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ISABEL LINORES
— Um minuto da atenção de vocês, por favor! — a voz de Simon Black, meu noivo, atraiu a atenção do salão de jantar do restaurante. Ele ergueu sua taça, sorrindo. Meu coração deu um salto de alegria no peito. Estávamos juntos há três anos e, finalmente, ele anunciaria a data do nosso casamento para as nossas famílias. Olhei para o lado e apertei a mão da minha mãe por debaixo da mesa. Ela estava muito pálida e frágil devido à grave doença que a consumia dia após dia, mas fez questão de colocar seu melhor vestido apenas para estar ali comigo. Do outro lado da mesa, meu pai e sua nova esposa, nos olhavam com tédio. E ao lado deles estava Stephanie, minha meia-irmã, brincando com a borda de sua taça com um sorriso que eu não consegui decifrar. — Reuni todos vocês aqui esta noite para compartilhar uma notícia maravilhosa — Simon continuou. — O amor é algo inesperado. Ele nos pega de surpresa e muda todos os nossos planos. Por isso, estou muito feliz em anunciar o meu noivado... com a mulher da minha vida. Stephanie Linores. O sorriso no meu rosto congelou. Minha mente demorou alguns segundos para processar o que ele tinha acabado de dizer. Stephanie? Ele se enganou de nome? Mas então, minha meia-irmã se levantou, radiante, e caminhou até Simon. Ele a puxou pela cintura e a beijou na frente de todos. Na minha frente! O som de vidro se quebrando me tirou do transe. Minha mãe havia deixado a taça cair no chão. — O que é isso, Simon? — minha voz não ocultava em nada a minha confusão. — Que palhaçada é essa?! Nós somos noivos! Simon me olhou com uma frieza que eu nunca tinha visto antes. Não havia remorso naqueles olhos esverdeados que eu tanto amava. — Não faça um escândalo aqui, Isabel — ele suspirou, como se eu fosse um grande incômodo. — Nós não dávamos certo há muito tempo. E como eu disse, o amor simplesmente aconteceu. Não pude evitar me apaixonar pela sua irmã. — O amor aconteceu?! — gritei, sentindo as lágrimas queimarem meus olhos. — Como vocês podem estar juntos? Stephanie, você é minha irmã! Qual a sua explicação para esse absurdo?! — Já chega, Isabel! — a voz grave do meu pai me fez encolher instintivamente. Ele me fuzilou com o olhar. — Pare de bancar a histérica e de envergonhar nossa família em público! Sente-se agora mesmo! — Eu estou envergonhando a família?! — apontei para Stephanie, que estava abraçada Simon, sorrindo cinicamente. — Ela roubou o meu noivo! — Ora, deixe de ser uma má perdedora, garota — minha madrasta revirou os olhos com profundo desprezo. — Simon é um homem de negócios, precisa de uma mulher sofisticada ao lado dele, não de uma coitada sem sal como você. Aceite a derrota com dignidade. — Aceitar a derrota? Como esperado... "filho de peixe, peixinho é". Parece que ensinou a ela seus métodos profissionais para roubar homens comprometidos, não é mesmo, Ester? — Isabel! — Meu pai gritou me repreendendo. De repente, um gemido agudo de dor chamou minha atenção. — Mãe! — gritei. Minha mãe estava com a mão apertando o peito e o rosto retorcido em agonia. A respiração dela se tornou curta e rápida antes que ela desabasse sobre a mesa, inconsciente. O desgosto e o choque daquela traição nojenta foram demais para o seu coração doente. — Alguém chame uma ambulância! Por favor! — implorei aos prantos, ajoelhando-me ao lado dela e segurando seu rosto frio. Enquanto os garçons corriam assustados e a confusão tomava conta do restaurante, senti uma presença ao meu lado. Stephanie se agachou perto de mim. O cheiro do perfume caro dela me deu náuseas quando ela aproximou os lábios do meu ouvido, cravando as unhas no meu ombro como se estivesse fingindo me consolar para quem olhasse de fora. — Sinto muito, irmãzinha. Acho que tirei de você o noivo e a fortuna de uma vez só. — O quê? — O vovô foi bem claro, não foi? Você só recebe o dinheiro se estiver oficialmente casada antes de completar vinte e cinco anos. Sem o Simon, você não tem casamento. E como faltam apenas dois meses para o seu aniversário... você não vai ver um único centavo daquela herança. Se eu não pude ter um centavo, você também não terá. — Esse era o seu plano desde o início, não é? Roubar o meu noivo só para me fazer perder o prazo do testamento? Ela deu uma risadinha e olhou com nojo para a minha mãe desmaiada. — Não pense muito no que eu fiz. É melhor começar a preparar o caixão da sua mamãezinha...






