Namoro de mentirinha

Namoro de mentirinhaPT

Romance
Última atualização: 2026-01-08
Autora NB  Atualizado agora
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Índice

Naomi Marck jamais imaginou se apaixonar pelo noivo da própria irmã. Presa entre a culpa, o desejo e o medo de destruir a felicidade de quem ama, ela se vê em um beco sem saída. A solução encontrada é tão desesperada quanto perigosa: fingir um namoro com seu melhor amigo, Peter Darcyk. O acordo parece simples - manter a farsa até o casamento da irmã e, depois, cada um seguir seu caminho. O que Naomi não sabe é que, para Peter, esse namoro de mentirinha é a chance perfeita de transformar anos de amor silencioso em algo real. Entre encontros forçados, tradições familiares sufocantes, olhares proibidos e sentimentos que fogem do controle, a linha entre fingimento e verdade começa a se apagar. Segredos ameaçam vir à tona, e a descoberta do falso relacionamento pode destruir muito mais do que uma mentira bem ensaiada. Porque, às vezes, o maior perigo não está em mentir... mas em se apaixonar de verdade.

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Capítulo 1

Prólogo

Naomi Marck

Eu tinha acabado de explicar ao meu melhor amigo a ideia maravilhosa que tive para fugir dos meus problemas. E ele, por ser meu melhor amigo no mundo todinho, poderia — ou melhor, deveria — me ajudar.

— Isso é loucura. Não podemos. — Peter, meu melhor amigo neste mundo todo, me negava assim, na cara dura.

Sub: Não o culpe. Sua ideia é tão tola quanto esse sentimento que você insiste em sentir.

— Peter, por favor… você é a única pessoa em quem confio.

— Somos melhores amigos desde pequenos, Naomi. — Ele se levanta da minha cama. — Não podemos fingir um namoro.

— Por favor. Eu não posso continuar olhando para o noivo da minha irmã como uma tonta apaixonada. — Suspiro. — A Aubrey vai perceber. Ela me conhece muito bem. Se descobrir sobre nosso “namoro”, eu vou dizer que é segredo, mas ela vai acabar contando para todo mundo. Eu a conheço. Ela ama espalhar uma boa novidade para a família.

— Não seria melhor você se abrir com ela? Dizer que foi sem querer… ou melhor, que desde a época da escola você era apaixonada por ele, mas que ele escolheu sua irmã em vez de você?

— NÃO! — exclamo. — Por nenhuma hipótese desse mundo. Ela está feliz, e eu quero que continue assim. Além disso, o Deivd nunca olhou para mim. Eu era uma pirralha cheia de acne.

— Você é impossível, Naomi.

— Então… você concorda?

— Sim. — Peter responde, a contragosto.

— Aaaah! — Pulo em seus braços e caímos na cama. — Eu te amo muito, Peter!

— Você é louca!

— Não tenho culpa de ter me apaixonado pelo noivo da minha irmã… ou talvez tenha.

— E eu sou a sua salvação. — Ele revira os olhos.

A porta é aberta bruscamente, e Aubrey entra no quarto sorrindo. Sem pensar, deposito um selinho rápido nos lábios de Peter. Ele se surpreende, mas logo disfarça.

— Uou! O que foi isso? — Aubrey pergunta, visivelmente espantada.

— Nada! — digo, afastando-me de Peter.

— Eu vi muito bem o que aconteceu, Naomi. — Ela se senta na minha cama. — Tratem de me contar: vocês estão tendo um caso?

— Acho melhor contar para ela, não é? — diz Peter. Que ator eu tenho como melhor amigo… barra namorado de mentirinha.

— Tá bom… — suspiro, adicionando um pouco mais de drama. — Peter me pediu em namoro, e eu aceitei. Descobrimos que estamos apaixonados um pelo outro.

— E quando vocês pretendiam me contar isso?

— Na verdade, não pretendíamos contar para ninguém — respondo rápido.

— Exatamente. É um segredo nosso — Peter completa.

