Mundo de ficçãoIniciar sessãoNaomi Marck jamais imaginou se apaixonar pelo noivo da própria irmã. Presa entre a culpa, o desejo e o medo de destruir a felicidade de quem ama, ela se vê em um beco sem saída. A solução encontrada é tão desesperada quanto perigosa: fingir um namoro com seu melhor amigo, Peter Darcyk. O acordo parece simples - manter a farsa até o casamento da irmã e, depois, cada um seguir seu caminho. O que Naomi não sabe é que, para Peter, esse namoro de mentirinha é a chance perfeita de transformar anos de amor silencioso em algo real. Entre encontros forçados, tradições familiares sufocantes, olhares proibidos e sentimentos que fogem do controle, a linha entre fingimento e verdade começa a se apagar. Segredos ameaçam vir à tona, e a descoberta do falso relacionamento pode destruir muito mais do que uma mentira bem ensaiada. Porque, às vezes, o maior perigo não está em mentir... mas em se apaixonar de verdade.
Ler maisEu tinha acabado de explicar ao meu melhor amigo a ideia maravilhosa que tive para fugir dos meus problemas. E ele, por ser meu melhor amigo no mundo todinho, poderia — ou melhor, deveria — me ajudar.
— Isso é loucura. Não podemos. — Peter, meu melhor amigo neste mundo todo, me negava assim, na cara dura.
Sub: Não o culpe. Sua ideia é tão tola quanto esse sentimento que você insiste em sentir.
— Peter, por favor… você é a única pessoa em quem confio.
— Somos melhores amigos desde pequenos, Naomi. — Ele se levanta da minha cama. — Não podemos fingir um namoro.
— Por favor. Eu não posso continuar olhando para o noivo da minha irmã como uma tonta apaixonada. — Suspiro. — A Aubrey vai perceber. Ela me conhece muito bem. Se descobrir sobre nosso “namoro”, eu vou dizer que é segredo, mas ela vai acabar contando para todo mundo. Eu a conheço. Ela ama espalhar uma boa novidade para a família.
— Não seria melhor você se abrir com ela? Dizer que foi sem querer… ou melhor, que desde a época da escola você era apaixonada por ele, mas que ele escolheu sua irmã em vez de você?
— NÃO! — exclamo. — Por nenhuma hipótese desse mundo. Ela está feliz, e eu quero que continue assim. Além disso, o Deivd nunca olhou para mim. Eu era uma pirralha cheia de acne.
— Você é impossível, Naomi.
— Então… você concorda?
— Sim. — Peter responde, a contragosto.
— Aaaah! — Pulo em seus braços e caímos na cama. — Eu te amo muito, Peter!
— Você é louca!
— Não tenho culpa de ter me apaixonado pelo noivo da minha irmã… ou talvez tenha.
— E eu sou a sua salvação. — Ele revira os olhos.
A porta é aberta bruscamente, e Aubrey entra no quarto sorrindo. Sem pensar, deposito um selinho rápido nos lábios de Peter. Ele se surpreende, mas logo disfarça.
— Uou! O que foi isso? — Aubrey pergunta, visivelmente espantada.
— Nada! — digo, afastando-me de Peter.
— Eu vi muito bem o que aconteceu, Naomi. — Ela se senta na minha cama. — Tratem de me contar: vocês estão tendo um caso?
— Acho melhor contar para ela, não é? — diz Peter. Que ator eu tenho como melhor amigo… barra namorado de mentirinha.
— Tá bom… — suspiro, adicionando um pouco mais de drama. — Peter me pediu em namoro, e eu aceitei. Descobrimos que estamos apaixonados um pelo outro.
— E quando vocês pretendiam me contar isso?
— Na verdade, não pretendíamos contar para ninguém — respondo rápido.
— Exatamente. É um segredo nosso — Peter completa.
— Nem pensar! — Ela se levanta da cama. — Vou ligar para mamãe e papai agora. Eles precisam voltar para o Brasil urgente. Temos que fazer a tradição da família.
— Você está louca?! — pergunto, sem acreditar na rapidez com que tudo estava saindo do controle.
— Precisamos avisar a escola também, postar nas redes sociais… — Peter entra no jogo dela.
— Isso mesmo, cunhadinho. Entendeu direitinho. — Ela sorri, vitoriosa.
— Vocês dois juntos não prestam.
— Sempre foi meu sonho ter o Peter como cunhado. Mamãe e papai vão adorar. — Ela sai do meu quarto, saltitante.
— Pronto. Agora é só esperar. Amanhã, os populares da universidade — conhecidos por serem apenas melhores amigos — vão entrar de mãos dadas. — Peter sorri.
— Você não presta — digo, me jogando na cama, já imaginando como acabar com isso antes que minha família leve a tradição longe demais.
