Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm um dia completamente como qualquer outro, desperto após um pesadelo, me deparo sonolento e impotente pelo que me espera, o abandono pelos meus familiares, a sua traição e por fim , a destruição de todo o que alguma vez conhecerá todos os seres envoltos em terror e desespero peço regressar a aqueles dias em que uma vez fui um simples e normal adolescente.
Ler maisEu já não sei há quanto tempo estou andando.O escuro deixou de ser cenário e virou estado de espírito.Meus passos são automáticos. Arrastar. Apoiar. Respirar. Doer. Repetir.A dor não é mais um pico — é um fundo constante, como um ruído que nunca desliga. Minha perna pulsa, pesada, cada movimento um erro. O ar entra nos meus pulmões como se passasse por vidro quebrado. Mas a pior coisa… não é o corpo.É que as vozes tinham voltado.Não vozes reais.Lembranças com som.Frases. Tons. Olhares que eu reconstruo na minha cabeça como se estivesse preso numa sala onde só passam as piores cenas da minha vida.“É o teu dever.”“Eu preciso proteger a minha família.”“Desculpa, garoto.”Eu ando, mas por dentro estou parado naquele momento.Então acontece.Primeiro, eu penso que é só mais um delírio do cansaço.Porque o ar muda.Não fica mais leve — isso seria bom demais — mas fica… diferente. Menos pesado. Como se aquele lugar tivesse uma textura própria, uma presença.Eu paro.Meu coração bat
Eu continuo andando.Não porque quero.Não porque tenho esperança.Mas porque parar significaria pensar demais.E pensar… dói mais do que a perna quebrada.Cada passo é arrastado. O som do meu pé raspando no chão é irregular, feio, como algo que não devia estar se movendo sozinho. Minha respiração vem curta, falhada, e às vezes preciso parar só para não desmaiar. Apoio a testa na parede fria, fecho os olhos, e conto.Um.Dois.Três.Não para me acalmar.Para ver se ainda estou aqui.Porque tem momentos em que eu queria não estar.O pensamento não chega como um grito. Ele vem calmo. Lógico. Quase gentil.Seria mais fácil parar.Meu corpo já está destruído. Meu peito aperta a cada respiração. A dor não diminui, só muda de lugar, como se estivesse explorando novos cantos dentro de mim. Minha perna pulsa, quente, inchada, errada. Eu não sei por quanto tempo ainda consigo sustentar meu próprio peso.Então a pergunta vem, inevitável:Pra quê?Pra continuar sofrendo?Pra andar sem rumo?Pra
Eu não sei há quanto tempo estou aqui.O tempo deixou de existir no momento em que a escuridão me engoliu por completo. Não há dia, não há noite. Não há começo nem fim. Apenas eu… e o som dos meus próprios passos, lentos, arrastados, irregulares. Cada movimento ecoa como um lembrete de que ainda estou vivo — e de que estar vivo dói.A perna mal responde.Cada vez que tento apoiá-la no chão, uma dor aguda atravessa-me de baixo para cima, como se o osso estivesse quebrado por dentro de propósito, para me impedir de seguir. O corpo inteiro protesta. Não é uma dor súbita — é constante, profunda, persistente. Daquelas que não gritam, mas corroem.Respiro… ou tento.O ar entra curto, incompleto. O peito aperta a cada inspiração, como se algo estivesse quebrado por dentro e se recusasse a cooperar. As costelas ardem. Sinto uma pressão estranha no abdômen, como se qualquer movimento errado pudesse fazer tudo colapsar de vez. Às vezes paro não porque quero, mas porque o corpo simplesmente deci
O mundo não havia acabado.Mas dentro dele, tudo estava em ruínas.Haruki demorou a perceber que ainda respirava. O ar entrava aos pedaços, como se tivesse de pedir permissão aos pulmões para existir. Cada inspiração vinha curta, cortante, rasgando o peito por dentro, como se algo estivesse quebrado — e estava. Ele sabia. Não precisava ver. O aperto, a dor surda que se espalhava pelas costelas, o ardor profundo que fazia sua visão escurecer a cada tentativa de puxar mais ar… tudo gritava que seu corpo estava ferido de formas que não se resolvem com força de vontade.O cheiro foi a primeira coisa que o fez engasgar.Sangue.Ferro quente.Poeira antiga.Algo pútrido, indefinível, que fazia o estômago revirar mesmo vazio.Haruki abriu os olhos com dificuldade. As pálpebras pareciam pesar toneladas. O mundo à sua frente era uma mistura distorcida de sombras e destroços. Vigas de aço retorcidas atravessavam corpos monstruosos esmagados sob o próprio peso da queda. Alguns ainda pareciam… re
O chão continuava a ceder.Não era rápido.Era lento, cruel, deliberado — como se a própria terra estivesse decidida a me engolir pouco a pouco, saboreando cada segundo do meu desespero.Minha perna afundava mais.O buraco se alargava ao redor do tornozelo, depois da canela, depois do joelho. Eu sentia a pressão esmagadora apertar meus ossos, os músculos sendo puxados para baixo com força suficiente para rasgar tendões. A dor não era apenas intensa — era confusa, espalhada, impossível de localizar em um único ponto.Eu gritava, mas minha voz já não parecia minha.Os sons que saíam da minha garganta eram roucos, quebrados, quase animais. Cada tentativa de puxar a perna fazia o chão responder, cedendo mais, como se estivesse vivo.Então ouvi.— Grrrrrrrr…Baixo. Grave. Faminto.O som vibrou no ar e atravessou meu corpo inteiro, fazendo meu estômago revirar violentamente. Meu coração disparou de tal forma que achei que fosse explodir. O suor frio escorreu pela minha testa, desceu pelo pe
A dor não vinha em ondas.Ela era constante.Uma presença viva, pulsando, queimando, esmagando minha perna como se o próprio chão tivesse decidido me devorar lentamente. Eu sentia cada osso pressionado, cada nervo gritando em silêncio, um pedido inútil por alívio que nunca vinha.Meu pé estava preso.Não preso como alguém que tropeça.Preso como algo que foi escolhido.Tentei puxar a perna de novo.O erro foi imediato.A dor explodiu com uma violência tão absurda que meu corpo reagiu antes da mente. Um grito rasgou minha garganta, cru, descontrolado, carregado de um desespero que eu nunca soube que era capaz de sentir. Minha visão se encheu de pontos brancos, o mundo girou, e por um segundo achei que fosse desmaiar ali mesmo.Mas não desmaiei.A dor não deixou.Minhas mãos afundaram no asfalto rachado. Senti a pele abrir, senti algo quente escorrer entre meus dedos, mas aquilo era irrelevante. Era insignificante diante do que acontecia da cintura para baixo.Respirar se tornou difícil
Último capítulo