Capítulo 4

A notícia explodiu antes mesmo do amanhecer.

Não foi um anúncio.

Foi um impacto.

Às seis da manhã, todos os principais portais de Valencrest e Aureon City já estampavam a mesma manchete:

“DANTE VOLKOV ANUNCIA CASAMENTO SURPRESA COM HERDEIRA VERONE — MAS NÃO É QUEM VOCÊ PENSA.”

A foto que acompanhava a matéria era nítida demais para ser ignorada.

Alina.

Saindo do restaurante Bellmont na noite anterior, com a expressão tensa, os cabelos levemente úmidos pela chuva… e, ao fundo, a limousine preta.

E outra imagem.

Ainda pior.

Ela entrando no carro.

O carro de Dante.

Alina não viu a notícia sozinha.

Foi acordada por uma sequência de ligações que não paravam.

O celular vibrava sem descanso sobre a mesa de cabeceira. O quarto ainda estava em penumbra, mas o mundo lá fora já parecia em colapso.

Ela abriu os olhos com dificuldade, pegou o telefone e atendeu sem olhar o nome.

— Alina, o que você fez?

A voz de Lavínia atravessou a linha como veneno.

Alina fechou os olhos por um segundo, ainda deitada.

— Bom dia para você também.

— NÃO brinque comigo! — Lavínia praticamente gritou. — Você está em TODOS os jornais!

Alina se sentou na cama.

— E você está surtando por quê? Não era isso que vocês queriam?

— Não assim!

— Ah… entendi.

Agora ela já estava acordada.

Totalmente.

— O problema não é o casamento. É o fato de ser comigo.

Silêncio do outro lado.

Respiração pesada.

— Você não tinha esse direito — Lavínia disse, mais baixo agora, mas ainda carregado de raiva.

Alina soltou uma risada curta.

— Direito? Engraçado você falar isso.

Ela desligou antes de ouvir a resposta.

E então abriu as notificações.

Mais de cem.

Chamadas perdidas.

Mensagens.

Notícias.

Quando abriu a primeira matéria, o impacto foi imediato.

Tudo estava ali.

O nome dela.

O nome dele.

O anúncio oficial.

E o detalhe que ninguém esperava:

“O Grupo Volkov confirma que a união não envolve acordos comerciais com a Verone Holdings.”

Alina ficou imóvel por um instante.

Aquilo… tinha sido rápido.

Rápido demais.

Dante não só tinha aceitado a condição.

Ele já tinha tornado pública.

Sem espaço para recuo.

Sem margem para negociação.

Sem saída.

— Claro… — murmurou ela.

Controle.

Sempre controle.

O telefone voltou a vibrar.

Dessa vez, o nome que apareceu fez seu estômago apertar.

Octavio Verone.

Ela atendeu.

— Você perdeu completamente o juízo?

A voz dele veio fria. Controlada. Mas carregada de algo mais.

Fúria.

— Eu poderia dizer o mesmo — respondeu Alina.

— O que você fez?

— Eu aceitei o contrato.

— Sem nos consultar?

Alina levantou da cama devagar.

— Você me vendeu em um jantar.

— Isso era uma negociação!

— Não — ela cortou. — Era uma imposição.

Silêncio.

Mas não durou.

— Você tinha um papel claro nisso — Octavio continuou. — Esse casamento deveria fortalecer—

— Não fortalece.

Ela foi direta.

— O quê?

— Não há acordo com a sua empresa.

Do outro lado da linha, o silêncio veio pesado.

Perigoso.

— Explique.

— Eu deixei isso claro nas minhas condições.

— Você não tinha autoridade para isso!

— Eu tinha o suficiente para dizer não.

A respiração dele ficou mais forte.

— Você acabou de destruir a única chance de recuperação da Verone Holdings.

Alina se apoiou na mesa, olhando para o próprio reflexo no espelho.

— Não.

Uma pausa.

— Eu só me recusei a salvar vocês.

Aquilo foi um golpe.

Direto.

Preciso.

— Você é ingrata — Octavio disse, sem levantar o tom.

— E você é previsível.

Silêncio.

— Você acha que está no controle dessa situação? — ele perguntou.

Alina apertou o celular com mais força.

— Não.

Outra pausa.

— Mas também não estou mais sob o seu controle.

Antes que ele pudesse responder, ela desligou.

O quarto ficou em silêncio.

Mas não por muito tempo.

Uma nova notificação apareceu.

Mensagem.

Número desconhecido.

Ela abriu.

“Carro aguardando em 20 minutos.”

Sem nome.

Sem explicação.

Mas ela não precisava.

Dante.

Quinze minutos depois, Alina já estava pronta.

Vestido simples, mas elegante. Maquiagem leve. Cabelo preso de forma impecável.

Ela não parecia alguém que tinha acabado de virar notícia.

Parecia alguém que tinha decidido enfrentar tudo.

Quando saiu do prédio, o caos estava armado.

Jornalistas.

Câmeras.

Microfones.

— ALINA! É verdade que você substituiu sua irmã?

— Você está sendo paga por esse casamento?

— Há rumores de que você manipulou o acordo!

— O que aconteceu com Lavínia Verone?

— Você ama Dante Volkov?

A última pergunta a fez parar.

Por um segundo.

Apenas um.

Então ela virou o rosto na direção das câmeras.

Os flashes explodiram.

Mas a expressão dela não vacilou.

— Eu não respondo perguntas baseadas em suposições.

Calma.

Fria.

Controlada.

Exatamente como precisava ser.

Os seguranças abriram caminho até o carro.

Dessa vez, não era uma limousine discreta.

Era visível.

Imponente.

Intencional.

Quando a porta se abriu, ela entrou sem hesitar.

E lá estava ele.

Dante Volkov.

Impecável.

Intocável.

Como se o caos lá fora não existisse.

Ele ergueu os olhos lentamente quando ela entrou.

Observou cada detalhe.

— Pontual — disse.

— Eu não gosto de atrasos.

— Eu sei.

Aquilo a fez estreitar levemente os olhos.

— Você sabe muita coisa.

— O suficiente.

Ela se acomodou no banco, cruzando as pernas.

— Então você já deve saber que minha família está em colapso.

— Não mais do que o esperado.

— Você fez isso de propósito.

— Eu fiz exatamente o que você pediu.

Verdade.

Crua.

Irrefutável.

— Você anunciou tudo sem me avisar.

— Agora não há como voltarem atrás.

Ela soltou um pequeno riso.

— Você não gosta de riscos.

— Eu elimino riscos.

Silêncio.

Mas havia algo ali.

Algo mais forte agora.

Mais próximo.

Mais inevitável.

— A mídia está enlouquecida — ela disse.

— Ótimo.

— Ótimo?

— Atenção é útil.

— Para você.

— Para nós.

A palavra ficou no ar.

Nós.

Alina o encarou.

— Isso ainda é um contrato.

— E continua sendo.

— Então não trate como outra coisa.

Dante inclinou levemente a cabeça.

— Está preocupada?

— Estou estabelecendo limites.

— Você gosta disso.

— Do quê?

— Limites.

Ela sustentou o olhar.

— Alguém precisa ter.

Ele observou aquilo com interesse claro.

— Você vai aprender — disse ele, com calma — que nem todos os limites permanecem intactos.

Alina não desviou o olhar.

— E você vai aprender que nem tudo pode ser controlado.

Silêncio.

Mas agora havia algo diferente.

Algo mais intenso.

Mais perigoso.

O carro começou a se mover.

Lá fora, os flashes continuavam.

As manchetes se multiplicavam.

Os rumores cresciam.

O nome deles já dominava a cidade.

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