Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena Duarte sempre foi a "filha invisível". Criada à sombra da irmã perfeita e desprezada por uma mãe que valoriza apenas o status, ela aprendeu a esconder sua dor atrás de sorrisos contidos. Mas toda paciência tem um limite, e o dela se rompe na noite do noivado de sua irmã. Após ser humilhada publicamente por Ricardo Cavalcanti, o noivo arrogante da irmã, Helena foge para a escuridão dos jardins da mansão, desejando apenas desaparecer. É lá, entre as sombras e o silêncio, que ela colide com um estranho magnético. Ele é frio, perigoso e possui um olhar que parece ler sua alma. Em um momento de rebeldia e carência, Helena se entrega a uma noite de paixão desenfreada com o homem cujo nome ela sequer sabe. Ao amanhecer, ele se foi. Restou apenas o silêncio e uma lembrança que queima. Semanas depois, o destino cobra o preço: o teste de gravidez dá positivo. Desesperada e sem apoio, Helena consegue um emprego na empresa mais influente do país, a Cavalcanti Enterprises. O que ela não esperava era que o CEO implacável fosse justamente o homem daquela noite. Mas o choque maior está por vir. Eros Cavalcanti não é apenas o pai do seu filho. Ele é o irmão mais velho de Ricardo — o homem que a humilhou e que agora está prestes a entrar para sua família. Presa em uma teia de segredos, Eros faz uma proposta que Helena não pode recusar para salvar sua reputação e proteger o herdeiro da família: um casamento por contrato. "Eu te darei meu sobrenome e proteção, Helena. Mas nunca espere amor. Meu coração não está à venda." Em um jogo de aparências, Helena terá que decidir: ela está protegendo seu bebê ou entregando seu coração ao irmão errado?
Ler maisO som do cristal tilintando contra o mármore era o único ruído que competia com as risadas abafadas no grande salão da mansão Duarte. Para qualquer espectador externo, aquela era a festa do ano: o noivado de Isabela Duarte, a "Rosa de Ouro" da cidade, com Ricardo Cavalcanti, o herdeiro de um império logístico.
Para Helena, porém, aquele lugar era uma prisão decorada com flores caras e hipocrisia. Ela estava parada em um canto mal iluminado, segurando uma taça de champanhe que mal havia tocado. O vestido que usava era de uma coleção de dois anos atrás, ajustado às pressas. Ao contrário de Isabela, que brilhava em um modelo exclusivo de seda branca, Helena parecia parte da mobília. Invisível. Como sempre fora. — Veja só se não é a nossa pequena sombra — uma voz carregada de escárnio ecoou perto dela. Helena retesou os ombros. Ela não precisava se virar para saber quem era. Ricardo Cavalcanti estava parado a poucos passos, com um sorriso de lado que nunca alcançava seus olhos frios. Ele era bonito, de uma forma óbvia e agressiva, mas Helena sempre sentira um calafrio na espinha na presença dele. — Ricardo — ela murmurou, tentando manter a voz firme. — Achei que devesse estar ao lado da minha irmã. — Isabela está ocupada sendo adorada pelos convidados. E eu... bom, eu estava entediado. — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Helena. O cheiro de uísque e arrogância emanava dele. — Sabe, Helena, eu sempre me perguntei o que passa nessa sua cabeça. Você fica aí, com esse olhar de quem carrega o mundo nas costas. É inveja da sua irmã? — Eu não tenho inveja da Isabela — Helena respondeu, sentindo o rosto esquentar. — Não? — Ele soltou uma risada seca, atraindo a atenção de um pequeno grupo de convidados próximos. — Você é o oposto dela em tudo. Ela é o sol; você é a poeira. Ela é a mulher que qualquer homem mataria para ter. E você... você é aquela que a gente esquece o nome cinco minutos depois de conhecer. O salão pareceu ficar subitamente silencioso. Helena