— Nem pensar! — Ela se levanta da cama. — Vou ligar para mamãe e papai agora. Eles precisam voltar para o Brasil urgente. Temos que fazer a tradição da família.

— Você está louca?! — pergunto, sem acreditar na rapidez com que tudo estava saindo do controle.

— Precisamos avisar a escola também, postar nas redes sociais… — Peter entra no jogo dela.

— Isso mesmo, cunhadinho. Entendeu direitinho. — Ela sorri, vitoriosa.

— Vocês dois juntos não prestam.

— Sempre foi meu sonho ter o Peter como cunhado. Mamãe e papai vão adorar. — Ela sai do meu quarto, saltitante.

— Pronto. Agora é só esperar. Amanhã, os populares da universidade — conhecidos por serem apenas melhores amigos — vão entrar de mãos dadas. — Peter sorri.

— Você não presta — digo, me jogando na cama, já imaginando como acabar com isso antes que minha família leve a tradição longe demais.

— Você que propõe uma loucura dessas e eu que não presto? — Ele cruza os braços.

Pouco depois, Peter vai embora, e eu fico sozinha, afogada em pensamentos confusos, me perguntando se essa foi realmente a decisão certa. Acabo dormindo assim.

---

Como previsto na noite anterior, não entramos na faculdade como de costume — com o braço de Peter jogado sobre meu pescoço —, mas sim de mãos dadas. Os olhares se voltaram para nós. Cochichos, caras de surpresa, expressões de “eu sabia”. Isso seria muito mais difícil de sustentar do que eu imaginava.

Peter me deixou com o grupo das meninas do campus e me deu um selinho demorado antes de ir para seus amigos.

— Como assim, Naomi? Você e o Peter? — perguntam em uníssono.

— Vocês são amigos! — Giulia exclama, chocada.

— Melhores amigos — Zyra completa, debochada.

— Não estamos ficando. Estamos namorando. — Sorrio de lado ao ver o espanto delas. — E continuamos melhores amigos, só que com uma paixão de infância que finalmente foi libertada.

— Poxa… e eu achando que ainda ia dar uns pegas nele. — Zyra lamenta.

— Nada disso! O Peter era pra ser meu — Giulia retruca.

— Nem vem, ele… — Fagnar começa, mas eu a interrompo.

— Sei que Peter Darcyk é o sonho de qualquer garota. Mas agora ele é meu. Só meu. E se alguma de vocês se atrever a dar em cima dele, eu acabo com a vida social de vocês num piscar de olhos.

Elas me encaram assustadas e assentem rapidamente.

Tenho que fazer jus ao meu teatro, não é? Namorada louca e ciumenta ativar.

---

Peter Darcyk

Deixei Naomi com as amigas e fui para o meu grupo. Os caras começaram com perguntas idiotas quase instantaneamente.

— Há quanto tempo vocês estão se pegando? — Douglas pergunta.

— Já levou pra cama, né? — Ryan, o escroto de sempre, completa.

— A Naomi é gostosinha mesmo — Simon comenta.

Meu olhar o atravessa.

— Tudo o que acontece ou acontecer no meu relacionamento com a Naomi diz respeito apenas a mim e a ela. E se você chamá-la de “gostosinha” de novo, eu quebro sua cara.

— Calma, mano. Não falei por mal. — Simon diz, erguendo as mãos.

— Estão avisados.

O sinal toca, e seguimos para a sala. A raiva e o ciúme fervilham dentro de mim. No começo, eu não queria nada disso. Mas aceitei porque vi ali a chance perfeita de fazer Naomi se apaixonar por mim.

Sou louco por ela desde que me entendo por gente.

Espero conseguir fazê-la me amar — nem que seja um pouco —, para que esqueça de vez o Deivd e passe a vê-lo apenas como o cunhado hétero top da sua irmã doce e ingênua.

Seria um sonho que se por um instante ela se apaixonasse por mim, seu melhor amigo que a ama há um tempo.

{...}

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