O relógio na parede do fórum, de um branco encardido pelo tempo, marcava 11h47 quando o juiz bateu o martelo. Para o mundo, era apenas o fim de mais uma audiência de custódia em uma manhã de terça-feira. Para mim, foi o som da guilhotina. Não foi um estrondo de justiça; foi um clique seco, quase educado, o som de madeira polida encontrando madeira polida. Como se o magistrado estivesse apenas carimbando um formulário de imposto burocrático, e não arrancando o meu coração do peito para servi-lo em uma bandeja de prata ao homem que eu mais odiava.— Guarda concedida ao pai — sentenciou o juiz com uma voz monótona, sem sequer desviar os olhos dos papéis à sua frente.O ar sumiu dos meus pulmões. Tentei falar, mas minha garganta parecia cheia de vidro moído. Minha advogada, Dra. Heloísa, tocou meu braço. Foi um toque profissional, desprovido de calor, o tipo de gesto que se reserva para quem já perdeu muito antes de entrar no tribunal.— Cabe recurso, Natalie. Mas precisamos de...Ela não
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