sentiu as lágrimas pinicarem seus olhos, mas ela se recusava a chorar na frente dele. Não ali. Não hoje. — Por que você está fazendo isso? — ela sussurrou. Ricardo se inclinou, a voz agora um veneno baixo. — Porque é divertido ver você tentar se integrar a um mundo ao qual não pertence. Você realmente achou que alguém como você poderia estar neste círculo? Você é um erro genético na linhagem dos Duarte, Helena. — Ricardo, querido! — A voz melodiosa de Isabela interrompeu o momento. Ela se aproximou, deslizando como uma cisne, e entrelaçou o braço no de Ricardo. — O que você está dizendo para a minha irmãzinha? Ela parece que vai desmaiar. Ricardo olhou para Helena uma última vez, o desprezo evidente em suas íris claras. — Apenas dando um choque de realidade, meu amor. Algumas pessoas precisam ser lembradas de seu lugar para não criarem esperanças inúteis. Isabela soltou uma risadinha, um som que costumava ser o conforto de Helena na infância, mas que agora soava como o bater de asas de um abutre. Ela não defendeu a irmã. Ela nunca defendia. — Ah, Helena é sensível demais. Vá buscar um pouco de água, querida. Você está pálida. Helena não esperou por mais nada. Ela soltou a taça sobre uma mesa próxima com tanta força que o líquido espirrou em seus dedos. Ela se virou e caminhou — quase correu — em direção às portas francesas que levavam aos jardins internos. Ela precisava de ar. Precisava de silêncio. Precisava deixar de existir por alguns minutos. O ar da noite estava frio, contrastando com o calor sufocante do salão. Helena abraçou os próprios braços, caminhando pelos caminhos de pedra da mansão até que as luzes da festa fossem apenas um brilho distante. O jardim dos Duarte era vasto, cheio de labirintos de cercas vivas e estátuas de mármore que pareciam julgar sua fuga. Ela chegou à parte mais antiga da propriedade, onde a manutenção era menos rigorosa e as árvores cresciam de forma mais selvagem. Lá, em um corredor de carvalhos centenários, Helena finalmente permitiu que a primeira lágrima caísse. O soluço que escapou de sua garganta foi doloroso. Não era apenas pelas palavras de Ricardo. Era pelo peso de vinte e dois anos sendo "a outra". A filha que não era bonita o suficiente, a estudante que não era brilhante o suficiente, a mulher que era apenas um borrão na fotografia perfeita da família. — Chega — ela sussurrou para o escuro. — Eu só quero sumir. Ela continuou caminhando, a visão embaçada pelas lágrimas. O terreno ali era irregular, as raízes das árvores levantando as pedras do caminho. Helena tropeçou, o salto do sapato prendendo-se em uma fresta. — Droga! — Ela praguejou, tentando se equilibrar, mas o impulso a jogou para frente. Ela esperou o impacto contra o chão duro. Esperou a dor de mais uma queda, física desta vez. Mas o impacto nunca veio. Em vez disso, ela colidiu contra algo sólido. Algo quente. Algo que cheirava a chuva, madeira e um perfume caro e amadeirado que ela nunca sentira antes. Mãos grandes e firmes envolveram sua cintura, segurando-a com uma força que era, ao mesmo tempo, possessiva e protetora. Helena ficou paralisada, o rosto pressionado contra o tecido fino de uma camisa social branca. Ela podia ouvir o batimento cardíaco dele — lento, rítmico, imperturbável. — Cuidado — uma voz profunda ressoou. Não era uma voz suave. Era baixa, vibrante, com uma autoridade natural que fez os pelos dos braços de Helena se arrepiarem. Era a voz de um homem que não pedia permissão para nada. Helena levantou a cabeça lentamente. No escuro do jardim, sob a luz pálida da lua que filtrava entre as folhas, ela o viu. Ele era alto. Muito mais alto que ela. O maxilar era quadrado, coberto por uma barba rala perfeitamente desenhada. Os