Mundo de ficçãoIniciar sessão“Tia Branca, por que você vai embora? Meu coração só fica calmo quando você tá aqui…” Nada na vida de Branca Oliveira a preparou para perder mãe e filho no mesmo dia. Atordoada pelo luto, ela tenta se reerguer voltando ao trabalho como assistente social, mas o destino a coloca diante de Aelyn, uma garotinha frágil e doce que acabou de sobreviver a uma cirurgia cardíaca. O problema? O pai da menina. Cássio Raveli, juiz respeitado, arrogante, intenso demais… e o homem com quem Branca teve uma noite proibida no banheiro de um bar. Ele não confia nela. Ela não suporta a frieza dele. E os dois fingem que o passado não existiu. Até que Aelyn, inexplicavelmente, cria um vínculo profundo com Branca, um vínculo tão forte que o coração recém-transplantado da menina só se estabiliza quando ela está por perto. Quando Branca é injustamente demitida do hospital, Aelyn faz um pedido que muda tudo: que Branca se torne sua babá. Agora, vivendo sob o mesmo teto, Branca precisa lidar com um homem que a tira do sério, uma criança que desperta seu instinto mais profundo… e um segredo devastador que Cássio esconde desesperadamente: o coração que salvou sua filha pode destruir a mulher por quem ele começa a sentir mais do que deveria.
Ler maisBranca Oliveira
Eu não queria estar ali.
Tudo o que eu queria naquela noite era deitar, dormir e esquecer da vida. Mas minha melhor amiga, Lais, entrou no meu apartamento com uma tiara brilhando "ANIVERSÁRIO DA RAINHA" e uma garrafa de vodka na mão."Você vai sair comigo. Nem tenta fugir. Não é todo dia que se faz 28 anos."
Ela me arrastou antes que eu tivesse tempo de inventar uma desculpa.Eu estava cansada. Exausta. Mãe solo, plantão duplo chegando, contas acumuladas. Mas, no fim, aceitei. Talvez um pouco de barulho fosse melhor do que pensar demais e como ela disse, eu só faria 28 anos, uma vez na vida.
Minutos depois, estávamos num bar chique do centro, cheio de gente bonita e música alta. O tipo de lugar em que eu sempre me sinto invisível. E isso ficou ainda mais claro quando o bartender me ignorou pela quinta vez.
"Moço... uma cerveja, por favor?"
Nada. Ele nem olhou na minha direção.Lais já estava rindo com um desconhecido, enquanto eu tentava manter a dignidade apoiada no balcão.
"Moço? Aqui!" Ele novamente não olhou para mim, mas foi em direção a chopeira. "Finalmente."
O copo foi colocado diante de mim, e estiquei a mão para pegar, mas uma mão masculina o pegou primeiro e o levou embora.
Eu pisquei, achando que estava delirando.
Mas não. Ele pegou a minha bebida.Me virei na hora para reclamar, e quase perdi o ar. Um homem alto, terno preto mesmo num bar, cabelo escuro arrumado, postura de quem nunca ouviu a palavra "não". Ele me analisou devagar, como se estivesse decidindo se eu valia o incômodo.
"Acho que isso é meu", falei, cruzando os braços.
"O bartender colocou na minha direção, senhora." A voz dele era grave e calma demais para alguém que acabou de roubar uma bebida.
"Você só pode estar brincando comigo. Estava bem na minha frente. Você tem problema?" Ele arqueou a sobrancelha, como se eu fosse uma criança birrenta.
"Quem parece ter é você. Talvez precise ser mais rápida."
Eu pisquei, uma, duas vezes, tentando assimilar o que ele disse. Isso parece ter dado tempo para ele entender que tinha ganhado o jogo, mas ah! Não mesmo.
Pisei no pé dele.
Ele travou o passo, virou devagar, e me lançou um olhar que poderia ter me deixado em cinzas. Se eu fosse do tipo que recua fácil... mas não sou.
"Que porra foi isso?", ele perguntou. "Ficou maluca, mulher?"
"Isso foi pra você aprender a não roubar bebida dos outros." Aproximei o rosto do dele. "Você pode achar que qualquer um aqui tem que abaixar a cabeça para suas vontades, mas eu não."
Ele me encarou, tenso... e interessado. Deu pra ver em sua postura, ele não sabia esconder bem.
"Vai me dizer que você é uma daquelas pessoas vitimistas, que o mundo está sempre contra você? Eu só peguei o que era meu."