— Você que propõe uma loucura dessas e eu que não presto? — Ele cruza os braços.
Pouco depois, Peter vai embora, e eu fico sozinha, afogada em pensamentos confusos, me perguntando se essa foi realmente a decisão certa. Acabo dormindo assim.
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Como previsto na noite anterior, não entramos na faculdade como de costume — com o braço de Peter jogado sobre meu pescoço —, mas sim de mãos dadas. Os olhares se voltaram para nós. Cochichos, caras de surpresa, expressões de “eu sabia”. Isso seria muito mais difícil de sustentar do que eu imaginava.
Peter me deixou com o grupo das meninas do campus e me deu um selinho demorado antes de ir para seus amigos.
— Como assim, Naomi? Você e o Peter? — perguntam em uníssono.
— Vocês são amigos! — Giulia exclama, chocada.
— Melhores amigos — Zyra completa, debochada.
— Não estamos ficando. Estamos namorando. — Sorrio de lado ao ver o espanto delas. — E continuamos melhores amigos, só que com uma paixão de infância que finalmente foi libertada.
— Poxa… e eu achando que ainda ia dar uns pegas nele. — Zyra lamenta.
— Nada disso! O Peter era pra ser meu — Giulia retruca.
— Nem vem, ele… — Fagnar começa, mas eu a interrompo.
— Sei que Peter Darcyk é o sonho de qualquer garota. Mas agora ele é meu. Só meu. E se alguma de vocês se atrever a dar em cima dele, eu acabo com a vida social de vocês num piscar de olhos.
Elas me encaram assustadas e assentem rapidamente.
Tenho que fazer jus ao meu teatro, não é? Namorada louca e ciumenta ativar.
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Peter Darcyk
Deixei Naomi com as amigas e fui para o meu grupo. Os caras começaram com perguntas idiotas quase instantaneamente.
— Há quanto tempo vocês estão se pegando? — Douglas pergunta.
— Já levou pra cama, né? — Ryan, o escroto de sempre, completa.
— A Naomi é gostosinha mesmo — Simon comenta.
Meu olhar o atravessa.
— Tudo o que acontece ou acontecer no meu relacionamento com a Naomi diz respeito apenas a mim e a ela. E se você chamá-la de “gostosinha” de novo, eu quebro sua cara.
— Calma, mano. Não falei por mal. — Simon diz, erguendo as mãos.
— Estão avisados.
O sinal toca, e seguimos para a sala. A raiva e o ciúme fervilham dentro de mim. No começo, eu não queria nada disso. Mas aceitei porque vi ali a chance perfeita de fazer Naomi se apaixonar por mim.
Sou louco por ela desde que me entendo por gente.
Espero conseguir fazê-la me amar — nem que seja um pouco —, para que esqueça de vez o Deivd e passe a vê-lo apenas como o cunhado hétero top da sua irmã doce e ingênua.
Seria um sonho que se por um instante ela se apaixonasse por mim, seu melhor amigo que a ama há um tempo.
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Aubrey MarckAcordei devagar, como se estivesse voltando de um lugar muito distante.Tudo parecia pesado. Meus olhos ardiam, minha cabeça latejava, e havia um zumbido constante nos meus ouvidos, como se o mundo estivesse tentando entrar em foco, mas não conseguisse. Pisquei algumas vezes até reconhecer o ambiente ao meu redor.Hospital.O cheiro forte de antisséptico, as paredes claras demais, o bip baixo e insistente de algum aparelho próximo. Suspirei fundo e senti a garganta arder, seca como se eu não bebesse água há dias.Virei o rosto com dificuldade e foi então que a vi.Naomi dormia toda torta na poltrona ao lado da cama. As pernas dobradas de um jeito estranho, a cabeça caída para o lado, o cabelo preso de qualquer forma. Ela parecia exausta, como alguém que passou a noite inteira em alerta, sem realmente descansar.Meu peito apertou.— Naomi… — chamei, a voz saiu rouca, quase um sussurro.A dor na garganta foi imediata, como se eu tivesse engolido areia.Ela acordou em um pul
Naomi MarkHá um ano, uma tragédia rasgou a nossa vida.Daquelas que chegam sem avisar, arrancam o chão, o ar, o sentido de tudo. Daquelas que deixam marcas que o tempo não apaga — só ensina a conviver. Mas, junto com essa tragédia, Deus nos entregou uma bênção tão grande que chega a doer de tão bonita.O nosso pequeno Saulo Miguel.Nosso anjinho.Nosso presente do céu.O maior ato de amor que Deus poderia ter dado à minha irmã.Hoje, eu sei que Aubrey entende isso. Sei que ela se arrepende de cada palavra dura que disse ao Senhor nos dias mais escuros, quando a dor falava mais alto que a fé. Mas quem nunca questionou Deus em meio à perda? Quem nunca gritou em silêncio pedindo respostas que não viriam?Cada pessoa tem a sua vida traçada. Cada história tem caminhos que a gente nunca vai entender por completo.Talvez, se eles não tivessem ido àquela lanchonete, hoje estariam aqui, felizes, criando planos, rindo de bobagens.Talvez, se aquele pedido de casamento tivesse acontecido em out