cabelos eram claros, penteados para trás, mas alguns fios caíam sobre a testa. Mas eram os olhos que a prenderam. Eram azuis como um oceano e sombrios como o abismo, analisando-a com uma intensidade que parecia queimar as camadas de sua pele até alcançar sua alma. — Me... me desculpa — ela gaguejou, tentando se afastar. As mãos dele não a soltaram imediatamente. Seus dedos se apertaram levemente contra a cintura dela, um toque que enviou uma onda de eletricidade por todo o corpo de Helena. Por um segundo eterno, ninguém mais existia. Não havia Ricardo, não havia Isabela, não havia a humilhação no salão. Havia apenas aquele estranho e a pressão de suas mãos. — Você está tremendo — ele observou. Não era uma pergunta. Era uma constatação fria, mas havia uma nota de curiosidade naqueles olhos escuros. — Eu só... eu só precisava sair de lá — Helena murmurou, desviando o olhar. Ela se sentia exposta sob aquele escrutínio. — Eu não vi você. — Poucas pessoas me veem quando eu não quero ser visto — ele respondeu. A voz dele tinha um toque de ironia amarga. Ele finalmente a soltou, e Helena sentiu uma falta súbita e irracional daquele calor. Ela deu um passo atrás, ajeitando o vestido com as mãos nervosas. — Você é um convidado? — ela perguntou, tentando recuperar a compostura. O homem deu um meio sorriso. Um gesto que não era amigável, mas sim predatório. — Eu não gosto de festas. Especialmente festas cheias de mentiras. Helena o olhou, surpresa. Era a primeira vez que alguém naquele lugar falava algo que soava como a verdade. — Eu também não. Ele a analisou novamente, de cima a baixo. Diferente de Ricardo, o olhar desse homem não a fazia se sentir pequena ou feia. Fazia-a se sentir... desejada. Era um olhar pesado, carregado de uma tensão sexual que ela nunca experimentara. — O que uma criatura como você está fazendo no meio daqueles tubarões lá dentro? — ele perguntou, dando um passo em direção a ela. Helena sentiu as costas baterem contra o tronco de um carvalho. Ela estava encurralada entre a árvore e o homem misterioso. — Eu pertenço àquela família. Infelizmente. — Não — ele disse, a voz agora um sussurro próximo ao ouvido dela. — Você não pertence a eles. Seus olhos são honestos demais para aquele salão. Ele levantou uma mão, os dedos roçando suavemente o rosto de Helena, limpando o rastro de uma lágrima que nem sabia que ainda estava lá. O toque foi como fogo. Helena fechou os olhos, soltando um suspiro trêmulo. Ela sabia que deveria correr. Sabia que era perigoso estar ali, no escuro, com um homem cujo nome não sabia. Mas, pela primeira vez na vida, Helena não queria ser a filha invisível ou a irmã perfeita. Ela queria ser apenas uma mulher. Ela queria ser vista. — Quem é você? — ela perguntou, a voz quase inaudível. Ele se inclinou, os lábios roçando o lóbulo da orelha dela, fazendo-a estremecer violentamente. — Esta noite? Eu sou apenas o homem que vai fazer você esquecer por que estava chorando. Ele não esperou por uma resposta. Ele selou seus lábios nos dela em um beijo que foi tudo, menos gentil. Era um beijo faminto, urgente, que carregava a promessa de uma destruição deliciosa. Helena se entregou. Ela passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto, querendo se perder naquele estranho, naquela escuridão, naquela noite. Ela finalmente sentia que importava. E aquele foi o erro que mudaria sua vida para sempre.O "sim" de Isabela e Ricardo ecoou pelo jardim como uma sentença de prisão para Helena. Enquanto as pétalas de rosas brancas eram lançadas sobre o casal, ela permanecia estática no altar, sentindo o peso do olhar de Eros Cavalcanti em suas costas. Mas, assim que a cerimônia terminou e os convidados se dirigiram para o salão de