"Não sabia que roubar tinha mudado de definição."
Peguei o copo da mão dele e virei. Bebi metade do conteúdo.Ele soltou uma risada curta. "Audaciosa."
"Não. Só cansada de macho folgado."
Quando achei que não poderia ficar melhor, minha mente resolveu me deixar ainda mais baixa.
"Ops, caiu." derrubei o resto da bebida nele.
Ele olhou para o peito encharcado, depois para mim, e por um instante achei que ele fosse gritar.
"Você sabe que alguém já morreu por menos, né?", murmurou.
"Está me ameaçando por um acidente?" Meu coração dizia outra coisa, eu estava apavorada, mas minha boca sempre foi mais corajosa.
Ele inclinou a cabeça, me observando como se tentasse entender o que eu era.
"Quando te olhei de relance, te achei interessante, agora acho que você só é louca mesmo." bufei com sua ousadia.
"Qual é o seu problema comigo? Então fez tudo de caso pensado?"
"Não." A resposta veio rápida. "Eu tinha outros planos, mas estou ficando interessado com a forma que estamos lidando com isso."
Eu abri a boca para retrucar... mas ele aproximou o rosto, tão perto que eu senti o perfume dele.
"Vai continuar mordendo essa boca, ou quer que eu faça você parar?", ele provocou e soltei o lábio que eu nem tinha percebido morder.
O calor subiu para o meu rosto e a raiva virou algo que eu não soube nomear.
"Você é um idiota", sibilei.
"E você está louca pra meu beijar."
Neguei, mas era verdade. Algo em tudo isso tinha mudado. Era como se a raiva que eu sentia, tivesse acendido algo dentro de mim, que estava morto a mais de 5 anos.
"Tenho uma proposta para você. Quer continuar brigando, ou quer saber onde isso vai dar?", ele perguntou, firme.
"Que tipo de..."
Ele não deixou eu terminar.
O beijo veio forte, urgente, quebrando toda a lógica do momento. Meu corpo colou no dele sem que eu percebesse, minhas mãos subiram para a nuca dele, e ele segurou minha cintura como se já me conhecesse há anos.
Eu tinha que me afastar e meter a mão na cara daquele abusado, mas eu não consegui. Eu sentia tanta falta de contato masculino. Desde que me separei, meu mundo era só o Pedro e esse homem louco, tinha conseguido algo que eu nem imaginava que podia voltar a acontecer.
A música sumiu, o bar sumiu, Lais sumiu. Só existia ele, a boca dele, o calor dele.
"Vamos para outro lugar", murmurou contra meus lábios e apenas concordei com a cabeça.
Mal lembro como chegamos ao banheiro. A porta bateu atrás de nós, a tranca girando com um clique que soou alto demais no silêncio. Ele me virou de costas para a porta no mesmo segundo, as mãos já subindo pelas minhas coxas, erguendo o vestido com uma urgência que me fez ofegar.
"Você quer isso tanto quanto eu, não é?", ele sussurrou no meu ouvido, os dentes mordiscando a minha pele enquanto uma das mãos se infiltrava entre minhas pernas, sem pedir licença, só constatando o óbvio. Eu estava molhada pra caralho. Por ele. Por aquilo.
Eu empurrei os quadris contra a palma dele, pedindo mais sem palavras, e ele riu baixo, satisfeito, antes de me virar de novo e me beijar até eu esquecer meu próprio nome.
Foi rápido. Foi errado. Foi desesperado, suado, quase violento de tão necessário. E foi perfeito.
Quando saímos, ele ajeitou o terno com calma, como se nada tivesse acontecido, mas os olhos ainda queimavam quando cruzaram com os meus por um segundo. Eu puxei o vestido para baixo, as pernas trêmulas, o corpo inteiro latejando de um prazer que ainda ecoava.
Nenhum nome trocado. Nenhuma palavra além dos gemidos. Nenhuma promessa.
Só o gosto dele na minha boca.
Caminhei lentamente, procurando pela Lais, quando meu celular tocou.
Era do hospital que eu trabalhava e imaginei que alguma das assistentes sociais tinha faltado e eu teria que resolver o problema.
"Oi, você sabe que é meu dia de folga né?"
"Branca, é a Marina. Branca, por favor, venha para cá. Sua mãe e seu filho foram trazidos pelo resgate. Eles sofreram um acidente."
