Mundo ficciónIniciar sesiónNatalie Alves perdeu tudo. Após um divórcio devastador, ela se vê sem dinheiro, sem apoio e, o pior de tudo: sem a guarda da filha de seis anos. Com o prazo para recorrer da justiça se esgotando e apenas moedas na conta bancária, o destino coloca um monstro — ou um anjo — em seu caminho. Maximus é um bilionário frio que guarda um segredo sombrio. Sua esposa, Tessa, desapareceu, colocando em risco sua imensa fortuna e o controle de suas empresas. Ele precisa de uma substituta. Ele precisa de Natalie. O acordo é simples: 30 dias. Milhares de reais. Uma nova identidade. Natalie deve se tornar Tessa. Ela deve usar o perfume dela, morar na casa dela e dormir na cama dela. Mas há uma regra fatal: nunca perguntar o que aconteceu com a verdadeira Tessa. Entre o luxo sufocante e o olhar gélido de Maximus, Natalie descobre que o preço de recuperar sua filha pode ser a sua própria vida. Quando o desejo começa a se misturar ao contrato, ela terá que decidir: está sendo amada por quem é, ou apenas sendo o fantasma de uma mulher que Maximus não consegue esquecer?
Leer másUm ano depois.O sol nascia atrás das montanhas quando a mansão despertou. Não o sol pálido do inverno, não o sol tímido das manhãs cinzentas. Era um sol dourado, vibrante, daqueles que pintam o céu de laranja e rosa e prometem dias de felicidade. As flores no jardim estavam abertas. As árvores balançavam com o vento leve. A piscina refletia o céu como um espelho líquido.Eu estava no meu quarto — no nosso quarto — com os olhos fixos no espelho. O vestido branco caía sobre o meu corpo como uma segunda pele. O véu longo, transparente, bordado com flores de seda. Os sapatos de salto prateado brilhavam sob a luz da manhã. O buquê de lírios e rosas brancas descansava na mesa de cabeceira, ao lado da foto de Sophia, ao lado da aliança de ouro branco, ao lado da carta de Tessa.Não. A carta de Tessa estava no meu colo. Eu ainda não tinha aberto.A Sra. Winters não estava ali. Não podia estar. Ela ainda cumpria pena, em uma penitenciária feminina no interior do estado. Eu não a visitei depoi
O sol da manhã entrava pelas janelas da sala de audiências, mas não havia calor naquele lugar. Apenas o peso da justiça, o eco das palavras, o martelo do juiz batendo uma última vez. Eu estava sentada na primeira fila, ao lado de Maximus. O braço dele ainda estava enfaixado, o ombro ainda doía, mas ele estava ali. Firme. Vivo. Ao meu lado.Tessa estava na frente do juiz, com o uniforme cinza da prisão, o cabelo preso, o rosto pálido. Ela não olhou para trás. Não procurou meu olhar. Não procurou ninguém. Apenas ficou ali, ereta, aceitando o peso das suas escolhas.— Tessa Allegro — o juiz anunciou, a voz grave, cansada —, a senhora foi condenada por sequestro, lesão corporal grave, participação em organização criminosa e homicídio qualificado. A pena inicial seria de trinta anos. Em razão da colaboração com a justiça e do seu arrependimento demonstrado, a pena é reduzida para doze anos.O martelo bateu.O som ecoou.Tessa fechou os olhos.Doze anos.Doze anos longe do mundo. Doze anos
No dia seguinte, o telefone tocou.Era o hospital. Tessa tinha recebido alta. Não da prisão — da ala de observação. O ferimento estava cicatrizado. A infecção tinha passado. — Ela pediu para falar com você — a enfermeira disse. — Antes de ser transferida.— Eu vou.Cheguei no hospital no fim da tarde. O sol se punha atrás dos prédios, pintando o céu de laranja e rosa. O mesmo sol da mansão. O mesmo sol dos dias com Sophia. O mesmo sol do começo de tudo.Tessa estava sentada na cama, com a roupa comum do hospital, os cabelos escuros presos em um rabo de cavalo. O ombro ainda enfaixado, mas o rosto mais corado. Os olhos mais vivos.— Natalie.— Tessa.— Obrigada por vir.— Eu não vim por você.Ela sorriu. O sorriso triste de quem já ouviu essa frase antes.— Eu sei. Ninguém vem por mim.Sentei na cadeira ao lado da cama. O mesmo lugar onde Maximus sentou quando eu estava no hospital. O mesmo lugar onde eu chorei. O mesmo lugar onde eu esperei.— O que você vai fazer agora? — perguntei.
Dias depois. O sol entrava pelas janelas gradeadas da sala de visitas da penitenciária, mas não aquecia. A luz era fria, branca, impessoal, como tudo naquele lugar. As paredes cinzentas. O chão de cimento. O cheiro de desinfetante e desespero. Eu estava sentada em uma cadeira de plástico duro, com as mãos postas sobre a mesa de metal, os dedos entrelaçados, as unhas cravadas na pele. Não sentia dor. Não sentia nada.A porta do fundo se abriu. Os passos arrastados. As algemas tilintando. A Sra. Winters entrou, escoltada por uma agente penitenciária de rosto duro. O cabelo, antes sempre preso em um coque impecável, agora estava solto, bagunçado, grisalho. O uniforme laranja caía frouxo no corpo magro. O rosto marcado por olheiras profundas, por rugas que eu não lembrava de ter visto, por uma expressão de cansaço que não vinha só da prisão. Vinha de dentro.Ela me viu. Os olhos marejaram. Os lábios tremeram.A agente destrancou as algemas. A Sra. Winters esfregou os punhos. Sentou na cad





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