Narrado por Leonid Raskolnikov
A casa repousava sob um silêncio inquietante, como se cada parede, cada sombra soubesse o que carregávamos. Assim que cruzamos a soleira, não trocamos uma só palavra. Cada um se recolheu à sua solidão como feras feridas, buscando abrigo em quartos que mais pareciam jaulas. Eu deveria dormir. Meu corpo implorava por isso, mas havia algo em mim que não silenciava. Uma inquietação surda, latejante, como uma lâmina cega roçando contra os ossos.
Eram três da madrugada