Mundo ficciónIniciar sesión"Eu não era a noiva, eu era o sacrifício." Na manhã do casamento mais esperado do ano, Pérola fugiu, deixando para trás uma dívida de 100 milhões e um noivo implacável. Para salvar sua família da ruína, Ana é forçada a vestir o branco e caminhar até o altar no lugar da irmã. Sob o véu, ela treme. No aperto de mão dele, ela sente o perigo. Gustavo Almeida já sabe que ela é a impostora, mas ele tem um plano pior do que a exposição: ele a manterá presa a um contrato de ferro. Ana terá que cumprir cada cláusula do acordo que era da irmã. E a cláusula mais obscura exige que ela esteja disponível para ele... em todos os sentidos. Presa entre o ódio de um homem traído e o desejo por quem nunca deveria tocar, Ana descobre que, naquele jogo de poder, o coração é o único contrato que ninguém pode assinar. "Você tem o rosto dela, Ana. Mas eu vou garantir que você grite o MEU nome."
Leer másCapítulo 1
O cetim branco do vestido de noiva era pesado, frio e parecia carregar o peso de um cadáver. Olhei para o reflexo no espelho do camarim luxuoso da Catedral da Sé e não reconheci a mulher que me encarava. Sob as camadas de renda francesa e a tiara de diamantes que valia mais do que a minha vida, eu não era Ana. Eu era um simulacro. Uma impostora. — Ela não vai voltar, Ana. Pare de olhar para a porta como se um milagre fosse acontecer. A voz do meu pai, Arthur Silva, soou como um estalo de chicote no silêncio do quarto. Ele estava parado no canto, as mãos trêmulas segurando um copo de uísque que ele certamente não deveria estar bebendo antes de me levar ao altar. — Ela fugiu com o Ricardo, não foi? — Minha voz saiu num sussurro rouco, a garganta seca pelo pânico. — Pérola nos abandonou. — Ela foi uma covarde! — Meu pai explodiu, batendo o copo na penteadeira de mármore. — Mas o contrato não se importa com os sentimentos da sua irmã. O contrato exige uma noiva da linhagem Silva. Se não houver um casamento hoje, às nove da manhã, o Gustavo Almeida executará a dívida. Sabe o que isso significa? Eu sabia. Significava o despejo da minha mãe doente da clínica onde recebia tratamento. Significava o nome da nossa família na lama e, muito provavelmente, o meu pai atrás das grades por fraude financeira. — Eu sou o sacrifício — eu disse, sentindo uma lágrima solitária ameaçar borrar a maquiagem impecável que as esteticistas levaram três horas para fazer. — Você está me vendendo para o homem que deveria ser meu cunhado. Meu pai se aproximou e segurou meus ombros. Não era um abraço de conforto; era um aperto de posse. — Você é a única que pode assinar aquele registro, Ana. Você tem o rosto dela, o mesmo sangue. Coloque esse véu, caminhe por aquele corredor e não abra a boca. O Gustavo quer o controle da fábrica e a aliança política que este casamento traz. Ele não vai notar a diferença sob a luz baixa da catedral. — Ele não é burro, pai. Gustavo Almeida é um predador. — Então seja uma atriz melhor do que ela foi — ele rosnou, puxando o véu de renda sobre o meu rosto. O mundo ficou nublado. A trama da renda transformou o luxo do camarim em uma névoa cinzenta. Eu respirei fundo, o espartilho apertando minhas costelas até o ponto de dor. Eu não estava indo para um sacramento; estava indo para um matadouro. As notas da marcha nupcial começaram a ecoar, vibrando no chão de mármore e subindo pelas solas dos meus sapatos de grife. Meu pai estendeu o braço. Eu o segurei como quem segura uma corda de enforcado. As portas duplas da catedral se abriram. O cheiro de milhares de lírios brancos e incenso me atingiu, uma fragrância que, para mim, cheirava a funeral. A elite de São Paulo estava lá, centenas de rostos curiosos e julgadores assistindo à "Pérola Silva" caminhar para o homem mais poderoso e temido do mercado financeiro. No final do corredor, ele estava lá. Gustavo Almeida parecia uma divindade sombria esculpida em granito. O terno preto sob medida abraçava seus ombros largos, e a postura ereta emanava uma autoridade que silenciava o ambiente. Ele não sorria. Gustavo nunca sorria. Seus olhos, escuros como uma noite sem lua, estavam fixos em mim enquanto eu avançava. Cada passo era uma mentira. Cada batida do meu coração era um grito de socorro que ninguém ouvia. Quando finalmente chegamos ao altar, meu pai entregou minha mão à dele. O contato físico foi como um choque elétrico