Mundo de ficçãoIniciar sessãoPor três anos, Aurora Montenegro foi a esposa perfeita. Casou-se por contrato com Dante Castelli, um dos empresários mais poderosos do país, para salvar a empresa falida de sua família. Em troca, ele ganharia a imagem de homem estável que precisava para fechar um acordo bilionário. Mas Dante nunca a amou. Frio, distante e obcecado pela ex-namorada Valentina Moretti, ele transforma a vida de Aurora em um verdadeiro inferno. Enquanto Aurora tenta conquistar um mínimo de carinho do marido, Valentina retorna do exterior disposta a tomar o lugar que acredita ser seu. Humilhada, traída e desprezada, Aurora finalmente desiste. Ela pede o divórcio. E é exatamente quando a perde que Dante percebe que destruiu a única mulher que realmente o amou. Mas será tarde demais?
Ler maisCapítulo 1 — Como Tudo Começou
A chuva caía incessantemente sobre a cidade naquela noite, transformando as luzes dos prédios em manchas borradas através das janelas molhadas. Aurora Montenegro observava as gotas escorrerem pelo vidro do escritório do pai enquanto apertava o contrato entre os dedos. O papel parecia mais pesado do que deveria, como se carregasse o peso de todo o seu futuro. — Não existe outra saída? — perguntou em voz baixa. Do outro lado da mesa, seu pai suspirou profundamente. Nos últimos meses, ele parecia ter envelhecido anos. As rugas estavam mais marcadas, os ombros curvados e o brilho determinado que sempre existira em seus olhos havia sido substituído por um cansaço silencioso. A empresa da família estava à beira da falência. Décadas de trabalho, dedicação e conquistas corriam o risco de desaparecer por causa de uma sequência de investimentos fracassados. Funcionários seriam demitidos, fornecedores ficariam sem receber e até mesmo a casa onde viveram por toda a vida estava prestes a ser tomada pelo banco. — Existe — respondeu ele depois de alguns segundos. — Mas nenhuma que salve todos. Aurora abaixou os olhos para o documento. As palavras pareciam gritar diante dela. Casamento por contrato. Duração de três anos. Nenhuma obrigação amorosa. Nenhum envolvimento emocional. Apenas uma união de aparências. Em troca, a empresa Montenegro seria resgatada. Seu olhar deslizou até a última página, onde estava escrito o nome do homem com quem dividiria aquele acordo. Dante Castelli. O empresário mais rico do país. Aurora jamais o conhecera pessoalmente, mas sabia quem ele era. Todos sabiam. Seu nome aparecia constantemente em revistas de negócios, programas de televisão e manchetes econômicas. Era conhecido por sua inteligência, sua fortuna e, principalmente, pela frieza com que conduzia seus negócios. — Ele concordou com isso? — perguntou. Seu pai desviou o olhar antes de responder. — Na verdade, foi uma exigência dele. Aquelas palavras a atingiram de maneira inesperada. Dante Castelli sequer a conhecia e, ainda assim, exigira aquele casamento. Não como alguém que desejava construir uma família, mas como um homem fechando mais um negócio vantajoso. Aurora respirou fundo. Não queria aquilo. Não queria se casar com um desconhecido. Mas também não suportava a ideia de assistir à ruína de tudo o que sua família havia construído. Depois de alguns instantes de silêncio, pegou a caneta e assinou. Naquele momento, acreditava estar salvando a empresa. Não fazia ideia de que estava assinando o início dos anos mais difíceis de sua vida. O casamento aconteceu duas semanas depois. Foi uma cerimônia impecável. Luxuosa. Perfeita aos olhos de qualquer pessoa que observasse de fora. Fotógrafos registravam cada instante, empresários trocavam cumprimentos elegantes e jornalistas comentavam a união que dominava os noticiários. Mas por trás de toda aquela beleza não havia amor. Não havia felicidade. Havia apenas um contrato. Aurora caminhou até o altar usando um vestido magnífico, desenhado especialmente para a ocasião. Qualquer mulher teria sonhado com aquele momento. Ela, porém, sentia apenas um vazio crescente. Quando seus olhos encontraram Dante, compreendeu