festas, algo mudou.Eros, o homem que a possuíra com uma fome devastadora há três meses, o homem que a olhara com posse segundos atrás, tornou-se uma estátua de gelo. Durante a recepção, ele se moveu entre a elite empresarial com uma elegância fria e impenetrável. Helena o observava de longe, o coração martelando contra as costelas, esperando por um sinal, um gesto, uma palavra. Mas Eros a ignorou completamente. Era como se ela tivesse voltado a ser a mobília da mansão Duarte. Ele passava por ela sem que seus olhos azul-escuros desviassem um milímetro. A indiferença dele era mais dolorosa do que o tapa de sua mãe.Antes mesmo do jantar ser servido, Helena viu
O som das engrenagens da fechadura do sótão ecoou como um disparo de canhão no silêncio do quarto. Helena, encolhida na poltrona velha perto da janela, não se mexeu. Ela observava os carros de luxo chegando à mansão lá embaixo, como besouros negros e brilhantes sob o sol de fim de tarde.Marta entrou com passos pesados. Seus olhos estavam inchados, denunciando que ela passara a última hora chorando escondida na despensa. Em suas mãos, ela carregava o vestido lavanda, agora passado e impecável, pendurado em um cabide de cetim.— Está na hora, meu passarinho — sussurrou a babá, a voz embargada. — Precisamos transformá-la na dama de honra que seu pai exige.Helena levantou-se mecanicamente. Ela se olhou no espelho de corpo inteiro e sentiu um estranhamento profundo. A moça refletida ali tinha uma beleza que parecia ferida. Helena possuía um rosto angelical, de traços finos e delicados, emoldurado por uma cascata de cabelos castanhos escuros, quase negros, que caíam em ondas sedosas até o
Noventa dias. Para Helena, cada um desses noventa dias pareceu um século vivido sob uma névoa de medo e incerteza. O segredo que ela carregava não era mais apenas uma memória febril de uma noite de entrega nos braços de um estranho; ele havia se tornado físico, uma presença silenciosa e constante que reivindicava seu corpo. O martírio de Helena Duarte começava a cada amanhecer, quando o sol invadia seu pequeno quarto no sótão e a náusea a lembrava de que sua vida nunca mais seria a mesma.Na manhã do casamento de Isabela, a mansão Duarte fervilhava como um formigueiro perturbado. O ar estava saturado com o perfume opressor de milhares de orquídeas brancas e o cheiro metálico de spray de cabelo, polimento de prata e o suor nervoso dos criados. Helena tentava se manter de pé, segurando-se na borda da penteadeira, enquanto Marta terminava de fechar o zíper do vestido lavanda.— Você está muito pálida, meu passarinho — murmurou Marta, a preocupação vincando sua testa. — Suas mãos estão ge
As batidas na porta do sótão eram suaves, quase rítmicas, um contraste brutal com o caos que martelava dentro da cabeça de Helena. Ela se encolheu debaixo dos lençóis, sentindo cada músculo do corpo clamar pelo esquecimento do sono, mas o sol já invadia o quarto, denunciando que o mundo lá fora continuava a girar, indiferente à sua ruína.— Helena, querida? Acorde, passarinho. Já passou da hora.A voz de Marta era o único som naquela casa que não vinha carregado de espinhos. Helena forçou-se a sentar, ajeitando o pijama apressadamente para esconder qualquer marca que o estranho pudesse ter deixado em seu corpo.Marta entrou no quarto equilibrando uma bandeja pequena. Ela não era apenas a babá que cuidara de Helena e Isabela; ela era a estrutura que impedia Helena de desmoronar há vinte e dois anos. Com seus cabelos grisalhos presos em um coque firme e um avental sempre impecável, Marta exalava um cheiro de lavanda e conforto.— Trouxe um chá de camomila e umas torradas. Você não desce





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