia responder. Naquele momento, eu só sabia de uma coisa: eu amava Daniel Layer. E acreditava que conhecia a minha vida. Eu estava errada.Após o confronto tenso com Valerius no corredor, Mayla e Abner se retiram para os aposentos da Rainha. O lugar é vasto, frio e cheio de estátuas de antepassados que parecem julgá-los. Assim que a porta se fecha, a postura rígida de Mayla desmorona. Ela se vira para Abner, e não há Rainha ali, apenas a mulher que enfrentou o inferno. Abner a envolve em um abraço esmagador. O cheiro de metal e couro dele é a única coisa que a ancora à realidade. — Eu não posso casar com ele, Abner. Eu não sobrevivi ao Julian e ao Eldron para virar um troféu nas mãos de um aristocrata — ela sussurra contra o peito dele. Abner segura o rosto dela com as mãos calejadas. O olhar dele é uma mistura de adoração e agonia. — Ele é perigoso, Mayla. Valerius não ataca com espadas, ele ataca com leis e sorrisos. O povo o vê como um herói da resistência. Se você o rejeitar agora, o reino se partirá ao meio antes mesmo de você ser coroada. - Você viveu aqui por anos, sabe o que o reino precisa, Abner deve t
Após a queda de Eldron (o avatar), o Grande Átrio da Capital estava um caos. Mayla caminhava entre os escombros com Abner, tentando entender quem restava do antigo governo. No centro do salão, cercado por guardas que pareciam hesitar entre prendê-lo ou protegê-lo.Um vulto se destaca entre as colunas de mármore. Não é um monstro, nem um soldado ferido. É um homem jovem, vestindo túnicas de seda branca e prata que parecem insultuosamente limpas em meio aos escombros. Ele caminha com uma elegância que faz o ambiente parecer, subitamente, um baile de gala e não um campo de batalha.— Magnífico — diz o estranho. A voz é aveludada, com uma calma que arrepia os pelos da nuca de Mayla. — A herdeira de Auran finalmente retornou para limpar a própria casa.Abner se coloca instantaneamente na frente de Mayla, a ponta da espada apontada para a garganta do recém-chegado.— Identifique-se ou morra onde está.O homem para, abrindo um sorriso pequeno e diplomático, sem demonstrar um pingo de medo. E
Enquanto Mayla e Abner lidam com a revelação da alma de Daniel no trono, Victor e Nancy descem aos níveis inferiores. Eles não vão como fugitivos; vão como os novos donos do lugar.Eles encontram Julian Vane na sala de controle central. O bunker está em chamas digitais. Julian está frenético, tentando apagar os rastros da sua traição nos servidores enquanto o vírus de Daniel consome tudo.— Acabou, Julian — a voz de Victor ecoa, fria e cortante como o gelo de Manhattan.Julian vira-se, com uma arma rúnica na mão, mas Nancy é mais rápida. Ela dispara um pulso de interferência do seu terminal, desativando a arma dele antes que ele possa puxar o gatilho.— Você não vai para o Vazio, Julian — diz Nancy, caminhando até ele com um olhar de puro desprezo. — Isso seria fácil demais. Você vai ficar aqui, nas ruínas que ajudou a construir, como o último funcionário de uma empresa que faliu.Victor aproxima-se de Julian e arranca o distintivo de acesso de platina do pescoço dele.— O meu pai est
O gabinete de Arthur Layer tornou-se o epicentro de um furação. Mayla estava no limite, seus braços tremiam enquanto a cúpula âmbar rachava sob a pressão das unhas de fumaça de Eldron.Victor, vendo Mayla prestes a desfalecer para salvá-lo, sentiu um estalo em seu peito. A covardia morreu ali. Ele estendeu a mão e agarrou o pulso de Mayla. No instante em que a pele deles se tocou, o sangue dos Layer — contaminado pela tecnologia, mas purificado pela vontade — serviu como um condutor.— Eu não sou mais o peão do meu pai! — Victor rugiu, os olhos injetados de sangue.Abner, percebendo o fluxo, cravou a espada no chão e segurou a outra mão de Mayla. O triângulo se fechou. A energia não era mais apenas âmbar; ela tornou-se um branco ofuscante, uma frequência que Eldron não conseguia digerir. O Sombra foi lançado para trás, colidindo contra as janelas de cristal reforçado, que estilhaçaram em mil pedaços, revelando o céu tempestuoso da Capital.No auge do clarão, a porta lateral explodiu e





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