Mundo ficciónIniciar sesiónAurora passou sete anos ao lado de Vicente Aragão. Foram anos construindo sonhos, dividindo a mesma casa e planejando um futuro que parecia cada vez mais próximo. O casamento estava marcado. O vestido escolhido. A lua de mel reservada. Então, duas semanas antes da cerimônia, uma mulher voltou do passado. Lavínia. A ex-namorada que abandonou Vicente quando ele estava doente, falido e sozinho. Agora ela afirmava estar morrendo. Consumido pela culpa e pela compaixão, Vicente decide realizar todos os desejos da ex. Primeiro, um jantar. Depois, uma viagem. Depois, uma sessão de fotos. Até que ele cruza a última linha. Usando a decoração, o salão, os convidados e tudo o que havia sido preparado para Aurora, Vicente encena um casamento com Lavínia para realizar o último desejo de uma mulher supostamente condenada. E cada vez que Aurora tenta reagir, recebe a mesma resposta: "Ela está morrendo." "Estou fazendo isso por pena." "Você precisa entender." Humilhada, abandonada e acusada de egoísmo por todos ao seu redor, Aurora aceita um casamento arranjado com Dante Ferraz, herdeiro de uma das famílias mais poderosas do país. O problema? Dante está em coma. O que ninguém imagina é que esse casamento feito por obrigação mudará a vida de ambos. E quando Vicente finalmente descobrir que confundiu amor com pena, Aurora já terá encontrado alguém que a escolheu sem hesitar. Alguém que nunca a tratou como segunda opção. Alguém disposto a lutar por ela. Mas algumas perdas não podem ser reparadas. E alguns arrependimentos chegam tarde demais.
Leer másAurora sempre acreditou que existiam amores destinados a sobreviver ao tempo.
Era por isso que, mesmo depois de sete anos, ainda sorria toda vez que olhava para Vicente.
Naquela manhã, enquanto organizava os últimos detalhes do casamento na mesa da cozinha, ela o observava em silêncio.
Ele estava sentado diante do notebook, concentrado em uma reunião online, usando uma camisa social azul-marinho que combinava perfeitamente com seus olhos escuros.
Bonito.
Elegante.
Familiar.
Seu lar.
Dentro de dez dias, ele deixaria de ser apenas seu noivo para se tornar oficialmente seu marido.
Aurora sorriu sozinha.
Durante anos, imaginou aquele momento.
Não porque precisasse de uma cerimônia luxuosa.
Nem porque sonhasse com vestidos caros.
Mas porque queria construir uma família ao lado dele.
Queria envelhecer ao lado dele.
Queria todos os dias que viessem depois do casamento.
— Por que está me olhando desse jeito?
A voz dele interrompeu seus pensamentos.
Aurora percebeu que havia sido pega observando-o.
— Que jeito?
— Como se eu fosse uma obra de arte.
Ela riu.
— Talvez você seja.
Vicente fechou o notebook.
— Você está impossível hoje.
— E você está nervoso.
— Não estou.
— Está sim.
Ela se levantou da cadeira e caminhou até ele.
Com delicadeza, ajustou a gravata que ele nem precisava usar para uma reunião virtual.
— Senhor Vicente Aragão, você está nervoso porque vai se casar comigo.
— Acho que qualquer homem ficaria nervoso.
— Medroso.
— Realista.
Aurora deu um tapa leve em seu braço.
Vicente segurou sua cintura imediatamente.
— Violência doméstica antes do casamento?
— Estou repensando nossa união.
— Tarde demais.
Ele a puxou para perto.
Aurora fechou os olhos quando sentiu os lábios dele em sua testa.
Era simples.
Era tranquilo.
Era exatamente por isso que ela amava aquele homem.
Não existiam jogos.
Não existiam dúvidas.
Não existiam inseguranças.
Ao menos era o que ela acreditava.
— Hoje eu vou passar no salão para verificar os arranjos florais — contou.
— De novo?
— É o meu casamento.
— Nosso casamento.
— Ainda mais motivo para eu conferir.
— Você está obcecada.
— Você deveria agradecer.
— Eu agradeço.
Ele sorriu.
Aurora sentiu o coração aquecer.
Durante anos, Vicente foi seu porto seguro.
Ela esteve ao lado dele quando a empresa quase faliu.
Quando ele adoeceu.
Quando parte da própria família o abandonou.
Quando os amigos desapareceram.
Ela ficou.
Sempre ficou.
E faria tudo novamente.
Sem hesitar.
Porque amava aquele homem.
Mais do que a si mesma.
O celular de Vicente tocou.
Ele olhou para a tela.
E algo mudou.
Foi rápido.
Muito rápido.
Mas Aurora percebeu.
O sorriso desapareceu.
Os ombros enrijeceram.
O rosto perdeu a cor.
— Vicente?
Ele continuou encarando a tela.
Sem responder.
— O que aconteceu?
Ele finalmente atendeu.
— Alô?
Silêncio.
Aurora observou.
Os segundos passavam.
E a expressão dele piorava.
— Tem certeza?
Mais silêncio.
— Onde você está?
Aurora sentiu um desconforto estranho surgir dentro dela.
Vicente raramente ficava abalado.
Na verdade, ela nunca o tinha visto assim.
— Estou indo.
A ligação terminou.
— O que aconteceu?
Ele demorou alguns segundos para responder.
Segundos demais.
— É alguém do meu passado.
Aurora franziu a testa.
— Quem?
