CAPÍTULO 5: NUNDINAE
A primeira escotilha abriu com um chiado breve, quase orgânico. Um sopro de ar pressionado escapou como um suspiro metálico. A pressão estabilizou. Nunes avançou com passos lentos, hesitantes, entrando naquela sala minúscula de transição — branca demais, como um quarto de hospital abandonado no espaço.
Tudo ali era branco, mas não um branco único. Havia tons distintos, quase imperceptíveis: o branco-chumbo das bordas da escotilha, o branco-amarelado das luminárias embutidas e piscando com preguiça no teto, o branco-esverdeado do piso manchado de ferrugem antiga. Parecia um manicômio cirúrgico, limpo demais, morto demais.
Mal havia espaço para se mover. As paredes pareciam se fechar. A porta atrás dele se fechou com um estalo seco, definitivo. Silêncio absoluto.
E então, uma luz azul-clara e fria piscou no canto superior esquerdo. Um monitor embutido na parede despertou devagar, como se tivesse sido acordado à força de um pesadelo longínquo.
Ele não se lembrava daqu