Mundo ficciónIniciar sesiónEm um mundo obscuro, Alice se vê apaixonada por Christopher, um garoto amoroso, mas membro da máfia. Passam alguns meses, até que ela testemunha seu cruel assassinato, deixando-a marcada por um trauma devastador. Ela passa anos acreditando que Christopher está morto, mas ele emerge das sombras, consumido pela sua obsessão por ela, ele decide envolve-la em um perigoso jogo de casamento forçado e máfia. Porém, ao longo do tempo, Alice nota que : " Ele não é mais o mesmo". Essa história está repleta de perguntas não respondidas, mas só Alice será capaz de encontrá-las.
Leer másTudo estava escuro.
Haviam diversos carros encostados, enquanto homens se enfrentavam defendendo ideais. Christopher estava lá, mas eu não podia ajudá-lo, seria ferida na primeira oportunidade.
Ele lutava com bravura, mas eu sabia que o pior iria acontecer. Instintivamente.
Meu corpo suava demais, enquanto permanecia gelada. Sentia a falta da circulação nos meus dedos mas meu coração pulsava forte enquanto o som do tiro ecoava na minha mente.
O pior aconteceu, não haviam lágrimas, apenas a dor da perda enquanto alguém me arrastava do local.
O silêncio, após o tiro, invadia a minha alma, minha respiração já estava difícil e meu coração causava uma dor absurda cada vez que ele pulsava e batia contra meu peito.Meu corpo tomou consciência.Já não era a primeira vez que eu sonhava com essa cena. Toda vez, acordava sentindo-me sufocada, com as mãos suadas e lágrimas acumuladas.Vejo pelas fresta da janela que o sol não apareceu ainda, mas tenho a sensação que o dia já amanheceu, me inclino e pego meu telefone na cabeceira e o relógio marca 8:47.A dor do pesadelo ficava presente até que minha respiração finalmente se acalmasse, e que meu consciente entendesse que a minha realidade havia mudado.Agora, tinha mais uma rotina normal, faculdade, trabalho, minha casa, e quando dava, tinha os treinos na academia.Algo normal... tirando as doses de medicações que tomo periodicamente durante o dia, receitado pelo médico psiquiatra e as sessões de terapia semanais que faço para os eventos pós traumáticos.Assim como aprendi na terapia, é horrivel reviver essa dor, a mais intensa que senti na minha vida, mas não havia nada que me fizesse esquecer e eu não queria.Me levanto ainda com a sensação de formigamento nos dedos, causado pelo pesadelo e vou até a cozinha. Tomo um copo grande de água junto a minha primeira cartela de medicações.A agitação do pesadelo sempre me faz ter fome, mas dessa vez não sinto fome, então como apenas uma banana, e meu telefone começa a tocar.É Cassie.
- Oii, linda bom dia - disse ela animada pelo ligação- Oii Cas, bom dia - digo ainda sonolenta- Acordou agora foi ? - disse ironicamente - Vamos fazer o que amanhã ? - pergunta- Eu não to a fim de fazer nada. - digo nervosa- Mas é seu aniversário. Você precisa fazer alguma coisa. - disse indignada- Eu vou pensar, prometo.- Você não disse que tinha algo importante de manhã- disse ela rapidamenteEstou MUITO atrasada.- Verdade. Tenho que ir. - digo nervosa- Me avisa quando chegar lá. - disse Cassie finalizando a ligação.Hoje é sábado. Dia de psicóloga. Dia intenso.Vejo o visor do meu telefone e percebo que preciso dar uma corrida e sair rapidamente. Estou atrasada, o pesadelo me fez perder a hora.Tomo meu banho rapidamente, mas ajudando-me a relaxar, coloco um vestido simples e florido, algo que tente transparecer calma, coisa que não tenho ultimamente e saio pedindo o uber para chegar o quanto antes." Porque marco as consultas tão cedo " - resmungo enquanto desço as escadas.Um motorista aceita minha corrida. Estranho. Um motorista iniciante, com poucas avaliações e sem foto." Ótimo " - rapidamente procuro o contato de Cassie, e deixo como atalho e fico à espera do carro.Um carro padrão preto para ao meu lado e seu vidro insu-film não me deixa avaliar o motorista. Mas a placa é compatível com o aplicativo. Entro no carro.- Bom dia - digo fechando a porta e me ajeitando preparada para fugir, se necessário.- Bom dia, senhorita Alice, bem? - pergunta o homem ao meu lado.- sim - confirmo, até perceber…Meu corpo gela e meus dedos buscam incessantemente abrir a porta. Havia mais de um homem no carro.A trava havia sido acionada.Meus pensamentos estavam começando a diminuir, resultado da cartela de remédio que havia tomado mais cedo. Merda!Eu desisto e me viro para o homem ao meu lado. O motorista usava terno e um óculos escuro, ele parecia mais um segurança do que motorista. Ao seu lado havia outro homem sentado. E ao meu lado estava um homem com uma máscara skin.Ele utilizava um terno, mas não da mesma categoria que o motorista, reconhecia um terno chique de longe.Ele é alguém importante.Mas o que esses homens queriam comigo?