Vicente passou a mão pelos cabelos.
Como fazia sempre que estava nervoso.
— Lavínia.
O nome atingiu Aurora como uma corrente de ar gelado.
Lavínia.
A única mulher que existira antes dela.
A mulher que abandonou Vicente quando ele estava doente.
A mulher que desapareceu quando ele mais precisou.
A mulher cujo nome nunca mais foi mencionado naquela casa.
— O que ela quer?
Vicente desviou o olhar.
— Ela voltou.
Aurora sentiu o estômago apertar.
— Voltou?
— Sim.
— Depois de sete anos?
— Sim.
O silêncio entre eles tornou-se pesado.
Desconfortável.
Estranho.
Pela primeira vez em muito tempo.
Aurora não gostou da sensação que surgiu dentro dela.
Uma sensação que não conseguia explicar.
Como se algo estivesse prestes a mudar.
Como se o destino tivesse acabado de abrir uma porta que deveria ter permanecido fechada.
Então Vicente disse as palavras que mudariam tudo.
— Ela está morrendo.
O silêncio permaneceu na sala durante vários segundos.Ninguém ousava desligar o computador.A imagem congelada da senhora de cabelos brancos continuava iluminando o ambiente escuro, como se seu olhar atravessasse o tempo.Aurora respirava com dificuldade.Tudo aquilo mudava completamente a história de sua família.Ela não era apenas uma sobrevivente.Não era apenas filha de Helena e herdeira dos Ferraz.Sua existência inteira havia sido marcada por um segredo que atravessava gerações.Álvaro foi o primeiro a recuperar a voz.— Precisamos encontrar essa mulher.Gustavo balançou lentamente a cabeça.— Não será necessário.Todos olharam para ele.Ele caminhou até a mesa, retirou do bolso um pequeno envelope já amarelado e o colocou diante de Aurora.— Ela pediu que eu entregasse isso apenas depois que vocês assistissem ao vídeo.Aurora abriu o envelope com cuidado.Havia apenas uma folha dobrada.Reconheceu imediatamente a caligrafia elegante.Era da mesma senhora.Ela começou a ler em
A imagem de Gabriel ocupava toda a tela do notebook.O vídeo apresentava pequenas falhas.As cores estavam desbotadas pelo tempo.Mesmo assim, seu olhar permanecia firme.Sereno.Como se soubesse exatamente quem estaria diante daquela gravação muitos anos depois.Aurora sentiu um nó na garganta.Nunca conhecera o avô.Durante toda a vida, ouvira apenas histórias contadas por Helena.Agora podia finalmente escutar sua voz.Gabriel sorriu discretamente para a câmera.— Se você está vendo este vídeo, minha querida Aurora, significa que eu falhei em proteger sua mãe. Mas talvez ainda exista tempo para proteger você... e salvar alguém que todos acreditam estar perdido.O silêncio tomou conta da sala subterrânea.Nem mesmo os policiais ousavam interromper.Gabriel continuou.— Antes de qualquer coisa, preciso que saiba de uma verdade.Sua mãe nunca fugiu por medo.Ela partiu porque eu pedi.Aurora levou a mão à boca.As lágrimas surgiram imediatamente.Augusto permaneceu imóvel.Sentia o pei
A imagem de Gabriel ocupava toda a tela.O vídeo tinha baixa qualidade.Alguns ruídos interrompiam o áudio em determinados momentos.Mesmo assim, seus olhos transmitiam uma serenidade impressionante.Aurora permaneceu imóvel.Sentia como se estivesse diante do avô que nunca conheceu.Ao seu lado, Augusto respirava com dificuldade.Samuel enxugava discretamente as lágrimas.Gustavo continuava sentado diante da mesa.Não desviava o olhar da tela.Era evidente que conhecia aquela gravação, mas jamais a assistira até o fim.Gabriel sorriu levemente.— Se chegou até aqui, Aurora, significa que encontrou pessoas dispostas a lutar ao seu lado. Isso me consola.Ele fez uma breve pausa.Depois continuou.— Também significa que Helena não conseguiu escapar do destino que tanto temia.Aurora abaixou os olhos.Ouvir o nome da mãe na voz do avô tornava tudo ainda mais doloroso.— Não culpe sua mãe.Ela foi muito mais forte do que qualquer um de nós.Lutou quando eu já não podia lutar.Protegeu voc
O relógio permanecia imóvel.O ponteiro dos segundos voltara a parar exatamente na mesma posição.Oito.Quinze.Aurora observava o mostrador enquanto Samuel permanecia em silêncio, mergulhado nas próprias lembranças.Ninguém ousava interrompê-lo.Depois de alguns minutos, ele respirou profundamente.— Gabriel sempre dizia que os códigos mais seguros eram aqueles escondidos diante dos olhos de todos.Álvaro fechou o notebook que utilizava para catalogar as provas.— O senhor lembrou de alguma coisa?Samuel assentiu.— Não é um horário.Nunca foi.É uma referência aos antigos registros das propriedades da Fundação São Gabriel.Augusto franziu a testa.— Explique.O velho caminhou até uma das mesas da sala.Pegou uma folha em branco.Desenhou rapidamente um antigo mapa cadastral.— Antes da informatização, todas as terras eram identificadas por setor e lote.O setor aparecia primeiro.Depois vinha o número do lote.Ele escreveu lentamente:Setor 8. Lote 15.Aurora sentiu o coração aceler










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