A luz do lado de fora não era acolhedora.
Lyria percebeu isso no instante em que cruzou a abertura final. Não havia triunfo no amanhecer, nem alívio. A claridade era dura, quase acusatória, como se o mundo estivesse pronto para cobrar o que ela agora carregava. O vento tocou seu rosto com força, trazendo o cheiro de terra viva, metal aquecido e algo mais — movimento. O mundo seguia. E seguiria com ou sem ela.
O terreno à sua frente era amplo, irregular, marcado por estruturas antigas parcialmente soterradas. Ruínas que não haviam sido destruídas por guerra, mas por esquecimento. Lyria reconheceu aquele padrão. Não era um lugar abandonado. Era um lugar evitado.
Cada passo para fora do limiar fez algo dentro dela se ajustar novamente. O eixo interno que surgira no capítulo anterior agora se testava contra estímulos reais. Sons distantes. Vibrações no solo. Presenças humanas — muitas — espalhadas além do alcance imediato de seus sentidos comuns.
Ela parou.
Não por medo, mas por cálculo.