de alta voltagem. Os dedos de Gustavo eram quentes, mas seu aperto era de aço. Ele não segurou minha mão com a delicadeza de um noivo; ele a reivindicou como um credor toma um bem penhorado. Ele se inclinou levemente em minha direção enquanto o padre começava o rito. O hálito dele, com notas de sândalo e perigo, roçou minha orelha sob o véu. — Você está tremendo, minha querida — ele sussurrou, a voz tão baixa e aveludada que me fez arrepiar de medo. — Mas as mãos de Pérola eram macias demais. As suas têm calos de quem trabalha demais em planilhas escondidas, não têm? Meu sangue congelou. Ele sabia. No primeiro segundo de toque, ele soube. Tentei puxar minha mão, mas ele a apertou com tanta força que a aliança de ouro — a aliança que deveria ser da minha irmã — cravou na minha pele. — Não tente fugir agora, Ana — ele continuou, o tom implacável. — O contrato de 100 milhões foi muito claro sobre a multa por quebra de acordo. Se a noiva original sumiu, a cláusula de contingência entra em vigor. E a cláusula diz que eu recebo uma esposa. — Gustavo, por favor... — eu tentei balbuciar, mas ele me cortou com um olhar que me reduziu a nada. — Você queria salvar seu pai? — Ele sorriu, um movimento cruel que não atingiu seus olhos. — Parabéns. Você acaba de assinar sua sentença. Você não é a Pérola, e isso é ótimo. Eu sempre achei sua irmã um tédio. Com você, eu vou me divertir muito mais enquanto cobro cada centavo que sua família me deve. O padre perguntou se eu aceitava Gustavo Almeida como meu legítimo esposo. Olhei para o altar, depois para o homem ao meu lado, que me encarava como um lobo encara uma presa encurralada. Eu vi meu pai no canto da visão, pálido, esperando o veredito. Se eu dissesse "não", a destruição era certa. Se dissesse "sim", eu pertenceria ao monstro. — Sim — minha voz saiu pequena, mas firme. Era o som da minha liberdade morrendo. Gustavo não esperou o padre terminar. Ele puxou meu véu com violência, expondo meu rosto pálido e meus olhos cheios de lágrimas para toda a congregação. Ele não me beijou com amor. Ele reivindicou minha boca em um beijo possessivo, carregado de uma fúria silenciosa que prometia uma noite de núpcias que eu jamais esqueceria. Quando ele se afastou, seus olhos brilhavam com uma satisfação sádica. — Bem-vinda à família Almeida, Ana. Agora, vamos assinar o registro. Há uma cláusula nova que adicionei esta manhã... e você vai odiar cada palavra dela. Ele me arrastou para a mesa de assinaturas. O papel branco estava lá, esperando por mim. O contrato que não falava de amor, mas de posse. E eu, sem saída, peguei a caneta, sabendo que estava entregando minha alma ao homem que me odiava.A penumbra do quarto era cortada apenas pelo brilho fantasmagórico da tela do telemóvel de Pérola, que eu mantinha escondido sob o travesseiro. Meus dedos tremiam tanto que quase deixei o aparelho escorregar sobre os lençóis de seda. Ao meu lado, Gustavo era uma silhueta de poder; sua respiração profunda indicava um sono que eu sabia ser leve. Ele não era o tipo de homem que baixava a guarda, nem mesmo durante o descanso. Cada fibra do meu ser gritava que eu estava a cometer uma loucura, mas a curiosidade era um incêndio que eu não conseguia apagar.A notificação no mapa piscava de forma intermitente, como um farol no meio de uma tempestade: Porto de Santos – Galpão 4.O que Pérola estaria a fazer num lugar decrépito como aquele? E por que a localização fora enviada justamente agora? Senti uma pontada de pânico. Se o meu pai realmente "vendeu" a nossa mãe num acordo obscuro há vinte anos, como o vídeo sugeria, o Porto de Santos poderia ser o lugar onde os registos dessa transação esta
A porta da suíte master se fechou com um clique definitivo, um som que ecoou como o bater de uma cela de prisão. O quarto, mergulhado em uma penumbra luxuosa, parecia ter diminuído de tamanho. Gustavo continuava a se desfazer das camadas de sua armadura de CEO: a gravata de seda preta foi jogada sobre a poltrona, seguida pelas abotoaduras de prata que brilharam sob a luz do luar que atravessava a imensa parede de vidro.Eu permanecia imóvel junto à porta, meus pulmões lutando para encontrar oxigênio. As palavras de Pérola no vídeo — *O papai vendeu a nossa mãe* — giravam na minha mente como um redemoinho.— Você não vai dizer nada? — perguntei, minha voz saindo mais firme do que eu esperava. — Você ouviu o que ela disse. Minha mãe está em uma clínica por causa de um colapso mental há anos. O que o meu pai tem a ver com o seu pai e com ela?Gustavo parou o que estava fazendo. Ele se virou lentamente, a camisa branca agora desabotoada no colarinho, revelando a base daquela cicatriz no o