imediatamente por que tantas pessoas falavam sobre ele. Era um homem impressionante. Alto, elegante e dono de traços marcantes. Os cabelos escuros estavam perfeitamente alinhados e os olhos negros possuíam uma intensidade quase intimidadora. Mas não havia calor algum naquele olhar. Durante toda a cerimônia, ele permaneceu distante. Não segurou sua mão além do necessário e tampouco tentou esconder a indiferença que sentia. Quando a celebração terminou e os convidados foram embora, seguiram para a mansão Castelli. O silêncio que os acompanhou durante o trajeto pareceu interminável. Ao entrarem na residência, Aurora decidiu fazer uma tentativa. Precisariam conviver pelos próximos três anos. Talvez pudessem construir ao menos uma convivência amigável. — Acho que deveríamos nos conhecer melhor — disse. Dante retirou o paletó com tranquilidade. — Não é necessário. Aurora piscou, surpresa. — Somos casados. — Apenas no papel. Pela primeira vez naquela noite, ele a encarou diretamente. — Não crie expectativas, Aurora. Ela sentiu um desconforto apertar seu peito. — Eu não estou criando expectativas. — Espero que não. — Então por que se casou comigo? Dante sustentou seu olhar por alguns segundos. — Porque precisava. A resposta foi curta, mas suficiente para fazê-la compreender que não receberia explicações. — Seu quarto fica no corredor da esquerda — acrescentou antes de virar as costas. Aurora permaneceu imóvel enquanto o observava desaparecer. A primeira noite de casamento terminou com ela sozinha. E, de certa forma, os anos seguintes não seriam muito diferentes. Os meses passaram. Depois vieram os anos. Aurora continuou tentando diminuir a distância entre eles. Aprendeu qual era o café preferido de Dante, esperava acordada quando ele chegava tarde e organizava jantares na esperança de que passassem algum tempo juntos. Mas ele permanecia inalcançável. Frio. Distante. Como se uma muralha invisível os separasse. Ainda assim, Aurora não desistiu. Talvez porque, aos poucos, tivesse se apaixonado. Apaixonou-se não pelo homem que todos conheciam, mas pelos raros momentos em que ele deixava escapar algo além da indiferença. Como na vez em que a levou ao hospital após ela torcer o tornozelo. Ou quando encontrou uma manta cuidadosamente colocada sobre seus ombros depois de adormecer no sofá da biblioteca. Eram gestos pequenos. Insignificantes para qualquer outra pessoa. Mas suficientes para alimentar a esperança de que existia alguém diferente escondido atrás daquela frieza. Até que tudo mudou. Porque alguém retornou à cidade. Alguém que jamais deveria ter voltado. A notícia chegou durante um jantar beneficente. Aurora estava ao lado de Dante quando ouviu uma voz feminina chamá-lo. — Dante... Ela sentiu o corpo dele ficar rígido imediatamente. Ao se virar, encontrou uma mulher deslumbrante caminhando em sua direção. Os cabelos negros caíam em ondas perfeitas sobre os ombros. O vestido vermelho destacava sua beleza e o sorriso confiante revelava alguém acostumado a conseguir tudo o que desejava. Sem hesitar, a mulher envolveu Dante em um abraço. — Senti sua falta. Aurora observou a cena em silêncio. E então viu algo que jamais tinha visto durante os três anos de casamento. Dante sorriu. Não foi um sorriso educado ou protocolar. Foi um sorriso verdadeiro. Daqueles que transformam completamente um rosto. O coração de Aurora afundou. — Valentina... O nome escapou dos lábios dele quase como uma lembrança preciosa. A mulher finalmente voltou sua atenção para Aurora. Seu olhar percorreu cada detalhe dela com uma calma calculada. — Então você é a esposa dele. Aurora estendeu a mão educadamente. — Prazer em conhecê-la. Valentina ignorou o gesto. — Você é mais simples do que imaginei. O comentário veio acompanhado de um sorriso aparentemente gentil, mas carregado de veneno. Aurora sentiu a humilhação queimar em seu rosto. Ainda assim, o pior não foi a ofensa. Foi olhar para Dante esperando que ele dissesse alguma coisa. Qualquer coisa. E perceber que ele permaneceu em silêncio. Absolutamente em silêncio.A música clássica preenchia o grande salão da Fundação Castelli.Os convidados conversavam entre taças de espumante e sorrisos discretos. Empresários, artistas, jornalistas e representantes de instituições beneficentes admiravam a decoração que havia se tornado o assunto da noite.