Capítulo 7

Alina ainda estava parada no centro do quarto quando bateram na porta.

Três toques firmes.

Precisos.

Sem hesitação.

Ela não respondeu de imediato.

Respirou fundo.

Endireitou a postura.

E só então disse:

— Entre.

A porta se abriu.

E, com ela, um pequeno exército.

Uma mulher elegante entrou primeiro, seguida por dois assistentes carregando araras com roupas, caixas organizadas e maletas de maquiagem.

— Senhorita Verone — disse a mulher, com um sorriso profissional. — Sou Helena Ardent. Responsável pela sua imagem a partir de agora.

“Imagem.”

A palavra soou estranha.

Fria.

Mas adequada.

Alina apenas assentiu.

— Não pedi isso.

Helena não se abalou.

— Eu sei. Mas agora faz parte da sua posição.

Posição.

Outra palavra que não lhe pertencia… ainda.

— Temos pouco tempo — continuou Helena, já avaliando o ambiente com um olhar clínico. — E muita coisa a ajustar.

Alina cruzou os braços.

— Ajustar?

Helena finalmente voltou a encará-la.

— Transformar.

Silêncio.

Mas não era ofensivo.

Era… objetivo.

Alina sustentou o olhar por alguns segundos.

E então disse:

— Não vou ser moldada.

Helena sorriu levemente.

— Ótimo.

Uma pausa.

— Porque eu não trabalho com bonecas.

Isso fez Alina arquear a sobrancelha.

— Então com o que você trabalha?

— Com potencial.

Helena deu um passo à frente.

— E você tem muito.

Aquilo não foi um elogio.

Foi uma constatação.

E, pela primeira vez desde que aquela equipe entrou, Alina se permitiu… observar.

As roupas.

Os tecidos.

Os cortes.

Tudo sofisticado.

Elegante.

Mas não exagerado.

— O evento de hoje não é apenas um anúncio — Helena continuou. — É uma declaração.

— De quê?

— De posição.

Ela pegou um vestido da arara.

Preto.

Longo.

Fluido.

Com um corte impecável que equilibrava força e feminilidade sem esforço.

— Você não pode entrar lá como alguém que foi escolhida — disse Helena.

Uma pausa.

— Você entra como alguém que decidiu estar ali.

Silêncio.

A frase ficou.

Forte.

Direta.

E fez sentido.

Alina descruzou os braços.

— Certo.

Helena sorriu de leve.

— Vamos começar.

O processo não foi rápido.

Nem superficial.

Cada detalhe foi pensado.

Cada escolha… estratégica.

O cabelo, preso em um coque elegante, com alguns fios soltos apenas o suficiente para suavizar a expressão sem tirar a firmeza.

A maquiagem, marcada nos pontos certos, valorizando o olhar sem exagero.

A pele impecável.

Os lábios definidos.

Nada gritava.

Mas tudo… impactava.

Alina observava o próprio reflexo enquanto a transformação acontecia.

Não como alguém que se perdia ali.

Mas como alguém que estava… sendo revelada.

— Você não precisa parecer forte — disse Helena, ajustando um detalhe no vestido. — Você já é.

Alina não respondeu.

Mas absorveu.

Quando finalmente se levantou…

o silêncio tomou conta do quarto.

Até os assistentes pareceram parar por um instante.

O vestido caía perfeitamente no corpo dela.

Elegante.

Imponente.

Sem excessos.

Sem esforço.

Os saltos aumentavam sua altura o suficiente para impor presença.

Mas era o olhar…

que mudava tudo.

Alina se aproximou do espelho.

Devagar.

Observando.

A mulher refletida ali não era a mesma que tinha entrado naquela mansão.

Ainda era ela.

Mas…

mais definida.

Mais consciente.

Mais perigosa.

— Agora — disse Helena, ao lado dela — eles vão olhar.

Uma pausa.

— E não vão saber exatamente por quê.

Alina inclinou levemente a cabeça.

— Ótimo.

Minutos depois, a porta se abriu novamente.

Mas dessa vez…

não foi Helena.

Foi ele.

Dante Volkov.

Ele parou na entrada.

E, por um breve instante…

ficou em silêncio.

Os olhos dele percorreram cada detalhe.

Lento.

Calculado.

Mas havia algo diferente ali.

Algo que não estava antes.

Alina percebeu.

E não desviou o olhar.

— Pronta? — ele perguntou.

Mas o tom não era o mesmo de antes.

Havia algo mais baixo.

Mais contido.

— Sempre estive — ela respondeu.

Dante deu alguns passos para dentro.

Parou diante dela.

A distância entre os dois era mínima.

Mas suficiente para manter o controle.

Ou quase.

— Você entendeu rápido — disse ele.

— Eu não gosto de parecer despreparada.

— Nem de parecer inferior.

Ela sustentou o olhar.

— Eu não sou.

Silêncio.

Mas agora…

carregado.

Dante estendeu a mão.

Não como comando.

Como convite.

— Então vamos mostrar isso.

Alina olhou para a mão dele.

Por um segundo.

Dois.

E então…

segurou.

O toque foi firme.

Seguro.

Sem tremor.

Mas havia algo ali.

Algo que nenhum contrato previa.

Algo que nenhum dos dois mencionaria.

Eles caminharam juntos até a saída.

E, naquele instante…

não parecia mais apenas uma encenação.

Parecia…

um início.

Do lado de fora, o carro já os aguardava.

Mas dessa vez…

não havia anonimato.

Havia expectativa.

Câmeras.

Luzes.

O mundo pronto para ver.

Dante abriu a porta para ela.

Alina entrou.

Sem hesitar.

Sem olhar para trás.

Porque, naquele momento…

ela não era mais a filha esquecida dos Verone.

Ela era…

a mulher ao lado de Dante Volkov.

E, mais importante ainda…

era alguém que tinha escolhido estar ali.

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