Mundo de ficçãoIniciar sessão"— Quanto você cobra por um ano inteiro de serviço? Preciso de um marido de aluguel urgente. Não teremos envolvimento sexual, é um casamento apenas no papel. Aquilo estava ficando cada vez mais divertido... — E o que exatamente faz você pensar que tem dinheiro suficiente para me pagar, senhorita? — Eu tenho minhas economias! — Ela bateu o contrato na mesa da sala VIP, determinada. — Assine logo isso, seja um bom marido de mentira, e prometo trabalhar duro todos os dias para cuidar e proteger você. Encarei aquele belo rosto profundamente. Eu sou Charles Kingston, ninguém nunca havia me ordenado a fazer algo e ninguém em toda a minha vida, havia me oferecido proteção antes. — Certo. — Peguei a caneta e sorri, achando graça daquela situação. — Eu aceito o trabalho." Isabel Linores está correndo contra o tempo. Traída da pior forma possível pelo próprio noivo e por sua cruel meia-irmã, ela recebe um ultimato: ou se casa antes do seu vigésimo quinto aniversário, ou perderá a grande herança do seu avô. Desesperada, ela decide comprar um marido temporário. Ela só não esperava confundir um garoto de programa com Charles Kingston. Pressionado por sua família tradicional a se casar com uma herdeira mimada, o misterioso CEO odeia mulheres interesseiras. Porém, ao ser "contratado" por Isabel, ele vê a oportunidade de ouro para conseguir uma esposa de conveniência que não terá direito ao seu dinheiro. O que o leva a uma vida dupla difícil de ocultar. De dia, Charles é um magnata. À noite, ele finge ser um homem humilde, sendo "sustentado" pelos turnos extras de Isabel. O que acontecerá quando Isabel descobrir que seu marido não é quem dizia ser?
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— Um minuto da atenção de vocês, por favor! — a voz de Simon Black, meu noivo, atraiu a atenção do salão de jantar do restaurante. Ele ergueu sua taça, sorrindo. Meu coração deu um salto de alegria no peito. Estávamos juntos há três anos e, finalmente, ele anunciaria a data do nosso casamento para as nossas famílias. Olhei para o lado e apertei a mão da minha mãe por debaixo da mesa. Ela estava muito pálida e frágil devido à grave doença que a consumia dia após dia, mas fez questão de colocar seu melhor vestido apenas para estar ali comigo. Do outro lado da mesa, meu pai e sua nova esposa, nos olhavam com tédio. E ao lado deles estava Stephanie, minha meia-irmã, brincando com a borda de sua taça com um sorriso que eu não consegui decifrar. — Reuni todos vocês aqui esta noite para compartilhar uma notícia maravilhosa — Simon continuou. — O amor é algo inesperado. Ele nos pega de surpresa e muda todos os nossos planos. Por isso, estou muito feliz em anunciar o meu noivado... com a mulher da minha vida. Stephanie Linores. O sorriso no meu rosto congelou. Minha mente demorou alguns segundos para processar o que ele tinha acabado de dizer. Stephanie? Ele se enganou de nome? Mas então, minha meia-irmã se levantou, radiante, e caminhou até Simon. Ele a puxou pela cintura e a beijou na frente de todos. Na minha frente! O som de vidro se quebrando me tirou do transe. Minha mãe havia deixado a taça cair no chão. — O que é isso, Simon? — minha voz não ocultava em nada a minha confusão. — Que palhaçada é essa?! Nós somos noivos! Simon me olhou com uma frieza que eu nunca tinha visto antes. Não havia remorso naqueles olhos esverdeados que eu tanto amava. — Não faça um escândalo aqui, Isabel — ele suspirou, como se eu fosse um grande incômodo. — Nós não dávamos certo há muito tempo. E como eu disse, o amor simplesmente aconteceu. Não pude evitar me apaixonar pela sua irmã. — O amor aconteceu?! — gritei, sentindo as lágrimas queimarem meus olhos. — Como vocês podem estar juntos? Stephanie, você é minha irmã! Qual a sua explicação para esse absurdo?! — Já chega, Isabel! — a voz grave do meu pai me fez encolher instintivamente. Ele me fuzilou com o olhar. — Pare de bancar a histérica e de envergonhar nossa família em público! Sente-se agora mesmo! — Eu estou envergonhando a família?! — apontei para Stephanie, que estava abraçada Simon, sorrindo cinicamente. — Ela roubou o meu noivo! — Ora, deixe de ser uma má perdedora, garota — minha madrasta revirou os olhos com profundo desprezo. — Simon é um homem de negócios, precisa de uma mulher sofisticada ao lado dele, não de uma coitada sem sal como você. Aceite a derrota com dignidade. — Aceitar a derrota? Como esperado... "filho de peixe, peixinho é". Parece que ensinou a ela seus métodos profissionais para roubar homens comprometidos, não é mesmo, Ester? — Isabel! — Meu pai gritou me repreendendo. De repente, um gemido agudo de dor chamou minha atenção. — Mãe! — gritei. Minha mãe estava com a mão apertando o peito e o rosto retorcido em agonia. A respiração dela se tornou curta e rápida antes que ela desabasse sobre a mesa, inconsciente. O desgosto e o choque daquela traição nojenta foram demais para o seu coração doente. — Alguém chame uma ambulância! Por favor! — implorei aos prantos, ajoelhando-me ao lado dela e