O depois nunca chega de forma grandiosa.
Ele não anuncia a própria presença, não pede licença, não exige atenção. O depois simplesmente começa — silencioso, quase discreto — no instante em que algo deixa de ocupar espaço dentro da gente.
Luna percebeu isso numa manhã comum.
Acordou sem urgência. Sem aquela necessidade automática de checar mensagens, de antecipar problemas, de calcular movimentos que não eram inteiramente seus. O quarto estava claro. O ar, leve. O corpo, presente.
Nada havia mudado ao redor.
Mas tudo estava diferente dentro.
Levantou-se com calma, sentindo o próprio peso no chão, como se estivesse reaprendendo a habitar o próprio corpo sem tensão. Preparou o café sem pensar em mais ninguém além de si. O gesto era simples — e, por isso mesmo, profundamente simbólico.
Durante anos, vivera em estado de alerta. Não por fragilidade, mas por responsabilidade excessiva. Carregara decisões que não eram suas, emoções que não lhe pertenciam, expectativas que nunca haviam sido di