Mundo de ficçãoIniciar sessãoA mansão Volkov não parecia uma casa.
Parecia um território.
O carro deslizou lentamente pelos portões de ferro negro, que se abriram em silêncio, revelando uma longa entrada cercada por jardins perfeitamente alinhados. Nenhuma folha fora do lugar. Nenhum detalhe descuidado.
Tudo ali era… preciso.
Alina observava pela janela, em silêncio.
Quanto mais avançavam, mais ficava claro: aquilo não era apenas riqueza.
Era poder consolidado.
— Impressionante? — a voz de Dante veio calma ao lado dela.
— Previsível — ela respondeu, sem desviar o olhar da paisagem.
Um canto sutil da boca dele se moveu.
— Você não se impressiona facilmente.
— Eu não me distraio facilmente.
O carro parou diante da entrada principal.
A fachada era imponente, feita de vidro e pedra escura, com linhas modernas e iluminação discreta que destacava cada detalhe arquitetônico. Nada gritava luxo.
Mas tudo dizia domínio.
Antes que o motorista abrisse a porta, Dante saiu primeiro.
Sem pressa.
Sem olhar para trás.
Como se já soubesse que ela o seguiria.
Alina abriu a própria porta.
Saiu.
E ergueu o olhar.
A mansão parecia ainda maior de perto.
Alta. Silenciosa. Intimidante.
Ela respirou fundo.
Não demonstraria impacto.
Não para ele.
Dante já estava na escadaria, esperando.
— Bem-vinda — disse, simplesmente.
Não havia calor na palavra.
Mas também não havia indiferença.
Era… aceitação.
Alina subiu os degraus com passos firmes.
— Isso tudo é para impressionar visitas… ou para lembrar quem manda? — perguntou.
— Para eliminar dúvidas.
Resposta direta.
Ela assentiu levemente.
Fazia sentido.
—
O interior era ainda mais impactante.
Pé-direito alto.
Ambientes amplos.
Vidros que deixavam a luz natural entrar de forma controlada.
Móveis minimalistas, mas claramente exclusivos.
Nada ali era excessivo.
E, ainda assim, tudo era caro.
Muito caro.
Alina caminhou alguns passos, observando.
Não como uma convidada.
Mas como alguém que avaliava um novo território.
— Você mora sozinho? — perguntou.
— Sim.
— Sem família?
— Não.
A resposta foi curta.
Encerrada.
Ela não insistiu.
— Funcionários?
— O necessário.
Como tudo nele.
Sem excesso.
Sem explicação.
Sem abertura.
Alina girou lentamente no centro da sala, absorvendo o espaço.
— E onde exatamente eu entro nisso?
Dante a observava.
— Você já entrou.
Ela virou o rosto para ele.
— Eu não estou falando da casa.
— Nem eu.
Silêncio.
A tensão entre os dois parecia mais forte ali dentro.
Mais próxima.
Mais real.
— Quero ver o quarto — disse ela.
Sem hesitar.
Sem timidez.
Dante sustentou o olhar por um segundo.
— Claro.
Ele virou e começou a caminhar.
Ela o seguiu.
—
O corredor era amplo, silencioso, com iluminação indireta e obras de arte cuidadosamente posicionadas nas paredes.
Nada aleatório.
Nada pessoal demais.
Tudo… calculado.
Eles pararam diante de uma porta.
Dante a abriu.
— Este é o seu.
Alina entrou.
O quarto era grande.
Elegante.
Cores neutras, cama ampla, janelas do chão ao teto com vista para a cidade, closet integrado e um banheiro que parecia uma suíte de hotel cinco estrelas.
Mas o que chamou atenção não foi o luxo.
Foi a separação.
Ela virou lentamente para ele.
— Meu quarto?
— Sim.
— Separado do seu.
— Sim.
Ela cruzou os braços.
— Interessante.
— Prático.
— Estratégico.
— Necessário.
O jogo de respostas continuava.
Ela deu alguns passos pelo quarto, analisando cada detalhe.
— Então você realmente pretende seguir o contrato à risca.
— Sempre.
Ela parou diante da janela.
A vista era alta.
Distante.
Bonita.
Fria.
— E quando estivermos em público? — perguntou.
— Atuamos como esperado.
— E em privado?
— Cada um no seu espaço.
Ela assentiu lentamente.
— Isso facilita.
— Evita complicações.
Ela virou o rosto para ele.
— Você tem muita certeza de que consegue controlar tudo.
— Eu controlo o que é relevante.
— E o que não é?
— Não me interessa.
Silêncio.
Mas havia algo ali.
Algo que não se encaixava perfeitamente naquela lógica fria.
Alina caminhou até ele.
Parou a poucos passos.
Mais perto do que o necessário.
— E se algo fora do controle acontecer? — perguntou, mais baixa.
Os olhos dele se fixaram nos dela.
— Não vai.
— Você não pode garantir isso.
— Posso.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Convicção demais costuma falhar.
Ele deu um passo à frente.
Agora estavam próximos.
Muito próximos.
— E dúvida demais costuma destruir.
O ar ficou mais pesado.
Mais quente.
Mais carregado.
Alina não recuou.
— Então vamos ver quem está certo.
Dante a observava de forma diferente agora.
Não apenas avaliando.
Mas… interessado.
— Eu não perco controle — disse ele.
Ela sustentou o olhar.
— Todo mundo perde.
Um segundo.
Dois.
Ninguém se moveu.
Ninguém quebrou o contato.
E, naquele espaço mínimo entre os dois…
havia tensão suficiente para incendiar qualquer regra.
Alina foi a primeira a recuar.
Um passo.
Lento.
Controlado.
— Quero deixar outra coisa clara — disse ela.
Dante não respondeu.
Apenas esperou.
— Eu estou aqui por um acordo.
— Eu também.
— Eu não vou me moldar a você.
— Eu não pedi isso.
— Nem vou permitir que você tente.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Veremos.
Ela estreitou os olhos.
— Isso não é um desafio.
— Tudo é.
Silêncio.
Mas agora não era desconfortável.
Era… elétrico.
— Quando é o anúncio oficial presencial? — ela perguntou.
— Hoje à noite.
Ela arqueou a sobrancelha.
— Rápido.
— Eficiente.
— E você já decidiu tudo.
— Como sempre.
Ela soltou um pequeno riso.
— Claro.
Dante se afastou um pouco.
— Você terá uma equipe chegando em uma hora. Estilista, assessoria, preparação para a imprensa.
— Eu não pedi isso.
— Faz parte.
— Eu não sou um projeto.
— Não.
Uma pausa.
— Mas agora é uma imagem.
Ela absorveu aquilo.
Não gostou.
Mas entendeu.
— Certo.
Silêncio.
Ele se virou para sair.
Mas antes de atravessar a porta, parou.
— Alina.
Ela levantou o olhar.
— Sim?
— Não ultrapasse limites que não pode sustentar.
Ela sustentou o olhar dele.
— Não me dê limites que não pode controlar.
O canto da boca dele se moveu.
Quase um sorriso.
Quase.
E então ele saiu.
A porta se fechou.
O quarto ficou em silêncio.
Mas dentro dela…
não.
Alina caminhou lentamente até o centro do quarto.
Olhou ao redor.
Aquele lugar.
Aquela casa.
Aquele homem.
Nada ali era simples.
Nada ali era seguro.
E, ainda assim…
ela estava ali.
Por escolha.
Por necessidade.
Por algo que ainda nem sabia nomear.
Ela respirou fundo.
E murmurou para si mesma:
— É só um contrato.
Mas, no fundo…
já não parecia apenas isso.







