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Entre o Luxo e o Inferno

Capítulo 2

O silêncio dentro da limusine blindada era tão denso que o tique-tique do relógio no pulso de Gustavo parecia um martelo batendo em metal. O cheiro de couro novo e o perfume amadeirado dele preenchiam o espaço confinado, tornando o ar pesado. Do lado de fora, os flashes dos fotógrafos ainda explodiam contra os vidros escurecidos, mas ali dentro, a celebração havia terminado no momento em que a porta bateu.

Eu ainda sentia o gosto do beijo dele — um gosto de posse e de uma promessa perigosa. Meus dedos apertavam o buquê com tanta força que os caules das flores começaram a esmagar, manchando minhas luvas brancas de seiva.

Gustavo se recostou no banco, relaxado como um rei que acaba de anexar um território. Ele não olhou para mim de imediato. Manteve os olhos na paisagem de São Paulo que passava velozmente. Então, pegou uma pasta de couro preta no compartimento lateral e a abriu com uma calma que me dava mais medo do que se ele estivesse gritando.

— Você achou mesmo que eu não perceberia? — Sua voz era fria e direta.

Engoli em seco, sentindo o nó na garganta me sufocar.

— Eu não tive escolha, Gustavo. Minha família estava desmoronando, meu pai...

— Não me venha com dramas sentimentais — ele me cortou, levantando um dedo que me silenciou instantaneamente. — Eu não invisto cem milhões de dólares em lágrimas. Eu invisto em ativos e em fidelidade contratual.

Ele tirou um documento da pasta. O papel timbrado brilhava sob a luz LED azulada do teto. No topo, li em negrito: **ADITIVO CONTRATUAL – CLÁUSULA DE SUBSTITUIÇÃO E PENALIDADE.**

— Seu pai é um homem desesperado e um negociante medíocre. Ele achou que poderia me entregar a filha estudiosa no lugar da fútil e que eu aceitaria o prejuízo em silêncio. Ele esqueceu que eu não leio apenas contratos, eu leio pessoas. Percebi o seu medo no momento em que você pisou naquela catedral.

— Se você percebeu a farsa no altar, por que seguiu em frente? Por que disse "sim"? — Forcei meus olhos a sustentarem o olhar gélido dele.

Gustavo finalmente se virou para mim. O movimento foi predatório. Seus olhos percorreram meu rosto, parando na minha boca, ainda inchada pelo beijo possessivo de minutos atrás.

— Porque Pérola era previsível. Uma criatura que fugiria no primeiro mês com qualquer amante e me daria o trabalho de caçá-la. Mas você é diferente. Você é o cérebro por trás da fábrica do seu pai. Você sabe onde os segredos financeiros estão e como limpar a sujeira que ele deixou. Você tem valor real, Ana. E eu nunca deixo um ativo de valor escapar.

Ele jogou o papel pesado no meu colo. O impacto contra o meu vestido de noiva soou como uma bofetada.

— Leia a cláusula quarta. Leia em voz alta para que não restem dúvidas.

Minhas mãos tremiam tanto que o papel estalava. Meus olhos focaram no parágrafo que mudaria minha vida.

> *"4.1. Na eventualidade de substituição da nubente, a Substituta (Ana Silva) assume todas as obrigações de coabitação, representação social e sucessão, renunciando a qualquer direito de dormitórios distintos por 24 meses.

> 4.2. A dívida da Família Silva só será considerada quitada após o nascimento de um herdeiro legítimo, ou após a plena satisfação das cláusulas de disponibilidade total ao cônjuge."*

O ar fugiu dos meus pulmões. Eu reli as palavras "herdeiro legítimo" e "disponibilidade total" três vezes.

— "Disponibilidade total"? "Herdeiro"? — sussurrei, horrorizada. — Isso é um absurdo, Gustavo. Você não pode me obrigar a deitar com você contra a minha vontade por causa de um papel.

— Eu não estou te obrigando a nada, Ana. — Ele deu uma risada curta e seca. — Você é livre para abrir essa porta agora. Mas saiba que, antes de você chegar à esquina, eu farei uma ligação. Em dez minutos, a polícia retirará sua mãe da clínica de repouso à força. E seu pai será preso por estelionato matrimonial e fraude financeira. A escolha é sua.

Senti uma náusea profunda. O luxo daquela limusine agora parecia as paredes de uma cela de prisão.

— O que você ganha com isso? — perguntei, as lágrimas finalmente vencendo a barreira dos meus cílios. — Você me odeia. Você queria a beleza e o status da Pérola.

Gustavo estendeu a mão e tocou meu pescoço, o polegar pressionando levemente a minha jugular. O calor do toque dele era um contraste cruel com a frieza das suas palavras.

— Eu não odeio você, Ana. O ódio requer um sentimento que não estou disposto a gastar com você. Sinto apenas curiosidade sobre quanto tempo levará para eu quebrar essa sua postura de mártir. Eu queria a Pérola como um objeto decorativo. Mas você... eu vou usar seu cérebro para reconstruir o império que seu pai destruiu. Durante o dia, você será minha sombra nas reuniões. E à noite...

Ele apertou o toque, garantindo que eu não desviasse o olhar.

— À noite, você será a esposa que o contrato exige. Você dormirá na minha cama e usará o meu sobrenome. Você aprenderá que ninguém recebe cem milhões de reais de graça.

A limusine começou a subir a rampa da mansão Almeida, uma fortaleza de concreto e vidro no topo do Morumbi. Os portões de ferro se abriram como se estivessem prontos para me devorar.

— O contrato diz dois anos — eu disse, reunindo o resto de coragem que me sobrava. — Eu vou cumprir cada cláusula desse inferno. Mas saiba de uma coisa: você comprou meu tempo e meu trabalho. Mas minha alma você não tem dinheiro suficiente para comprar. Você nunca terá o que realmente importa.

Gustavo se afastou, ajustando as abotoaduras de prata com indiferença. Um sorriso enigmático apareceu em seus lábios enquanto o carro parava diante da entrada principal da casa, onde os empregados já aguardavam.

— Veremos, Ana. O coração humano é um contrato fácil de falsificar sob as condições certas de pressão. E eu sou um especialista em explorar fraudes.

O motorista abriu a porta. O ar frio da noite me atingiu, mas o gelo no meu peito era pior. Gustavo desceu e estendeu a mão para mim. Ele esperava que eu assumisse o papel de noiva radiante diante de todos.

Eu respirei fundo, limpei o rastro da lágrima e segurei a mão dele. O contato foi firme e final. O meu sacrifício estava apenas começando, e eu sabia que, ao cruzar aquela porta, a Ana que eu conhecia deixaria de existir.

Caminhamos pelo hall de entrada sob o olhar atento dos funcionários, um desfile de aparências que me sufocava. Cada tapete persa e lustre de cristal parecia zombar da minha servidão. Gustavo não soltou minha mão; seus dedos eram um lembrete constante de que eu agora era sua propriedade legal.

Ao pararmos diante da imensa escadaria de mármore, ele se inclinou, sua voz roçando meu ouvido uma última vez antes de subirmos.

— Não suba esperando um descanso, Ana. O contrato acaba de entrar em vigor, e a noite está apenas começando.

O medo gelou meu sangue. Eu não era mais uma convidada. Eu era a presa que acabara de entrar na toca do lobo.

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