segurando seu rosto frio. Enquanto os garçons corriam assustados e a confusão tomava conta do restaurante, senti uma presença ao meu lado. Stephanie se agachou perto de mim. O cheiro do perfume caro dela me deu náuseas quando ela aproximou os lábios do meu ouvido, cravando as unhas no meu ombro como se estivesse fingindo me consolar para quem olhasse de fora. — Sinto muito, irmãzinha. Acho que tirei de você o noivo e a fortuna de uma vez só. — O quê? — O vovô foi bem claro, não foi? Você só recebe o dinheiro se estiver oficialmente casada antes de completar vinte e cinco anos. Sem o Simon, você não tem casamento. E como faltam apenas dois meses para o seu aniversário... você não vai ver um único centavo daquela herança. Se eu não pude ter um centavo, você também não terá. — Esse era o seu plano desde o início, não é? Roubar o meu noivo só para me fazer perder o prazo do testamento? Ela deu uma risadinha e olhou com nojo para a minha mãe desmaiada. — Não pense muito no que eu fiz. É melhor começar a preparar o caixão da sua mamãezinha...ISABEL LINORES Minha manhã passou voando. O trabalho na ala de emergência exigia toda a minha energia e concentração. Assim que meu horário de intervalo para o almoço começasse, eu iria direto para a corretora de imóveis no centro da cidade. Com a minha mãe se recuperando tão bem e tão rápido, voltar para aquele apartamentinho de quarenta metros quadrados seria difícil. Charles tinha razão, nós precisávamos de mais espaço. Antes de sair do hospital, fui até a ala VIP para dar uma olhada na minha mãe, torcendo para que ela tivesse passado uma noite tranquila e sem dores. Empurrei a porta do quarto bem devagar, para não fazer nenhum barulho. Mas a enorme televisão estava ligada em um canal de notícias. E, sentada na beirada da cama, segurando um copo de suco com uma das mãos e ostentando um sorriso fraco, estava ela. Minha mãe estava acordada. Millie estava esparramada na poltrona ao lado da cama, descascando uma maçã e tagarelando sem parar para ela. — Mãe? As duas viraram o
CHARLES KINGSTON Assim que Chef Jacquin saiu, soltei a respiração que estava prendendo. Foi por muito pouco. Voltei minha atenção para Isabel. — Você disse que teve um dia terrível — comentei, apoiando os cotovelos no balcão e a observando com atenção. — O que aconteceu no hospital para te deixar com essa enxaqueca toda? Isabel suspirou, largando o garfo no prato vazio. — Foram a minha meia-irmã, Stephanie, e o meu ex-noivo. Eles tiveram a audácia de invadir o quarto da minha mãe hoje. — Eles foram perturbar a sua mãe recém-operada? — Sim. Foram lá para destilar veneno, rir da nossa desgraça e me humilhar. Simon teve a coragem de insinuar que eu consegui o dinheiro para a cirurgia me vendendo para velhos ricos... Fechei as mãos em punho debaixo do balcão. O desejo de encontrar esse tal de Simon e quebrar cada osso do rosto dele quase me dominou. — E o que você fez? — indaguei. Um sorriso pequeno e satisfeito surgiu nos lábios de Isabel. — Dei um tapa na cara dele
ISABEL LINORES — Charles... O que diabos um homem vestido de cozinheiro está fazendo no chão da nossa cozinha?! Minha mão voou para o fundo da bolsa, para encontrar o celular e discar para a polícia. Havia um invasor dentro da minha casa! E, por algum motivo bizarro, ele estava vestido com um uniforme de cozinheiro. — Charles, afaste-se dele! Vou ligar para a polícia! — gritei, sentindo a dor de cabeça piorar com o susto. — Não, não, não! Calma, Isabel! Pelo amor de Deus, calma! Charles deu um pulo assustado, agarrando o homem pelo braço. Com um puxão forte, ele ergueu o cozinheiro do chão, colocando-o de pé ao seu lado. Charles passou o braço pelos ombros do estranho, dando um sorriso tão nervoso e forçado que parecia que o rosto dele ia rachar. — Querida! Não é nenhum invasor. Abaixe o celular. Esse aqui é o... o... Pedro! — Pedro? — repeti, estreitando os olhos, com a mão ainda dentro da bolsa. — E por que o "Pedro" estava agachado no chão da minha cozinha como um fug
CHARLES KINGSTON Eu estava relaxado no minúsculo sofá da sala, com as pernas esticadas e o celular na mão. Mesmo num apartamento de quarenta metros quadrados no subúrbio, o trabalho de um CEO nunca para. Respondi a e-mails importantes, enquanto desfrutava de um aroma divino que tomava conta da casa. Na pequena cozinha, o Chef Jacquin, um dos cozinheiros mais caros e renomados da cidade, mexia as panelas com maestria. Ele estava preparando um risoto de lagosta. — Lembre-se, Jacquin — avisei sem tirar os olhos do celular. — Tem que parecer comida caseira. Nada de decorações sofisticadas. — Oui, monsieur Kingston. Pode deixar. O sabor será de um rei, mas a aparência será de um plebeu. — ele respondeu com seu sotaque forte. Tudo estava sob controle. Faltavam horas para o plantão de Isabel terminar. O chef terminaria o prato, deixaria tudo no fogão, a equipe de limpeza já havia ido embora e eu seria o marido do ano quando ela chegasse à noite. Até que a chave girou na fechadura





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