Capítulo 6 O trajeto de volta após o almoço foi mergulhado em um silêncio sepulcral. Dentro da limusine, a fúria de Gustavo não era mais explosiva; era algo muito pior: uma frieza calculada que parecia drenar o calor do ambiente. Ele não me tocou, não me olhou. Apenas mantinha os olhos fixos em seu tablet, mas eu sabia, pelo modo como sua mandíbula estava travada, que cada palavra de Lucas Duarte ainda ecoava em sua mente. Eu olhava pela janela, observando os muros altos das mansões do Morumbi passarem como vultos. O peso da aliança no meu dedo parecia ter triplicado. Eu acabara de assinar o aditivo. Eu acabara de confirmar que, pelos próximos dois anos, minha vida não me pertencia mais. Quando a limusine finalmente parou diante dos portões de ferro da mansão Almeida, algo estava diferente. O motorista não avançou imediatamente. Um dos seguranças da guarita se aproximou da janela de Gustavo com uma expressão severa, segurando um envelope pardo lacrado dentro de um saco plástico tra
Capítulo 5 O almoço no Gero era uma extensão estratégica do campo de batalha, mas com talheres de prata e taças de cristal. Gustavo escolhera uma mesa posicionada no centro do salão, onde a luz do sol incidia diretamente sobre nós, transformando-nos no espetáculo principal para a elite paulistana. Ele agia como o marido perfeito, servindo o meu vinho com uma elegância ensaiada e mantendo uma conversa polida sobre a reestruturação da Tecidos Silva. Mas, por baixo da toalha de linho, a realidade era outra. A sua mão apertava o meu joelho de forma possessiva cada vez que um homem passava perto da nossa mesa, um lembrete constante de que eu era um território conquistado. — Estás tensa, Ana — murmurou ele, a voz baixa, logo após um gole de vinho tinto. — Devias estar a celebrar. Acabaste de destruir a influência do teu tio Roberto numa única manhã. Foi uma execução brilhante, digna de uma Almeida. — Não destruí nada, Gustavo. Apenas fiz o que era tecnicamente correto para salvar o patri
Capítulo 4Acordar com o braço de Gustavo Almeida prendendo meu corpo contra o dele foi o despertar mais amargo da minha vida. A luz da manhã de São Paulo filtrava-se pelas cortinas automáticas que se abriam lentamente, revelando um céu cinzento que combinava com o meu estado de espírito. Por um segundo, na semiconsciência do sono, o calor do corpo dele pareceu um refúgio, mas a realidade me atingiu como um balde de água gelada quando senti o metal da aliança em seu dedo roçar minha pele.Eu me desvencilhei dele com cuidado, mas Gustavo já estava acordado. Ele abriu os olhos — escuros e alertas, sem o menor sinal de sonolência — e me observou sentar na beirada da cama.— São seis horas — ele disse, sua voz rouca de sono, mas com a autoridade de sempre. — Temos exatamente quarenta e cinco minutos para estarmos prontos. O conselho da Tecidos Silva não é conhecido pela paciência.— Você não perde tempo, não é? — Respondi, sem olhá-lo, enquanto procurava meu robe no chão.— O tempo é a ún
Capítulo 3A subida pela escadaria de mármore da mansão Almeida pareceu uma marcha inevitável. Cada degrau que eu vencia, com a cauda do vestido de noiva arrastando atrás de mim, era um passo para mais longe da vida que eu conhecia. Gustavo não disse uma palavra. Apenas me guiava com a mão firme em minhas costas, um toque que eu não sabia se era apoio ou garantia de que eu não fugiria.O andar superior era silencioso, iluminado por luz indireta que destacava as obras de arte nas paredes. Paramos diante de uma porta de madeira escura e imponente.— Onde estão as minhas coisas? — perguntei, minha voz parecendo pequena no corredor amplo. — Eu vi as malas sendo trazidas do carro, mas não as vi no quarto de hóspedes onde Pérola ficaria.Gustavo abriu a porta e entrou primeiro, acendendo as luzes no painel digital. O quarto era amplo, com um luxo moderno e frio. No centro, uma cama king-size com lençóis de seda cinza dominava o espaço. No canto, perto do closet aberto, estavam minhas malas





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