— Quem foi o responsável por essas flores?— Uma florista chamada Aurora Montenegro.— Ela tem um talento extraordinário.Aurora caminhava entre as mesas, certificando-se de que tudo estava impecável. Ainda usava o mesmo macacão verde-esmeralda, mas agora os cabelos estavam soltos em ondas suaves. Ela não buscava chamar atenção.Mesmo assim...Era impossível não notar sua presença.Do outro lado do salão, Dante acompanhava cada movimento dela.Não por obsessão.Mas porque, depois de tantos anos ignorando sua esposa, agora seus olhos pareciam incapazes de enxergar qualquer outra pessoa.Foi quando um homem se aproximou de Aurora.Alto, elegante e de sorriso fácil.— Então você é a famosa Aurora Montenegro?El
O salão principal da Fundação Castelli estava tomado pelo perfume das flores.Aurora caminhava entre os arranjos com uma prancheta nas mãos, conferindo cada detalhe. Rosas brancas, peônias em tons suaves, folhagens delicadas e pequenas luzes douradas transformavam o ambiente em um lugar digno de um conto de fadas.Era exatamente assim que ela gostava de trabalhar: colocando um pedaço da própria alma em cada criação.— A mesa principal precisa subir uns cinco centímetros... Isso. Agora ficou perfeito.Sua equipe correu para atender.Ela sorriu satisfeita.Quem a visse naquele momento jamais imaginaria a mulher insegura que existira anos antes. Aurora agora transmitia confiança, serenidade e elegância.Vestia um macacão de alfaiataria verde-esmeralda, os cabelos presos em um coque baixo e delicado, com alguns fios moldando seu rosto.Linda.Forte.Livre.Enquanto fazia as últimas anotações, ouviu um burburinho próximo à entrada.— O senhor Castelli chegou.Seu corpo inteiro congelou.Po
A manhã chegou envolta por uma luz dourada que atravessava as vitrines da Florescer como se cada raio de sol tivesse escolhido, cuidadosamente, onde repousar.Aurora destrancou a porta principal antes mesmo das oito.Respirou fundo.Ainda existia um hábito que nunca perdera: antes de qualquer cliente entrar, caminhava lentamente por toda a loja.Tocava as folhas.Endireitava um vaso torto.Retirava uma pétala caída.Cumprimentava cada flor como quem cumprimenta velhos amigos.— Bom dia... — murmurou, sorrindo para si mesma.Helena observava tudo da porta que ligava o café à floricultura.— Você conversa com elas de novo?Aurora riu.— Elas trabalham comigo. Merecem educação.— Um dia vão responder.— Acho que já respondem.Helena arqueou uma sobrancelha.Aurora abriu os braços, mostrando a loja cheia de cores.— Olha em volta...Helena fez o mesmo.Era impossível negar.A Florescer já não era apenas uma floricultura.Era um lugar onde as pessoas diminuíam o passo.Onde esqueciam o rel
O céu amanhecera coberto por nuvens densas.Não chovia.Mas o vento carregava aquele silêncio pesado que antecede as tempestades.Dante dirigia sem destino aparente para qualquer pessoa que o observasse.Para ele, porém, o caminho era automático.Todos os anos, no mesmo dia.Sem exceção.O carro atravessou os portões de ferro do cemitério da família Castelli.Ele desligou o motor e permaneceu alguns instantes imóvel.Respirando.Como se precisasse reunir forças antes de enfrentar aquele lugar.Pegou o pequeno buquê de lírios brancos que descansava sobre o banco do passageiro.Lírios.As flores favoritas dela.---O mausoléu da família era simples.Nada parecido com a ostentação que muitos imaginavam quando ouviam o sobrenome Castelli.Sua mãe jamais permitira exageros.— A grandeza de uma família não está no mármore... mas no caráter de quem carrega seu nome.Ela costumava repetir isso quando ele ainda era um menino.Dante sorriu sem perceber.Quantos anos fazia desde a última vez que





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