Capítulo 4

Povo de Mayla

A reunião terminou às dezessete horas e quinze minutos.

Eu fechei a pasta à minha frente enquanto os últimos acionistas deixavam a sala.

Meu olhar foi automaticamente para a porta.

Daniel deveria ter voltado.

Olhei para o celular.

Nenhuma mensagem.

Nenhuma ligação.

Franzi a testa.

Ele havia dito que voltaria logo.

E Daniel sempre cumpria o que prometia.

Peguei o telefone e liguei.

Chamou.

Uma vez.

Duas.

Três.

Nada.

Desliguei e tentei novamente.

Dessa vez, caiu direto na caixa postal.

Uma sensação estranha percorreu meu peito.

Não era exatamente medo.

Ainda não.

Era irritação.

Daniel provavelmente estava resolvendo alguma coisa e havia esquecido o celular no silencioso.

Mandei uma mensagem.

Onde você está?

Esperei.

Nada.

— Senhora Layer?

Levantei os olhos.

Nancy estava parada na porta.

— Ele ainda não voltou — falei.

Ela olhou para o relógio.

— Talvez tenha surgido algum problema.

— Foi exatamente o que ele disse.

Levantei-me.

— Vou ligar novamente.

Antes que eu pudesse tocar na tela, meu telefone começou a tocar.

Número desconhecido.

Atendi imediatamente.

— Alô?

— Senhora Mayla Layer?

A voz masculina do outro lado era séria.

Meu corpo ficou imóvel.

— Sim.

— Aqui é o detetive responsável por uma ocorrência na Rodovia Westchester. Estamos com um veículo registrado no nome de Daniel Layer.

Meu coração deu uma batida forte.

— O que aconteceu?

Houve uma breve pausa.

— O veículo sofreu um acidente.

Minha mão apertou o telefone.

— Daniel está bem?

Silêncio.

Um silêncio pequeno.

Mas suficiente.

— Ainda não conseguimos localizá-lo.

Senti o chão desaparecer por um instante.

— Como assim não conseguiram localizá-lo?

— O veículo atravessou a proteção lateral de uma ponte e caiu no rio. As equipes de resgate estão trabalhando no local.

Meu cérebro se recusava a processar as palavras.

Rio.

Ponte.

Acidente.

Daniel.

— Ele sabe nadar — falei.

A minha própria voz parecia distante.

— Senhora...

— Ele sabe nadar.

— Estamos fazendo buscas.

— Então encontrem meu marido.

Nancy já estava ao meu lado.

Ela devia ter percebido alguma coisa no meu rosto.

— Mayla?

Desliguei.

Olhei para ela.

— É o Daniel.

Ela empalideceu.

— O que aconteceu?

— Acidente.

A palavra saiu quase sem som.

— Eles não encontraram ele.

Nancy levou a mão à boca.

Eu peguei minha bolsa.

— Vamos.

A chuva havia começado quando chegamos à rodovia.

As luzes das viaturas iluminavam o asfalto molhado.

Parei o carro e saí antes mesmo de Nancy conseguir abrir a porta.

Um policial veio na nossa direção.

— Senhora Layer?

— Onde está o meu marido?

Ele apontou para a margem da ponte.

— A equipe está fazendo buscas no rio.

Corri até a proteção.

A visão do carro destruído, parcialmente visível entre as águas, fez meu estômago se contrair.

— Não...

Aquilo não podia ser real.

Daniel tinha saído de uma reunião.

Ele ia voltar.

Era só isso.

Uma reunião.

Uma ligação.

Uma viagem curta.

Ele voltaria para casa.

— Senhora, precisamos que se afaste.

— Não.

— É perigoso.

— Meu marido está lá embaixo.

O policial não respondeu.

Apenas olhou para a água.

Foi quando percebi Victor chegando.

Ele saiu do carro, o rosto completamente diferente daquele homem arrogante que eu conhecia das reuniões.

— Mayla...

Não respondi.

Um dos mergulhadores se aproximou da equipe.

Conversaram por alguns segundos.

Depois, um policial veio até nós carregando um pequeno saco plástico.

— Encontramos alguns objetos dentro do veículo.

Ele abriu.

A carteira.

O relógio.

Alguns documentos.

E então eu vi.

A aliança.

Meu coração simplesmente quebrou.

Levei a mão à boca.

— Não...

Aquele anel estava no dedo dele quando Daniel saiu de casa naquela manhã.

Eu havia tocado nele antes de sairmos.

Lembrava perfeitamente.

— Senhora Layer...

Balancei a cabeça.

— Não.

A palavra saiu mais forte.

— Isso não significa nada.

Victor se aproximou.

— Mayla...

— Ele está vivo.

Eu olhava para o rio.

— Eles ainda não encontraram o corpo.

Ninguém respondeu.

E aquele silêncio me deu esperança.

Uma esperança irracional.

Desesperada.

Mas esperança.

— Então continuem procurando.

O policial assentiu.

— Vamos continuar durante toda a noite.

Olhei novamente para a água.

A chuva escorria pelo meu rosto, misturando-se às lágrimas que eu já não conseguia segurar.

Daniel tinha saído algumas horas antes.

Tinha segurado minha mão.

Tinha beijado minha testa.

Tinha dito que voltaria.

E agora tudo o que eu tinha era uma aliança dentro de um saco plástico.

Fechei os olhos.

— Você prometeu que voltaria...

Minha voz desapareceu no barulho da chuva.

E, pela primeira vez desde que conheci Daniel, eu não fazia ideia de como seria o amanhã.

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