— Você... fala português?! — ele perguntou, a incredulidade tingindo sua voz.
Um riso suave escapou dela.
— Olha só... — colocando as mãos para trás e balançando a cintura com leveza, um gesto que contrastava com a situação: — Um brasileiro por aqui?
— Sim! Um brasileiro, igual você, né? — Nunes sorriu, um misto de alívio e esperança inusitado florescendo.
— É... igual eu.
— Moça... eu sei que isso é estranho. Mas olha, dá pra me soltar? Por favor — ele pediu, forçando uma expressão de pena exagerada.
— Já que entende a minha língua… vamos conversar. Papo de homem pra mulher, sem firula, desgraçado.
Nunes arregalou os olhos quando viu ela se aproximando, o maxilar tão travado em raiva que era visível através da balaclava. Ela se ajoelhou. Na sua frente.
*PA!* — um tapa fortíssimo o fez ver estrelas.
— SEU FILHO DA PUTA! — *PA!* *PA!* *PA!* *PA!* — DESGRAÇAAAAAADO!
Ela o agarrou pelo colarinho com as duas mãos, as unhas cortando seu pescoço enquanto o chacoalhava em histeria.
— VEEEEEEE