Narrado por Leonid Raskolnikov
O quarto estava mergulhado em sombras, e o silêncio era uma criatura viva, respirando entre as frestas da noite. Eu ainda a segurava contra o peito como quem guarda um segredo antigo, e seu corpo, tão frágil quanto a lembrança de um sonho ruim, tremia em ondas quase imperceptíveis. Foi quando, entre um suspiro e outro, sua voz finalmente me alcançou — tênue, trêmula, como se tivesse medo de existir.
— Eu tenho medo, Leonid… tanto medo…
Fechei os olhos, permitindo