- me perguntava- Será que poderiam ser consequências do passado de Christopher ?- Voce não sabe quanto tempo demoramos para te encontrar - disse o homem com a máscara.Sua voz era familiar, mas meu corpo se retraia, como se ativasse um lado meu que não deveria. Talvez fosse a vontade de viver, não tinha ideia do que esses homens queriam comigo.- me perdoa - disse o mesmo se aproximando.Ele está se desculpando ? - meu inconsciente se perguntava enquanto ele se aproximava de forma lenta. Meu corpo ficava lento quando minha ansiedade era alta demais, consequência dos remédios.Pude ver suas mãos com um pano branco e essas foram minhas últimas lembranças até acordar numa espécie de galpão, com pouca luz.Meu corpo demorou uns minutos até perceber que estava entre duas fileiras de prateleiras de galões. Eram galões enormes que impediam de tentar ver o teto dele.Busco escutar os sons, mas não há nada.Silencio absoluto.Tento, então, me levantar mas meus braços estão presos na parte de trás da cadeira, amarrando meu tronco por inteiro, minhas pernas eram as únicas livres, mas não podia fazer nada com elas.- Quem diria que te encontraria depois de tanto tempo ? - pergunta uma nova voz vindo da minha frenteConseguia ver seu contorno, era um homem alto, com um corpo musculoso. Ele estava em pé me observando.- Quem é ? - pegunto desesperada- Que ofensa da sua parte não me reconhcer - disse, enquanto a voz se aproximava ainda mais.Meu corpo estava em espécie de “te conheço, mas não me recordo”, e a ação do remédio ainda não me ajudava- Vai me dizer que esqueceu do seu primeiro amor ? ! - disse se aproximando demaisMeu corpo desbloqueou uma memória, a primeira vez que vi Christopher. Um homem alto, atlético e bonito, mas meu eu conseguia entender que era impossível que ele estivesse vivo.Um lado meu queria acreditar na possibilidade. As memórias de Christopher começaram uma após a outra surgirem, as lágrimas que meu corpo evitava usar na terapia, começaram a cair sobre meu rosto enquanto buscava racionalidade no que esse homem falava.Podia ser apenas um louco...Ele deu um passo e se agachou na minha frente. Bateu palma e todas as luzes se acenderam iluminando o homem diante de mim. Meu corpo demorou uns minutos observando meu primeiro amor agachado na minha frente. Eu me lembrava claramente do dia que ele tomou um tiro, e desde então continuava tendo pesadelos diariamente. Era uma dor que não conseguia entender, minhas lágrimas não era suficientes e minha vontade era de envolvê-lo em meus braços.- Agora se lembra né, Alice? - perguntou ao se colocar de pé novamente, para se afastar. Ele encostou na fileira e colocou as mãos no bolso.- Não vai falar nada ? - disse de forma debochada.- Você está vivo ? - sussurro entre os soluços - Christopher?
O silêncio não dura.Christopher dá um passo em direção a Caio. Um movimento pequeno, quase imperceptível, mas carregado de tudo o que ficou mal resolvido entre eles. Caio reage imediatamente, colocando-se à minha frente, como se eu ainda fosse algo que pudesse ser guardado atrás do corpo dele.— Não chega mais perto — Caio diz, a voz baixa, perigosa.Christopher ri. Um riso curto, sem humor.— Você ainda acha que pode decidir por ela?— Eu decidi por ela quando você a deixou morrer.A frase corta o ar como uma lâmina.— Você tentou me matar — Christopher responde, avançando mais um passo. — Me roubou tudo. Meu nome. Minha vida. E agora quer roubar até o que restou dela.Caio perde o controle.Ele empurra Christopher com força, e o impacto contra a parede ecoa pelo quarto. O sangue ainda fresco do ferimento se espalha pelo tecido da camisa. Christopher reage, revidando o golpe, e os dois se chocam novamente, como se a violência fosse antiga demais para ser contida.— Para! — eu grito.
Continuo parada, com a mão suspensa no ar, sentindo o peso daquela escolha esmagar meu peito. O silêncio no quarto é quase violento. Christopher ainda está ali, respirando com dificuldade, sangue escorrendo pelo canto da boca. Caio não se move. Nenhum dos dois ousa quebrar o momento, como se qualquer palavra pudesse ser definitiva demais.Sou eu quem abaixa a mão primeiro.Não em direção a nenhum deles.Apenas deixo o braço cair ao lado do corpo, porque percebo, com uma clareza cruel, que escolher agora seria me perder para sempre.— Eu não posso — digo, a voz fraca, mas honesta. — Não assim.Christopher engole em seco. A decepção atravessa o rosto dele rápido demais para ser escondida, mas não há acusação em seus olhos. Só tristeza. Uma tristeza antiga, resignada, como se ele já tivesse esperado por isso.— Eu esperei você — ele diz. — Mesmo quando achei que estivesse morta. Esperei porque você sempre foi a única coisa real no meio disso tudo.As palavras me atravessam como lâminas.
