O primeiro sinal de que algo havia realmente mudado não veio em forma de confronto. Veio em forma de ausência.
Luna percebeu isso logo pela manhã, quando acordou sem aquela sensação invisível de ser esperada em algum lugar. Durante anos, existira uma expectativa constante sobre sua disponibilidade — emocional, intelectual, estratégica. Agora, havia um vácuo.
E vácuos nunca ficam vazios por muito tempo.
Ela preparou o café com calma. Não porque estivesse tranquila, mas porque aprendera que agir devagar é uma forma de poder quando o mundo acelera ao redor. O telefone permaneceu sobre a mesa, intocado. Ainda assim, vibrava ocasionalmente, como se insistisse em lembrá-la de que havia consequências em curso.
Ela não olhou.
Saiu de casa mais cedo do que o habitual. Precisava circular. Precisava ver, com os próprios olhos, como as engrenagens estavam se reorganizando sem ela.
Na rua, os mesmos rostos. Os mesmos trajetos. Mas o clima era outro. As conversas pareciam mais truncadas. As pessoas