BrancaAcabei de fazer 80 anos.Sentada na minha velha espreguiçadeira, no jardim da casa que Cássio e eu construímos há uma vida inteira, observo a luz dourada do fim da tarde escorrer entre as árvores. O vento balança os galhos com delicadeza, trazendo o perfume doce do jasmim que plantei quando Aelyn ainda era uma menininha correndo descalça pelo quintal.Às vezes parece que foi ontem. Outras vezes, parece que vivi mil vidas.Ao meu lado, sobre a mesinha de madeira, fotografias antigas contam nossa história sem precisar de palavras. Rostos sorridentes. Abraços congelados no tempo. Instantes que se recusaram a desaparecer.O amor. As perdas. Os recomeços.Passo os dedos sobre uma das fotos e sinto o peito apertar com uma ternura antiga.Lembro do dia em que perdi meu Pedro. A dor foi tão profunda que pensei que nunca mais conseguiria respirar sem ela. Mas a vida, com sua teimosia generosa, encontrou um jeito de me devolver um pedaço dele.Então Aelyn chegou.Primeiro como a garotinh
SophiaUm ano e oito meses haviam se passado desde que tudo começou a se ajeitar.Eu tinha finalmente decidido: queria estudar Arquitetura. Entrei na faculdade, mergulhei nos estudos e descobri que era exatamente o que eu amava. Agora, estava de férias, e a família toda resolveu fazer uma viagem para celebrar a vida que tínhamos reconstruído. Escolhemos uma praia paradisíaca na Flórida, areias brancas, mar turquesa, coqueiros balançando com a brisa. Um lugar que parecia saído de um sonho.Rangel conseguiu férias no mesmo período e veio com a gente. Ele e Felipe agora se davam bem de verdade. Meu irmão ainda fazia cara feia de vez em quando, mas via o quanto Rangel me fazia feliz e, aos poucos, foi aceitando.Meu pai, que também tinha sua implicância, tinha aceitado mais cedo meu namoro, do que meu irmão ciumento. Mesmo com todos os problemas que ele tinha, mais o filho pequeno e a esposa em recuperação, ele adorava dar palpite no meu namoro."Aqui é lindo." Sussurrei e Rangel me olhou
FelipeDois meses haviam se passado desde que saímos do hospital.Dois meses de recuperação lenta, de noites acordados com Pedro, de Aelyn ganhando forças dia após dia. Hoje, finalmente, era o dia do nosso casamento.O jardim que escolhemos era pequeno, íntimo, perfeito. O sol das cinco da tarde pintava tudo de dourado suave, filtrando entre as árvores e iluminando as flores brancas, rosas claras e detalhes em amarelo pálido que decoravam o espaço. Nada exagerado. Nada grandioso. Apenas nós, nossa família e o amor que quase perdemos.Eu estava parado na frente do pequeno altar de madeira rústica, o coração batendo forte. André, meu pai, estava ao meu lado, com a mão no meu ombro."Respira, filho. Ela vai aparecer."Eu sorri nervoso, ajustando a gravata pela décima vez."Eu sei. Mas… depois de tudo que passamos, parece que, se eu piscar, ela some."Ele apertou meu ombro com carinho."Ela não vai sumir. Ela nunca faria isso com você. Finalmente vocês estão realizando o sonho de vocês. F
AelynEu ainda estava fraca, mas acordada.A notícia se espalhou rápido. Em menos de uma hora, o quarto da UTI estava cercado pela minha família inteira. Meus pais, Laís e André, Serena, Sophia, Rangel… todos ali, com os olhos vermelhos e sorrisos trêmulos.A Dra. Helena entrou acompanhada de uma enfermeira, olhando para todos com um sorriso cansado, mas aliviado."A Aelyn está se recuperando bem. Os sinais vitais estão estáveis. Vamos transferi-la para um quarto comum em breve, mas ainda vamos mantê-la em observação rigorosa por mais alguns dias."Todos soltaram suspiros de alívio. Minha mãe apertou minha mão, chorando baixinho."Graças a Deus, minha filha… Graças Deus."A médica hesitou por um segundo, olhando para mim e para Felipe."Preciso falar sobre algo importante." Ela respirou fundo. "Durante a cesariana de emergência, Aelyn sofreu uma hemorragia muito grave. O coração dela quase não suportou a gravidez. Quando a hemorragia começou, o organismo entrou em colapso. Conseguimo





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