Narrado por Zalea Baranov
O tempo, dizem, é uma linha contínua.
Mas naquela madrugada, ele se partiu.
Entre o antes e o depois.
Entre o medo e o milagre.
Entre o meu corpo e o corpo dele.
Já estávamos no hospital, mas nada parecia seguro. O quarto era branco demais, o ar estéril demais, e mesmo as flores que Leonid havia deixado sobre a mesa pareciam estar em silêncio de luto.
As contrações vinham em marés discretas há dias, mas naquela noite elas assumiram outra forma — como punhais dançando d