Naomi MarkA minha felicidade mal cabia no peito.Era como se meu coração estivesse grande demais para o meu corpo, como se fosse explodir a qualquer instante de tanto amor, alívio e gratidão. Depois de tudo o que passamos — medo, perseguições, perdas, traumas e noites sem dormir — finalmente estávamos bem. Finalmente estávamos seguros.E essa sensação… ah, essa sensação era tudo o que eu sempre sonhei.Eu respirava fundo e sentia paz. Uma paz verdadeira. Daquelas que não vêm apenas da ausência do perigo, mas da certeza de que o pior ficou para trás. Eu estava feliz. Realmente feliz. Feliz por mim, por Peter, por Zayn, por Aubrey, por Saulo, pela nossa família inteira.Olhei para o berço ao lado da cama e senti meus olhos marejarem.Zayn dormia tranquilamente, com os bracinhos dobrados perto do rosto, respirando de forma suave, como se o mundo fosse um lugar completamente seguro — e, pela primeira vez em muito tempo, talvez realmente fosse.Peter estava sentado na poltrona, observando
Naomi MarckAlguns meses haviam se passado, e eu já estava entrando no meu nono mês de gravidez. Meu corpo estava cansado, pesado, mas meu coração… ah, meu coração estava cheio.Zayn não parava de chutar. Era como se ele estivesse sempre avisando: “Ei, eu tô aqui.”E como Peter havia dito desde o começo, era o meninão que ele tanto sonhou.O dia parecia comum. Daqueles que aquecem o peito. Um grande almoço em família, todos reunidos à mesa, rindo, conversando alto, brigando por bobagem, como sempre. O cheiro da comida da tia Petra tomava conta da casa, misturando temperos, lembranças e conforto.Eu observava tudo com um sorriso bobo no rosto.Era impossível não sentir gratidão.Depois de tudo o que passamos… estávamos ali. Vivos. Juntos. Inteiros — ou pelo menos tentando ser.Peter e Saulo eram os “genros do momento”. Três dias antes, Saulo havia passado pela tradição da família — e, para a surpresa de todos, ele simplesmente amou. Disse que aquilo era loucura, mas uma loucura boa. Ta
SauloEu amo o jeito dela.A constatação vem sempre assim, simples e certeira, como uma verdade que não precisa ser explicada nem questionada. Eu amo. E ponto. Não existe meio-termo quando se trata de Aubrey Marck.Não sei exatamente quando aconteceu. Não houve um momento específico, uma cena cinematográfica, uma música tocando ao fundo. Não foi um olhar prolongado ou um toque acidental. Foi mais como uma soma silenciosa de pequenos instantes, que quando percebi… já eram tudo.Ela entrou na minha vida quando eu mais precisava.Eu não costumava acreditar nessas coisas de destino, encaixes perfeitos, pessoas que chegam no momento certo. Sempre achei isso conversa bonita pra justificar coincidências. Mas Aubrey me fez repensar muita coisa. Porque ela apareceu quando eu estava cansado. Cansado de lutar, de carregar responsabilidades, de ser o homem forte o tempo inteiro.E, mesmo sem saber, ela me deu abrigo.Nunca vou deixá-la partir.Essa promessa eu fiz em silêncio, só pra mim. Não com
Aubrey Marck Acabei dormindo de novo e quando acordei lá estava Saulo saindo do banheiro só de toalha e eu não consegui me conter, estava inerte naquele peitoral totalmente definido, estava doida para ver o que tinha por baixo da toalha, um fogo descompensado surgiu entre minhas pernas me fazendo ficar tonta. Eu nem percebi que estava hipnotizada naquele corpo dos deuses, até ele me dispersar de meus pensamentos obscenos.- Gosta do que ver? - Ele sorrir malicioso.- Convencido demais. - Falo séria, desviando o olhar. Mordo os lábios e solto meu veneno. - Nada demais. - Seu sorriso murcha. - Aliás, acho que já devo ir embora. Só não queria voltar para aquela casa.- Se quiser pode ficar aqui.- Obrigada! - Falo sincera.- Por nada. - Ele tirou a toalha me fazendo soltar um gritindo e tapar os olhos com as mãos.- Eu tô aqui. - Digo com as mãos nos olhos.- Relaxa! Estou de cueca. - Ele fala como se fosse óbvio. - Deveria está vestido. - Vai dizer que nunca viu um homem de cueca? -
Último capítulo