Mundo de ficçãoIniciar sessãoSINOPSE — Entre Irmãos Sarah acreditava que Jack era o amor da sua vida. Impulsiva, apaixonada e completamente entregue, ela passou uma única noite ao lado dele… apenas para descobrir, na manhã seguinte, que para Jack tudo não significou nada. Humilhada e com o coração destruído, Sarah desaparece sem imaginar que aquela noite deixaria marcas muito maiores do que uma simples decepção. Anos depois, uma verdade devastadora muda tudo: o homem com quem ela esteve naquela noite não era Jack. Era o irmão gêmeo dele. O mesmo homem que sempre a observou em silêncio. O mesmo que a amou escondido durante todos aqueles anos. Agora, entre sentimentos proibidos, segredos do passado e feridas que nunca cicatrizaram, Sarah precisará decidir em quem confiar… antes que o irmão errado destrua sua felicidade mais uma vez. Porque algumas mentiras não apenas partem corações. Elas mudam destinos.
Ler maisSarah
Ajeitei a alça do vestido no ombro enquanto atravessava o corredor apertado da república. O cheiro de cerveja velha e cigarro impregnava o ar, misturado ao som abafado de música vindo de algum quarto distante. O piso de madeira rangia sob meus passos rápidos, e cada porta entreaberta parecia esconder olhares curiosos demais para aquela manhã. Meu coração batia forte, não apenas pela raiva que começava a subir, mas pelo medo de parecer ridícula. Ridícula por ter acreditado que aquela noite significava algo. Ridícula por achar que Jack seria diferente. Eu ainda conseguia sentir o toque dele na minha pele. Ou pelo menos achava que conseguia. As lembranças da noite anterior vinham em flashes confusos: os dedos quentes deslizando pela minha cintura, os lábios próximos ao meu ouvido, a voz baixa dizendo coisas que agora pareciam mentira. Eu tinha passado anos apaixonada por Jack. Anos observando seus sorrisos tortos, suportando as garotas diferentes entrando e saindo da vida dele como se fossem apenas nomes esquecidos no dia seguinte. Mas comigo seria diferente. Precisava ser. Empurrei a porta da sala sem cerimônia. Jack estava largado no sofá, o braço jogado no encosto, rindo de algo que um amigo dizia. Uma garrafa de cerveja pendia entre os dedos. O mesmo sorriso torto da noite anterior estava ali — mas agora ele parecia não ter ideia do turbilhão que deixara no quarto de cima. A televisão ligada iluminava parcialmente o rosto dele, enquanto os amigos espalhados pela sala pareciam confortáveis demais para alguém que ainda nem deveria estar acordado. — Jack. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava. Ele levantou os olhos devagar, a sobrancelha arqueando com aquele ar de despreocupação que só ele parecia saber exibir. Por um instante, esperei algum sinal. Qualquer coisa. Um olhar diferente. Um sorriso mais íntimo. Um traço de culpa. Mas não havia nada. — Sarah? — Ele sorriu, preguiçoso. — Bom dia. Engoli em seco. Meu rosto esquentava de raiva e humilhação. — A gente precisa conversar. Um dos garotos no outro sofá soltou um “ih” baixo, recebendo uma cotovelada do amigo ao lado. Ignorei. Mantinha os olhos apenas em Jack. Jack inclinou a cabeça, claramente se divertindo. — Conversar? Sobre o quê? Cruzei os braços, tentando manter a voz firme, embora sentisse as mãos geladas. — Sobre ontem à noite. Sobre… nós dois. As palavras pareceram pesar no ar. Os amigos ao redor pararam, disfarçando a curiosidade com sorrisos mal contidos. Jack soltou uma risada baixa, balançando a cabeça como se ouvisse uma piada interna. — Ontem à noite? — Ele se levantou lentamente, se aproximando devagar. — Ah, Sarah… eu estava bêbado. Nem lembro direito como terminei a noite. Senti o estômago revirar. As memórias que eu guardara com tanto cuidado começaram a se despedaçar diante de mim. — Você está dizendo que… não se lembra do que fizemos? Jack deu de ombros, o sorriso nunca desaparecendo do rosto. — Talvez você tenha sonhado, princesa. Aquela palavra — princesa — que na noite anterior parecia doce, agora soava como puro deboche. Como uma faca sendo torcida devagar dentro do meu peito. Senti os olhos arderem, mas não deixaria as lágrimas caírem. Não ali. Não diante dele. Não diante daqueles idiotas observando como se aquilo fosse apenas mais uma cena engraçada da manhã seguinte. Eu odiava o quanto ainda queria que ele desmentisse tudo. — Você é um babaca, Jack. Ele piscou lentamente, como quem não ligava. Ou como quem sabia exatamente o efeito que causava nas pessoas. — Eu escuto isso com uma certa frequência, sabia? Os amigos riram baixo. Aquilo foi pior do que qualquer grito. Respirei fundo, sentindo o peito apertar tanto que doía. Por um segundo, tive vontade de dizer tudo o que sentia. O quanto tinha esperado por ele. O quanto aquela noite significou. O quanto ele conseguiu destruir algo dentro de mim em menos de vinte e quatro horas. Mas não faria isso. Jack não merecia. Então apenas virei nos calcanhares e saí antes que minha voz falhasse. O corredor parecia ainda mais sufocante agora. Desci as escadas rápido demais, ouvindo meu próprio coração ecoar nos ouvidos. Quando finalmente empurrei a porta da república e senti o vento frio da manhã tocar meu rosto, soltei o ar preso nos pulmões. Lá fora, a cidade seguia normalmente. Pessoas caminhavam pelas ruas, carros passavam, alguém