O dia do casamento não amanhece. Ele simplesmente acontece, como tudo naquele lugar. Sem sol, sem promessa, sem começo verdadeiro. Apenas continuidade. Quando me visto, não sinto nervosismo, nem medo. Sinto um vazio funcional, desses que servem para atravessar acontecimentos sem desmoronar no meio. As mulheres da facção não falam comigo. Ajustam o vestido escuro, quase ritualístico, como se estivessem preparando um corpo para o sacrifício, não uma noiva.O tecido é pesado. Não há branco. Não há flores. Há símbolos bordados em linhas quase invisíveis, marcas que não reconheço, mas que sei que representam alianças de sangue e silêncio. Meu reflexo no espelho não me encara. Os olhos parecem desligados da mulher que me olha de volta. Alice ficou para trás em algum ponto entre a morte de Jim e este corredor.Quando me conduzem até o salão interno, o ar muda. É mais frio. Mais denso. Homens armados ocupam as laterais. Nenhum sorriso. Nenhuma celebração. Apenas testemunhas. Os Seniores estão
O celular vibra quando a casa inteira parece respirar em suspensão. Não é alto. Não é urgente. Ainda assim, o som atravessa o quarto como um aviso tardio, como se algo tivesse acabado de morrer e só agora tivesse encontrado coragem para me avisar.Olho para a tela sem pressa. Uma parte de mim já sabe. Outra insiste em negar, como se negar fosse uma forma de adiar o inevitável.A mensagem não tem número. Não tem nome. Só uma frase curta, direta, brutal na simplicidade:O homem ao seu lado nunca vai ser Christopher.Meu peito aperta. Não é surpresa. É confirmação. Jim.Ele sabia, sempre soube.Sento na beira da cama, o telefone ainda na mão, os dedos frios, dormentes. Leio de novo. E outra vez. Não porque as palavras mudem, mas porque eu mudo a cada leitura. A cada repetição, algo em mim se desfaz um pouco mais.Não é um aviso. É uma despedida.Jim nunca foi de dramatizar. Nunca usaria palavras maiores do que o necessário. Essa frase é exatamente do jeito dele. Direta. Cruel. Honesta. U
A decisão já tinha sido tomada antes mesmo de eu sair daquela sala. Eu sabia. Sentia isso no peso do ar, no jeito como meus passos ecoavam pelos corredores da empresa, agora silenciosos demais. O casamento não era uma possibilidade. Era uma sentença. E, como toda sentença, vinha disfarçada de cerimônia, de honra, de promessas vazias que não me pertenciam.A preparação para a festa começou rápido demais. Funcionários surgiram de todos os lados, trazendo tecidos, caixas, listas. Tudo era eficiência. Tudo era urgência. Ninguém me perguntava nada. Apenas informavam. Horários. Vestido. Aparições públicas. O anúncio seria interno, mas simbólico. Era isso que Raul tinha dito. Simbólico para eles. Mortal para mim.Caio parecia satisfeito. Não plenamente feliz, isso exigiria humanidade demais, mas confortável. Como alguém que finalmente encaixou a última peça de um quebra-cabeça doentio. Ele circulava pelos ambientes com autoridade renovada, recebendo cumprimentos, apertos de mão e olhares cúm
O corredor até a sala de reuniões parece mais longo do que o normal. Ou talvez seja eu que esteja andando devagar demais, como se cada passo fosse um aviso do que está por vir. O ar ali dentro é pesado, denso, quase sufocante. Não é silêncio, é expectativa. Daquelas que esmagam.Caio anda ao meu lado. Não toca em mim, mas a presença dele é constante, dominante, como uma sombra que não desgruda. O rosto está sério demais, controlado demais. Não consigo ler nada além de tensão contida.As portas se abrem.Raul está sentado à cabeceira da mesa, com as mãos cruzadas sobre a madeira escura. O cabelo grisalho, o olhar frio de quem já decidiu tudo antes mesmo de qualquer conversa começar. Tito está à direita, recostado na cadeira, observando como um predador paciente. Robson, à esquerda, folheia alguns papéis como se aquilo fosse uma reunião comum, empresarial, e não uma sentença disfarçada.Luiz está de pé, próximo à parede. Quando me vê, sorri de canto. O mesmo sorriso de sempre. O sorriso
Último capítulo