Mundo de ficçãoIniciar sessãoCHARLES KINGSTON
Eu não deveria ter aceitado que ela me "contratasse" sem fazer uma verificação de antecedentes antes, mas havia algo em Isabel Linores que me deixou intrigado. — ...Você não tem classe, não tem dinheiro e, pelo visto, não tem dignidade. Parei no meio do passo. Meus olhos se estreitaram na direção de um homem engravatado e uma mulher pendurada no braço dele. Isabel estava paralisada, o que não lembrava em nada a mulher que me mandou assinar logo o contrato e "ser um bom marido". Dei poucos passos para alcançá-la. Envolvi sua cintura com minha mão, puxando-a contra o meu peito. — Algum problema aqui, querida? — E-Está tudo bem, Charles — Isabel gaguejou, ainda surpresa com a minha aproximação. — Estes são... minha irmã, Stephanie. E o Simon. Meu ex-noivo. Ah. Entendi tudo. O ex-noivo trocou a noiva pela irmã. De repente, a pressa dela para conseguir um "marido de aluguel" fez todo o sentido, apesar de que provavelmente não é só para sair por cima que ela precisa de um marido. Acho que vou precisar de um relatório detalhado sobre quem é Isabel Linores. Encarei o tal Simon de cima a baixo. Aquele cara era a materialização da mediocridade, o que Isabel viu nele? — É irônico você falar de classe usando um relógio falso que atrasa só de olhar — comentei, entediado. — Alguém com classe conseguiria saber a diferença entre um diamante verdadeiro e uma bijuteria barata. E você, claramente, fez a escolha errada. Isabel quase deu risada, mas se esforçou para segurar. Antes que o idiota pudesse responder, decidi que apenas insultá-lo não era o suficiente. Eu precisava deixar claro de quem ela era agora. Deslizei a mão da cintura de Isabel para a sua nuca, mergulhando os dedos nos cabelos dela. Os olhos dela se arregalaram antes de eu inclinar o rosto e colar os nossos lábios. Os lábios dela eram macios e, depois do choque inicial, senti Isabel arfar contra a minha boca e corresponder ao beijo. Quando nos separamos lentamente, ela estava com o rosto corado. Stephanie ofegou, escandalizada, e apertou o braço de Simon, puxando-o para trás com força. — Vamos embora daqui, Simonzinho! — ela chiou, olhando para mim com nojo e medo. — Não vamos ficar perto da Isabel e dessas amizades de gângster dela! Eles deram as costas e saíram andando rápido, quase tropeçando. Suspirei, soltando a cintura de Isabel. Gângster? Em menos de uma hora, fui confundido com um garoto de programa e com um mafioso. Meu currículo estava ficando impressionante hoje. O que vinha depois? Traficante? Isabel ainda tocava os próprios lábios com a ponta dos dedos, parecendo completamente desnorteada, mas logo balançou a cabeça e sorriu. — Uau... a boate treina vocês muito bem para improvisar! E a ofensa sobre o relógio? Genial! Você será o melhor marido de aluguel do mundo para lidar com as cobras da minha família. Apenas sorri, guardando as mãos nos bolsos. — Fico feliz em agradar minha cliente. Nos vemos no cartório amanhã? — Sem falta! Nove em ponto! [...] Na manhã seguinte, às oito e cinquenta e cinco, eu já estava no cartório. Seguindo as ordens rigorosas da minha nova "chefe" para parecer um cara normal, deixei meus ternos no armário. Vesti apenas uma camisa social branca de botões, calça escura e deixei o cabelo um pouco menos alinhado do que o normal. Isabel chegou correndo, esbaforida, com o mesmo ar de desespero do dia anterior. O processo era simples. Fomos chamados ao balcão e o juiz de paz começou a organizar a papelada do nosso casamento civil. — Preciso que os noivos confiram os dados nos documentos antes de assinarmos a certidão — disse o juiz, empurrando a prancheta na nossa direção. Isabel pegou a prancheta primeiro. Eu estava distraído olhando o relógio, calculando a que horas estaria livre para a minha reunião com os acionistas, quando percebi que ela estava imóvel. Muito imóvel. Olhei para o lado. Isabel estava com os olhos arregalados, encarando a folha de papel como se ela estivesse escrita em linguagem alienígena. — Algum erro na grafia do seu nome? Ela piscou e virou a cabeça lentamente na minha direção. — Seu... seu nome... — ela sussurrou gaguejando. — É mesmo Charles Kingston? Não era nome artístico da boate?! — Sim. Você quem concluiu que não era meu nome real e não deixou que eu esclarecesse. — Meu Deus... Você por acaso é algum parente distante dos donos da Kingston Te... Um estrondo violento interrompeu a frase dela. As portas do cartório foram escancaradas com tanta força que bateram contra a parede, fazendo o juiz de paz dar um pulo da cadeira e todos no recinto se virarem em choque para ver o que estava acontecendo. — ISABEL?!