ria do outro lado da calçada. E era estranho perceber como o mundo continuava exatamente igual enquanto o meu parecia ter acabado. Abracei o próprio corpo enquanto caminhava apressada até o apartamento. O gosto amargo permanecia na boca. Não olhei para trás. Não queria ver Jack, nem Ethan, nem ninguém daquela casa novamente. Principalmente Ethan. Quando cheguei ao apartamento, bati a porta com força, joguei a bolsa no sofá e desabei ao lado do celular. O silêncio do lugar parecia alto demais agora. A tela piscava com mensagens. Kate: “E aí, amiga? Tá viva?” Kate: “Me conta TUDO.” Kate: “Ligando em 5 min.” Soltei um riso seco, passando as mãos pelo rosto antes de encarar o teto. Meu peito ainda doía, mas agora a dor vinha acompanhada de algo pior: vergonha. Vergonha por ter acreditado. Vergonha por ter amado alguém como Jack. Fechei os olhos por alguns segundos, tentando ignorar o nó na garganta. Então respirei fundo e me levantei devagar, olhando ao redor do pequeno apartamento. Naquele instante, soube exatamente o que precisava fazer. Precisava ir embora. Longe daquela cidade. Longe de Jack. Longe de todas as lembranças daquela noite. E foi ali, no silêncio do meu próprio quarto, que decidi: era hora de voltar para Londres.Sarah O som das risadas vindas da sala de estar ecoava pelos tetos altos da nossa casa, misturando-se ao aroma convidativo do assado que terminava de dourar no forno. Parada na cozinha, ajustei o avental ao redor da minha cintura e parei por um instante apenas para respirar. Três anos. Três anos haviam se passado desde a noite em que o nosso mundo virou do avesso e, ao mesmo tempo, encontrou o seu verdadeiro eixo. Olhei pela janela que dava para o imenso jardim da mansão que Ethan e eu havíamos escolhido para construir a nossa história. A luz dourada do fim da tarde nas colinas trazia uma sensação de paz que, durante muito tempo, julguei ser impossível de alcançar. O processo para chegar até aqui não foi simples. Houve longos meses de terapia, audiências judiciais exaustivas decorrentes do desfecho trágico e louco de Jack e Clara, e muitas conversas nas madrugadas onde Ethan e eu recolhemos, um a um, os pedaços das nossas antigas dores. Mas nós havíamos vencido. O amor, quando
Ethan O estofado estreito do sofá parecia a única superfície sólida em um universo que desabava e se reconstruía ao mesmo tempo. No instante em que o moletom de Sarah caiu no chão, seguido pelo restante de nossas roupas, o choque térmico da pele dela contra a minha fez meu cérebro silenciar de vez. Não havia mais espaço para os fantasmas da chácara, para as ameaças de Jack ou para os cálculos frios que ditaram as minhas escolhas nos últimos sete anos. Só existia o agora. Um agora urgente, febril e desesperado. Puxei-a para mais perto, sentindo a maciez do seu abdômen contra o meu, o calor irradiando da sua pele como uma fogueira no meio daquela madrugada fria. Sarah prendeu os dedos nos meus cabelos, ainda ligeiramente úmidos do banho, e me puxou para baixo com uma força que me surpreendeu. Seus lábios encontraram os meus novamente, não em um beijo de despedida, mas em uma posse violenta. Nossas línguas se enlaçaram em um ritmo frenético, um diálogo mudo onde cada toque tentava
Ethan Quando entrei no cômodo, percebi que a minha presença para fazê-lo pegar no sono já não era mais necessária. Elliot estava profundamente adormecido, com o cobertor cobrindo seu corpinho até o peito, a respiração finalmente calma, compassada e livre do medo. Ao lado dele, deitada de lado por cima das cobertas, com um braço estendido de forma protetora sobre o menino, estava Sarah. Ela parecia ter pegado no sono também, completamente vencida pelo esgotamento físico, pelos soluços e pelo desgaste emocional daquela noite terrível. Fiquei parado na penumbra por alguns longos segundos, apenas observando a cena. Minha família. A família de quem eu passei longos sete anos longe, e que agora estava ali, ao alcance das minhas mãos, respirando sob o mesmo teto. Senti que não tinha o direito de perturbar o descanso deles. Dei um passo para trás, girando o corpo devagar para sair do quarto e deixá-los dormir no silêncio que tanto mereciam. Ao sair do pequeno quarto de Elliot, me encamin
Ethan A sensação daquele abraço foi a primeira coisa real, quente e genuína que senti em meio ao inverno rigoroso em que minha vida havia se transformado nas últimas horas. Senti o corpinho de Elliot se moldar ao meu peito com uma confiança que eu, sinceramente, não merecia. Afastei-me sutilmente, o bastante apenas para olhar o seu rosto pequeno, limpando com o polegar o rastro de uma lágrima que secava em sua bochecha. Com cuidado, segurei-o firme e o levantei do chão, acomodando-o no meu colo. O peso dele já não parecia um fardo, mas uma âncora, a única coisa que me mantinha fixo no chão depois que todo o meu mundo desmoronou. Olhei por cima do ombro do menino em direção ao sofá da sala de estar. Sarah continuava exatamente do mesmo jeito: estática, com as mãos recolhidas e os olhos fixos em nós, como se estivesse tentando processar o fato de que a realidade que ela conhecia havia mudado completamente de eixo em questão de minutos. O choque e a exaustão profunda estavam estamp










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