Narrado por Zalea Baranov
Sete meses.
O tempo se arrastava dentro de mim com o peso de um segredo maldito. O bebê crescia, esticava minha pele, pressionava minhas costelas, e às vezes, em silêncio, parecia me punir pelas memórias que ainda carregava. Já fazia dias que eu sentia uma dor surda na base do ventre. Uma pressão que vinha e ia como um sussurro de algo errado. Mas calei. Calei como calei por anos diante de tudo o que me dilacerava. Calei por medo de ser vista frágil, por não querer sob